Os caminhos que levam à alta produtividade da soja

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Autores

Amélio Dall’Agnol
Pesquisador da Embrapa Soja
amelio.dallagnol@embrapa.br

Crédito: Shutterstock

É justificável a preocupação que a sociedade compartilha sobre a necessidade de aumentar a produtividade dos campos de produção, de vez que os espaços agricultáveis do planeta estão diminuindo e são cada vez menores precisamos produzir mais. E não apenas isto, precisamos fazê-lo de maneira sustentável para não comprometer a capacidade dos recursos naturais que a população atual desfruta, de prover o sustento das gerações que vierem depois de nós.

Conseguir alta produtividade num campo de produção agrícola não depende apenas do desejo do agricultor, mas da combinação de diversos fatores, em que ele entra como o gestor do processo produtivo. Caso as tecnologias sejam bem manejadas e o clima favorável, a lavoura pode alcançar altas produtividades, premiando o produtor com maior produção e acréscimo de renda, além de prestígio como principal responsável pelo sucesso da empreitada.

São muitos os fatores que contribuem para a obtenção de altas produtividades de um campo de produção agrícola, os quais poderiam ser resumidos em três grupos: ambientais, genéticos e tecnológicos. Desconhecemos o limite máximo de produtividade que um cultivo pode alcançar.

Para a soja, por exemplo, o produtor norte americano Kip Cullers teria obtido 176 sacas de 60 kg/ha ou 10.560 kg/ha, em 2010, em concurso promovido pela Associação Americana de soja (ASA). É a mais alta produtividade de soja de que se tem notícia em nível global, embora ele tenha se negado a fornecer detalhes sobre tal façanha.

No Brasil, a mais alta produtividade de soja foi obtida em 2017 no Paraná, em concurso nacional de máxima produtividade promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil: 149 sacas de 60 kg/ha, ou 8.946 kg/ha.

A adaptabilidade da soja também chama a atenção nesta edição do concurso, demonstrando que o cultivo pode ser feito de Norte a Sul do Brasil. Dentre os quatro mil produtores inscritos, a região sul contemplou 61,8% deles, seguida das regiões sudeste (16,3%), centro-oeste (15,1%), nordeste (4,9%) e norte (1,8%).

O desafio demonstra uma maior participação das regiões sudeste, nordeste e norte nesta edição, em comparação às edições passadas. Dentre os 26 Estados, 54% deles participam do Desafio CESB. Já entre os 5570 municípios do Brasil, estão participando 16% do total.

Eficiência produtiva

Para que uma lavoura de soja atinja a máxima eficiência produtiva, precisa que todos os  fatores de produção estejam presentes em condições ótimas, a começar pela escolha de sementes de boa qualidade (alto vigor e elevado poder germinativo), de cultivares testadas e recomendadas para o local; de semeadura realizada na época mais adequada; de espaçamento e população de plantas os mais recomendados; de semeadura na profundidade correta; de solo bem manejado; de adubação segundo a indicada pela análise do solo; de água disponível no tempo e na quantidade certas; e do controle fitossanitário dos insetos-praga, das doenças e das plantas daninhas realizados de acordo com a demanda da cultura. Alguns destes fatores não são controlados pelo produtor, como o clima, mas muitos o são.

No Brasil, o avanço da produtividade da soja no último meio século é um indicativo de que os fatores de produção foram bem empregados pelos agricultores. Na década de 1960, a produtividade média foi de 1.089 kg/ha e, em 2018 alcançou os 3.381 kg/ha; crescimento de 210%.

As tecnologias que mais contribuíram para o alcance de tal impacto foram as relacionadas com o desenvolvimento de cultivares adaptadas às baixas latitudes do Cerrado, de cultivares transgênicas mais produtivas e mais precoces, da melhor plantabilidade pelo uso de maquinário mais moderno, do estabelecimento da cultura no sistema plantio direto e do melhor manejo da fertilidade do solo, entre outras.

Transformação em outros setores

Além desse avanço na produtividade da soja, outras lavouras tiveram desempenhos até melhores na produtividade, como é o caso do arroz e do feijão – provedores da mais tradicional refeição dos brasileiros – que, com áreas 47 e 62% menores produziram, respectivamente, 54% e 48% mais, no período de 1991 a 2018.

Essa transformação é exemplar para ilustrar a mudança observada nos campos de produção agrícola do Brasil, em termos de eficiência produtiva. Este é o Brasil que está dando certo, apesar das críticas injustas que recebe de setores que pouco entendem de campo e da sua dinâmica.


