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Os benefícios da alga para o limoeiro

A utilização de bioestimulantes pode ser extremamente vantajosa quando utilizada corretamente.

O limoeiro [Citrus limon (L.) Burm. f.] é uma planta com hábito de crescimento ereto e bastante vigoroso. O limão tem diferentes destinos e aproveitamentos. A priori, os frutos de melhor qualidade são utilizados para o consumo no mercado de frutas frescas e os que não se enquadram nessas características são destinados para a produção de suco concentrado, óleos essenciais e pectina.

Para uma boa comercialização de frutas in natura, faz-se de extrema importância a qualidade físico-química do material. Esses requisitos englobam coloração da casca e aspectos externos, tamanho apropriado, espessura de casca, suco com adequado equilíbrio da acidez e sólidos solúveis, aroma, pequeno número de sementes, boa conservação e resistência ao transporte.

O femminello tem casca grossa e menor teor de suco
Fotos: Shutterstock

Mesmo para frutos destinados ao processamento industrial, em que a qualidade externa do fruto não é tão considerada, as qualidades organolépticas e o valor nutritivo têm grande importância.

As principais variedades de limões verdadeiros cultivados são:

Siciliano: é a cultivar mais plantada do Brasil e Estados Unidos, apresenta frutos de tamanho mediano, pouca semente e alto teor de suco, bastante apreciado para mercado de fruta fresca;

Femminello: o mais cultivado na Europa, apresenta porte alto e vigoroso, os frutos têm tamanho médio, casca grossa e menor teor de suco;

Lisboa: apresenta plantas de porte médio a alto, bastante cultivado na Argentina e Estados Unidos, muito produtivo, resistente ao frio e apresenta a casca rugosa em relação ao Eureka;

Genova: é de origem italiana, tem boa resistência ao frio, porte menor, fruto mais arredondado e as qualidades químicas muito semelhantes ao Eureka.

No Brasil, as limas ácidas também são consideradas “limões”, como por exemplo Tahiti (Citrus latifolia (Yu. Tanaka) Tanaka) e galego (Citrus aurantifolia (Christm) Swingle), que inclusive são produzidos e comercializados em maior escala que os limões tradicionais.

Os bioestimulantes

Dentro do sistema produtivo de citros, buscam-se novas práticas agrícolas que exerçam influência tanto na qualidade do fruto como na produtividade. Nesse contexto, a utilização de bioestimulantes pode ser extremamente vantajosa quando utilizada corretamente.

Os extratos de algas são descritos por atuarem como bioestimulantes. Seus efeitos sobre o crescimento de raiz e da parte aérea, maior produção de clorofila e resistência a estresse têm sido, muitas vezes, atribuídos à presença de hormônios de crescimento, como auxina e citocininas e compostos de baixo peso molecular presentes nos extratos, embora estudos sugiram que as moléculas maiores, incluindo polissacáridos e polifenóis, possam também ter importante efeito bioestimulante.

Aspectos importantes do cultivo

A produção do limoeiro é determinada pelo número e tamanho dos frutos colhidos, que dependem de três processos fisiológicos: florescimento, fixação de flores e crescimento dos frutos.

As plantas cítricas são capazes de florescer numa faixa relativamente ampla de condições climáticas, porém, a participação do clima no processo de floração é inegável, especialmente o déficit hídrico nas regiões tropicais e/ou de temperaturas baixas.

O florescimento nos citros ocorre principalmente em ramos com seis a 18 meses de idade que não possuem frutos, sendo assim dependente do crescimento de novos brotos.

A taxa de fixação de flores é muito baixa e varia entre apenas 0,5 e 1,0% do total de flores emitidas, sendo controlada por características genéticas, intensidade de floração, balanço hormonal entre auxinas, giberelinas, citocininas, etileno e ácido abscísico, disponibilidade de nutrientes, produção de fotoassimilados e condições climáticas.

O crescimento e a emissão de novos fluxos vegetativos são fortemente influenciados pela fotossíntese e translocação de fotoassimilados. Existe uma grande competição entre o crescimento de ramos para a nova florada e a formação de frutos, que chega a exigir até 51,6% do total de carboidratos produzidos.

Deste modo, quando a produção na safra é alta, as plantas crescem pouco e a produção da safra seguinte será afetada.

Tradição das algas

A utilização de algas na agricultura é praticada há milênios. Inicialmente, eram empregadas diretamente ou após a compostagem como corretivo de pH do solo para aumentar a disponibilidade de nutrientes do solo e promover maiores produtividade das culturas.

Estes extratos são descritos por agirem como agentes quelantes, melhorar a utilização de nutrientes minerais pelas plantas, melhorar a estrutura e aeração do solo e estimular o crescimento da raiz.

Extratos de algas também atuam como bioestimulantes, aumentando o estabelecimento inicial das plantas, melhorando o crescimento, rendimento, produção de flores e frutos, aumentando a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos, além de melhorar a vida útil pós-colheita.

A maioria dos produtos formulados com extratos de algas marinhas comerciais são feitos de algas marrons, incluindo Ascophyllum nodosum, Fucus, Laminaria, Sargassum e Turbinaria spp.

Efeitos das algas

Os processos de fabricação dos bioestimulantes à base de algas são geralmente patenteados pelas empresas, mas podem incluir o uso de água, soluções ácidas ou alcalinas, como extratores, tratamento térmico, ruptura física de algas usando moagem, temperatura ou alta pressão.

Os produtos finais podem ser na forma líquida ou em pó, associados a macro e micronutrientes. Os extratos de algas são ativos como bioestimulantes em baixas concentrações (diluídas 1.000 vezes ou mais), o que sugere que os efeitos observados não são apenas por ação nutricional, mas sim fisiológicos.

O teor de clorofila nas folhas foi aumentado após a aplicação de extrato de algas marinhas em uma série de estudos. Este aumento pareceu estar associado com uma redução na degradação da clorofila e atraso na senescência, mantendo a fotossíntese ativa por mais tempo.

Os extratos de algas têm sido utilizados para amenizar uma variedade de estresses abióticos, incluindo seca, salinidade e temperatura extremas.

O modo de ação dos extratos de algas para aumentar a tolerância ao estresse nas plantas não foi totalmente elucidado mas sabe-se que a presença de moléculas bioativas nos extratos, tais como betaínas e citocininas, podem desempenhar a função de estimular a síntese endógena de substâncias capazes de neutralizar radicais livres e promover um balanço hormonal positivo nas plantas.

Viabilidade

Quando a cultura estiver condicionada por limitações ambientais (estresse abiótico) ou em momentos críticos do seu desenvolvimento, como florescimento, fixação de flores e crescimento, que são etapas determinantes do potencial produtivo das lavouras, a utilização de tecnologias avançadas, como emprego dos bioestimulantes à base de extratos de algas, pode proporcionar resultados altamente compensadores.

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