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segunda-feira, julho 4, 2022
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O que a análise de solo pode fazer pela sua lavoura

 

 

Letícia de Abreu Faria

Doutora e professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) – campus Paragominas

leticiadeabreufaria@gmail.com

Francisco Teixeira Matos Júnior

Graduando em Agronomia ” UFRA ” campus Paragominas

Crédito: Ademir Torchetti
Crédito: Ademir Torchetti

A análise do solo é uma ferramenta essencial para a agricultura racional, pois permite avaliar a fertilidade do solo de uma área e verificar a necessidade e a quantidade de aplicação de corretivos e fertilizantes para a produção agrícola. É utilizada nas pesquisas para comparar efeitos de práticas de manejo, adubações, culturas, etc; ou seja, embora seja uma prática antiga, ainda permanece como base para a agricultura moderna.

Saiba mais

Considerando o Brasil um país continental, ainda com questões de logística deficiente, recomenda-se que a amostragem seja realizada entre quatro a cinco meses antes do plantio, pois esse tempo permite o trâmite da amostra para o laboratório e a obtenção e interpretação dos resultados para a tomada de decisões, como a necessidade de aquisição de corretivos e fertilizantes, principalmente em caso de necessidade de calagem, pois é necessário um período para a reação deste corretivo no solo.

A frequência de amostragem pode variar com o grau de intensificação da propriedade e também com o manejo e a cultura. Os sistemas agropecuários intensivos, principalmente em culturas anuais, exigem análise anual, visando a racionalização e o uso eficiente de nutrientes, ou seja, a análise de solo deve ser interpretada e servir como base para o planejamento agrícola anual.

Ainda há sistemas menos intensificados, em que a análise de solo é realizada a cada dois ou três anos, ou também, em algumas situações, como culturas perenes, que dependendo da espécie, fase fenológica e objetivos do produtor, a realização das análises de solo pode ser considerada em maiores intervalos.

A demanda por correção e/ou adubação é calculada com base na fertilidade atual do solo e da cultura e seu estágio produtivo, no entanto, para a produção racional de qualquer cultura há dependência dos resultados da análise de solo.

Em plantio direto requerem amostragem na camada de 0 a 5 cm - Crédito: Sementes Adriana
Em plantio direto requerem amostragem na camada de 0 a 5 cm – Crédito: Sementes Adriana

Mais que vantagens

A análise de solo realizada com frequência, obviamente acompanhada de sua interpretação, reflete a capacidade de gerência administrativa do produtor. Por meio desta informação, somada à produtividade, o produtor poderá verificar os resultados de práticas agrícolas e até da qualidade de insumos, além de conseguir acompanhar a evolução da construção de fertilidade do seu solo.

O somatório dessas vantagens reflete em economia e conservacionismo, visto que este aplicará racionalmente os insumos demandados pela cultura.

Em sistemas produtivos com adoção de agricultura de precisão, uma amostra composta de solo (10 ha) é formada por subamostras que abrangem áreas de 1,0 até 2,5 ha, porém, não existe tamanho de área ideal para a submostragem. É importante lembrar, sobretudo, que quanto menor a malha de amostragem, maior será a precisão nos mapas de fertilidade.

Por meio deles são gerados os mapas de aplicação, os quais possuem taxas variadas de adubação para cada cultura implantada em todas as áreas do mapa. As taxas aplicadas são determinadas a partir do teor inicial dos nutrientes do solo, a perspectiva de rendimento das culturas e a exportação da cultura anterior.

Cuidados fundamentais

Em sistemas convencionais, para a obtenção de resultados confiáveis é necessário um conjunto de decisões, a começar pela divisão da área em glebas homogêneas, ou seja, talhões com até 10 ha caracterizados por posição topográfica, o tipo de vegetação, as características de cor e textura do solo e o histórico da área, isto é, qual a cultura atual e anterior, qual a produtividade observada, se houve uso de fertilizantes e de corretivos, entre outras.

A amostra por gleba, ou também chamada amostra composta, pode conter em torno de 500 g de terra sendo formada por uma amostra parcial após a homogeneização das 15 ou mais amostras simples coletadas em ziguezague por toda a gleba.

A retirada da amostra deve ser feita com ferramentas apropriadas e limpas, preferencialmente com materiais inoxidáveis, como trado holandês e baldes de plástico. No ponto de retirada da amostra deve-se limpar a superfície removendo as folhas e outros detritos, tendo cuidado de não remover a camada superficial do solo.

A amostra composta deve ser acondicionada em saco plástico resistente e identificada para que os resultados sejam relacionados com as respectivas áreas de coleta. Desta mistura homogênea retiram-se 500 g acondicionando em saco plástico resistente e envia-se ao laboratório de confiança, conferido pela presença de selo de qualidade.

É importante informar ao laboratório os atributos que deseja que sejam analisados, além de observações, como a cultura estabelecida ou a ser implantada.

A camada a ser amostrada depende dos interesses do produtor, da cultura e sistema de cultivo. As recomendações de calagem e adubação para as culturas anuais como milho, soja, arroz, etc., normalmente se baseiam nos resultados da camada de 0 a 20 cm, porém, a averiguação da necessidade de gessagem necessita de amostragem de 20 a 40 cm.

Há, também, sistemas conduzidos sob manejo de plantio direto que requerem amostragem na camada de 0 a 5 cm com intuito apenas de averiguar as condições de acidez, uma vez que nesse sistema normalmente não há incorporação de corretivos e, consequentemente, a aplicação de elevadas doses de calcário subsequentes pode causar tendência à alcalinidade superficial.

Os resultados da análise de solo devem ser encaminhados a um profissional competente para interpretação e recomendações necessárias.

Essa matéria completa você encontra na edição de julho de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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