Óleo de neem: Controle de tripes em alface hidropônica

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Autores

Fellipe Kennedy Alves Cantareli felipecantarelli2009@hotmail.com

Marcela Maria Zanatta zanatta.marcelamaria@gmail.com

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Agronomia/Produção Vegetal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Jade Cristynne Franco Bezerra Engenheira florestal e mestranda em Agronomia/Produção Vegetal – UFPRjadefranco9@gmail.com

Claudia Maia de Andrade Engenheira agrônoma e pós-graduanda em Gestão e Produção Sustentável de Florestas – Universidade do Estado do Pará (UEPA)claudia.andrades@outlook.com

Vitor Quintela SousaEngenheiro agrônomo – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)quintelav@gmail.com

A alface (Lactuca sativa L.) é a hortaliça folhosa mais popular do mundo, cultivada em todas as regiões do planeta. É uma cultura bastante sensível ao ataque de pragas e seu cultivo deve estar sob constante monitoramento.

O cultivo da alface em ambientes protegidos, com destaque para o cultivo hidropônico, tem ganhado cada vez mais espaço entre os produtores, pois facilita o manejo além de conferir maior proteção a estresses bióticos (pragas, doenças e disponibilidade de nutrientes) e abióticos (oscilações de temperatura e umidade).

Em hidroponia

Alface_ Crédito: Eduardo Miyayaciki

O termo hidroponia significa o cultivo de plantas em meio líquido. A técnica do cultivo hidropônico é baseada em um sistema onde o solo ou substrato é substituído por uma solução nutritiva que tem como objetivo fornecer todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento da planta.

Mesmo sendo um sistema de produção em cultivo protegido, onde se tem o controle dos fatores que afetam a produtividade, existem algumas técnicas culturais que precisam de um olhar mais cuidadoso, exigindo do produtor o manejo fitossanitário adequado.

Alerta

O tripes (Thysanoptera: Thripidae) é um inseto pequeno e de ocorrência nacional, causando perdas significativas em cultivos de verão, principalmente durante a fase jovem da planta.

Existem várias espécies com capacidade para provocar danos em culturas distintas. Possui alta capacidade de adaptação e reprodução, que pode ser sexuada ou por meio de partenogênese (sem acasalamento) – as fêmeas podem colocar de 100 a 200 ovos, que ao eclodirem se alimentarão da planta hospedeira, provocando severos danos.

Estima-se que as perdas provocadas pelo tripes à cultura da alface em cultivo hidropônico podem chegar a 40% (Colariccio et al., 2004).

As injúrias são porta de entrada para microrganismos patógenos como bactérias e fungos. Este inseto é o maior responsável pela transmissão do Tospovírus, que provoca perdas econômicas significativas – a doença é popularmente conhecida como ‘vira-cabeça’.

Os danos ocasionados pelo tripes fazem com que a hortaliça perca valor de mercado, as folhas apresentem aspecto de palidez, podendo mostrar também manchas com tonalidade bronzeada ou prateada, que depois caem, além da deformação foliar de padrão irregular ou assimétrico na planta.

As plantas podem ser afetadas pela doença em quaisquer fases de desenvolvimento, porém, quanto mais precoce ocorrerem os ataques, maiores serão os prejuízos para o produtor (Embrapa, 2016).

Manejo

O controle do tripes pode ser realizado por variados métodos, como cultural, biológico e químico. Medidas preventivas são as melhores estratégias a serem empregadas no combate ao inseto, juntamente com um manejo integrado.

Produtos químicos só devem ser utilizados como medida de controle em último caso, já que estes produtos podem provocar contaminação ambiental e prejudicar a saúde humana, com a persistência de resíduos nos alimentos, somando-se a isto os efeitos negativos sobre os inimigos naturais e a seleção de insetos resistentes.

A inspeção das plantas rotineiramente é imprescindível, sendo que o produtor deverá manipular com cuidado as folhas expandidas da alface e as folhas que ainda estão em desenvolvimento do ápice da planta, além de inspecionar a parte interna das folhas, registrando a presença ou não dos insetos e a quantidade.

Alternativas eficientes

Dentre as metodologias de controle fitossanitário que vêm ganhando espaço como medidas preventivas entre os produtores rurais, estão o uso de extratos e óleos essenciais, conhecidos como inseticidas naturais, tanto no manejo integrado de pragas como na agricultura orgânica.

Diante disto, os extratos de óleos vegetais despontam como métodos de controle seguros, eficazes e baratos, quando realizados de forma correta. São conhecidos há muito tempo entre povos tradicionais de diversas regiões do mundo.

O nim (Azadirachta indica) pertence à família Meliaceae e pode ser encontrado com outros nomes, como neem, margosa, nime, lila índio. Esta planta tem origem asiática e a extração do seu óleo essencial vem sendo usado na Índia há mais de 2.000 anos para controle de pragas. Atualmente, tem sido utilizado como inseticida natural.

Possui diversos compostos repelentes de insetos, como a salanina, azadiractina, nimbolina, entre outros (Carneiro, 2013).

Versatilidade

Os óleos essenciais possuem diversas finalidades. Por serem oriundos do metabolismo secundário das plantas, possuem em sua composição terpenos que atuam na defesa e/ou atração de polinizadores. O princípio ativo mais promissor do nim é a azadiractina, conhecido pela ação repelente, provocando também distúrbio alimentar quando ingerido, levando à diminuição da alimentação e, consequentemente, à morte do inseto (Koul et al., 2004).

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