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segunda-feira, agosto 8, 2022
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Uso de organominerais é tendência no cultivo de hortaliças

Autores

Júlio César Ribeiro
Engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Ciência do Solo – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
jcragronomo@gmail.com
Carlos Antônio dos Santos
Engenheiro agrônomo e doutorando em Fitotecnia/Produção Vegetal – UFRRJ
carlosantoniods@ufrrj.br

Créditos Júlio Ribeiro – Anderson Ferrari

Os fertilizantes organominerais são importantes na construção ou manutenção da fertilidade do solo pois, além de fornecerem nutrientes para as plantas, melhoram as condições físicas e biológicas do perfil.

Diversos estudos mostram que os fertilizantes organominerais podem melhorar a estrutura do solo, aumentando a capacidade de retenção de água e aeração, permitindo maior penetração e distribuição do sistema radicular, além de influenciar a absorção de nutrientes, devido à matéria orgânica presente no fertilizante, favorecendo o cultivo de hortaliças.

Na produção de hortaliças, o manejo da fertilidade do solo é um item indispensável para que as plantas consigam expressar todo o potencial genético contido nas sementes. As hortaliças usualmente apresentam curtos ciclos de cultivo, o que possibilita o uso mais intensificado da área.

Elas também são capazes de exportar grande quantidade de nutrientes do solo para as partes comestíveis. Portanto, como forma de assegurar a sustentabilidade desses sistemas de produção, é recomendado que o solo seja manejado visando uma correta reposição dos nutrientes, além de garantir melhoria de suas características químicas, físicas e biológicas.

Solo fértil

A melhoria da fertilidade do solo pode ser feita com a utilização de fertilizantes, corretivos, ou por meio da rotação de culturas e incorporação de resíduos orgânicos. Os fertilizantes minerais solúveis são comumente utilizados, e têm como característica a liberação rápida de nutrientes no solo, o que pode favorecer as perdas.

Já os fertilizantes orgânicos, por sua vez, geralmente são menos concentrados e liberam os nutrientes de forma mais lenta durante a decomposição e mineralização da matéria orgânica. Esse panorama, aliado às vantagens do aumento da quantidade de matéria orgânica no solo, abriu espaço para um novo segmento de fertilizantes, conhecidos como organominerais.

De acordo com o Decreto nº 4.954/2004 e Instrução Normativa nº 25/2009, os fertilizantes organominerais são adubos orgânicos enriquecidos com nutrientes minerais, resultantes da mistura física ou combinação dos mesmos, devendo estes apresentar algumas especificações quanto ao teor de nutrientes, carbono orgânico e outros.

A constituição orgânica e mineral destes fertilizantes proporciona a disponibilização de nutrientes para as plantas durante todo seu ciclo e de forma gradual, garantindo assim uma maior eficiência e economia.

Benefícios

As hortaliças respondem bem à utilização de fertilizantes organominerais. Estas respostas positivas se dão, provavelmente, pela gradativa solubilização de nutrientes no solo, o que aumenta a eficiência no aproveitamento de nutrientes ao longo do desenvolvimento das plantas.

Quando comparado com as fontes minerais solúveis, esta eficiência pode chegar a 70% para o nitrogênio, 40% para o fósforo e 75% para o potássio. Os fertilizantes organominerais proporcionam, ainda, redução na fixação de fósforo no solo, melhorando o aproveitamento desse macronutriente essencial para as plantas.

Além da questão nutricional, outros benefícios da utilização dos organominerais são a melhoria na qualidade física do solo, como o aumento na agregação, porosidade e redução da densidade do solo. Do ponto de vista biológico, a matéria orgânica adicionada estimula o aumento da atividade microbiana no solo, havendo maior biotransformação dos elementos orgânicos e minerais, tornando os nutrientes disponíveis em maior quantidade para serem absorvidos pelas plantas.

Além desses benefícios potenciais, deve ser considerado, também, que os efeitos das substâncias húmicas presentes nos fertilizantes organominerais podem ser capazes de estimular fisiologicamente o crescimento de algumas hortaliças, proporcionando um maior desenvolvimento vegetativo e radicular, além de maior resistência a determinadas pragas e doenças.

O manejo

Como a maior parte dos solos brasileiros são ácidos, a realização da análise do solo e eventual correção da acidez por meio de calagem é importante para uma melhor disponibilidade dos nutrientes aplicados ao solo via fertilizantes organominerais ou qualquer outro tipo de adubo. 

A quantidade de fertilizante organomineral a ser aplicada deverá ser estabelecida com base na análise de solo e na exigência nutricional da hortaliça ou grupo de espécies que o produtor planeja cultivar.

Os fertilizantes organominerais são mais comercializados na forma fluida, granulada, peletizada ou farelada. Os organominerais fluidos podem ser veiculados por meio de fertirrigação, ou aplicação foliar, possibilitando o suprimento nutricional mais rápido às plantas.

Os organominerais peletizados, granulados ou farelados podem ser aplicados no plantio/transplantio próximo à semente ou com a muda, ou ainda, na adubação em cobertura, aplicados quando inicia o crescimento mais intenso das plantas. Sempre que possível, recomenda-se também incorporá-lo ao solo para que possa obter maior eficiência.

Os fertilizantes organominerais, de modo geral, podem ser aplicados com os mesmos equipamentos e procedimentos dos fertilizantes convencionais, mesmo apresentando formas variadas de composição. Estes fertilizantes geralmente apresentam maior concentração de nutrientes em relação à maioria dos fertilizantes orgânicos, podendo ser empregados em menor quantidade por área, reduzindo assim até 20% dos custos de produção.

O uso dos fertilizantes organominerais apresenta benefícios sólidos ao produtor em função das melhorias nas características químicas, físicas e biológicas do solo e por proporcionar, a médio e longo prazos, melhor equilíbrio nutricional das plantas e redução nas quantidades de nutrientes aplicadas. Como resultado desse processo, haverá mais economia, produtividade e rentabilidade na produção de hortaliças.

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