O que são madeiras nobres?

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Madeiras nobres: o que são? Quais as espécies de madeiras nobres? Quanto custa o investimento? Confira no artigo abaixo.

Crédito Pixabay 

Ageu da Silva Monteiro Freire

Engenheiro florestal, mestre em Ciências Florestais e doutorando em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

ageufreire@hotmail.com

Amanda Brito da Silva

amandab_silva12@hotmail.com

Joaquim Custódio Coutinho

joaquimcustodiocoutinho@gmail.com

Engenheiros florestais e mestres em Ciências Florestais – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Quando falamos sobre o conceito de madeiras nobres, nos referimos à durabilidade e qualidade da madeira de determinadas espécies, diferindo de outras que possuem características inferiores e são mais propícias ao aumento da umidade e à vulnerabilidade ao ataque de patógenos.

As madeiras nobres também se chamam “madeira de Lei”, pois desde a colonização do Brasil havia exploração de árvores nativas, havendo a família real portuguesa instituído uma lei em que a extração das árvores só ocorreria com a autorização da coroa.

Com o tempo, devido à forte exploração florestal, várias espécies que possuíam madeira de qualidade foram diminuindo suas populações, devido também ao processo de urbanização, industrialização e expansão da agricultura, que gerou desmatamento intensificado, além de outros impactos ambientais negativos ao meio ambiente.

Diante disto, devido ao surgimento de políticas ambientais, essas espécies vêm sendo protegidas por meio de leis e medidas para sua conservação dentro e fora de seus ambientes naturais. Com forte valor econômico, é interessante preservá-las para que as mesmas não entrem em extinção.

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Quais espécies são madeiras nobres?

O Brasil, por ser um país de dimensões continentais, apresenta na sua flora uma grande variedade de árvores consideradas nobres. Porém, a exploração feita de forma predatória fez com que muitas delas entrassem na lista vermelha das espécies, ou seja, espécies já ou próximas de se tornarem vulneráveis na natureza, por isso a proibição de plantios para fins comerciais.

Temos como exemplo o pau-brasil, que é protegido por lei e não pode ser cortado para fins de florestas comerciais. O uso do pau-brasil é permitido apenas para fabricação de arcos de violino. Uma alternativa para os produtores deste segmento é optar pelo plantio de outras espécies também classificadas como madeira nobre, como por exemplo:

Tabela 1. Espécies consideradas como madeira nobre no Brasil.

Aspectos econômicos da madeira nobre

Apesar das madeiras nobres, em comparação com as madeiras comuns, terem plantio em menores áreas, a demanda é muito alta. Uma simples comparação entre valores de mercado para o metro cúbico entre essas madeiras mostra a diferença do poder econômico.

Para o eucalipto plantado no Brasil, temos R$ 77,60 para o metro cúbico no 7º ano de corte, enquanto que o mogno africano chega a € 600,00/m3 para o corte no 17º ano. É importante ressaltar o custo para o plantio de ambos é diferente, assim como o lucro final.

O plantio das espécies consideradas madeira nobre no Brasil tem aumentado muito nos últimos anos. Em 2017, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano para essa espécie (Khaya spp), que é a com mais plantio no país, eram 10 mil hectares plantados no território nacional. Hoje esse valor já ultrapassa os 40 mil hectares.

Para o plantio dessa espécie, é necessário atenção aos seguintes aspectos:

  • Produto final do plantio;
  • Avaliações das condições de clima e do solo da região que será realizado o plantio;
  • Condições edáficas e de relevo;
  • Escolha do material genético;
  • Escolha do espaçamento (dependente do objetivo do empreendimento);
  • Espaçamentos mais adensados (3,00 m x 3,00 m a 4,00 m x 4,00 m);
  • Espaçamentos maiores (5,00 m x 5,00 m; 6,00 m x 5,00 m; 6,00 m x 6,00 m).

Investimento em madeiras nobres

Quanto ao investimento inicial para um plantio de mogno africano, segue uma demonstração resumida para um plantio em seis hectares com lotação inicial de 1.142 no quadro (IBF, 2022) (Tabela 2).

Além disso, de acordo com Ribeiro et. al (2017), o manejo florestal desses plantios com exploração sustentável possui variadas funções ambientais, que tem hoje importância em escala mundial, suprindo as demandas do mercado consumidor com o desenvolvimento sustentável.

Considerações finais

Para que essas espécies venham a ser conservadas, são necessárias políticas ambientais eficientes, principalmente para que ocorra o manejo sustentável correto em florestas naturais. Além disso, precisa-se de técnicas que conservem sementes, de produção de mudas e conservação de germoplasma, além de criação de mais áreas protegidas nos ambientes em que essas espécies estão inseridas.

No fator produtividade, é interessante que órgãos públicos e privados invistam em ciência e tecnologia para que as plantas não fiquem vulneráveis e não percam seu valor econômico.