Os segredos para alcançar melhores resultados

Foram quatro mil produtores inscritos na edição 2018/2019 do Desafio de Máxima Produtividade de Soja, iniciativa do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB). Ao todo, 4,14 milhões de hectares de área plantada, o que representa 11,5% das lavouras da cultura no Brasil.

Cinco desses agricultores se destacaram com produtividades bem acima da média nacional. Quatro deles contaram com a assessoria direta de um time de especialistas para o manejo eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas.

Maurício De Bortolli foi consagrado Campeão Nacional e Irrigado, com 123,88 sacas por hectare. Na vice-liderança Nacional e destaque Sul de Sequeiro, Rafael Tolotti, com 123,5 sacas/ha. O produtor e agrônomo Matheus Grossi Terceiro, com apenas 29 anos de idade, conquistou o título de Campeão Sudeste Sequeiro, com 110,45 sacas/ha. E João Antônio Gorgen, o título de Campeão Norte/Nordeste de Sequeiro, com 96,86 sacas/ha.

Cada um deles tem uma especificidade na condução da lavoura. Enquanto Gorgen investe pesado no manejo de solo, com rotação de cultura entre soja, milho e algodão a fim de melhorar o perfil da terra e proporcionar condições ideais para altas produtividade, Matheus Grossi tem um planejamento muito bem-feito, com tomadas de decisão pontuais na parte de fertilidade e de manejo fitossanitário. “Para fazer uma boa colheita, devemos seguir vários passos, os quais aumentarão a chance de altas produtividades. O primeiro ponto é fazer uma correção de solo adequada para o material genético escolhido, pois cada material possui uma característica de fertilidade ideal (dentro do material, você deverá escolher uma variedade adaptada para sua região). As sementes plantadas deverão ter alta porcentagem de germinação e alta taxa de vigor, características que irão interferir no estande final”, esclarece.

Rafael Tolotti acredita que para atingir a meta é preciso ter ajuste fino em todos os fatores da cultura, começando por uma correta distribuição espacial de plantas. Já Maurício De Bortolli procura conhecer bem o ambiente que explora e quais são as pragas e doenças que desafiam suas lavouras, para ter condições de escolher as melhores ferramentas. Em comum, eles têm à disposição as soluções em todas as fases da cultura.

“Com o apoio de empresa parceira na tomada de decisão para o controle sanitário, utilizamos os produtos corretos, na hora certa, para alcançarmos o melhor vigor da lavoura”, comenta Tolotti, fazendo referência à recomendação para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas.

Entre as orientações estão a escolha de sementes de procedência e certificadas; a realização do plantio em clima favorável e respeitando o ciclo da variedade; a garantia de qualidade das aplicações de defensivos, utilizando equipamentos conservados, dosagem correta com taxa de pulverização adequada ao estágio da planta; a rotação de agroquímicos com diferentes modos de ação; e a adoção de uma estratégia de monitoramento constante das lavouras.

O manejo correto facilita, por exemplo, o controle de doenças como a ferrugem asiática, uma das principais barreiras para o alcance de altas produtividades de soja. A aplicação preventiva de fungicidas é uma das estratégias para evitar grande incidência da ferrugem.

Associado a isso, o tratamento de sementes é mais uma referência utilizada há alguns anos pelos vencedores do Desafio do CESB. A solução protege o potencial genético das sementes de soja, fazendo com que atinjam altas produtividades. Por conter em sua formulação inseticida e fungicidas, ele blinda as sementes contra o ataque de pragas e doenças de solo que interferem no processo de germinação e de desenvolvimento das plantas.

Matheus Grossi ainda ressalta que suas melhores lavouras são colhidas no mês de março. “Como a soja que nos plantamos possui ciclo médio de 120 dias, os plantios são do mês de novembro. Nosso principal objetivo, nos cereais, é recuperar a microfauna do solo e corrigir a fertilidade para futuros plantios de café, além da rentabilidade rápida que a cultura fornece”, pontua.

A premiação do CESB é uma referência para o mercado de soja, e o reconhecimento da consistência do trabalho feito em prol da sojicultura brasileira. Cada vencedor deixa um legado de boas práticas da lavoura.


Como vencer o Desafio Nacional de Máxima Produtividade?

O Desafio Nacional de Máxima Produtividade foi criado há 10 anos com o intuito de estimular e desafiar os produtores e consultores técnicos a extrair o potencial da cultura da soja, aumentando a produtividade, com sustentabilidade e maior rentabilidade. No primeiro ano do desafio, a média das 10 maiores produtividades foi de 77,8 sacas por hectare e o projeto contou com 140 participantes inscritos. Na safra 2018/19 foram mais de 5.000 inscritos e a média das 10 maiores produtividades foi superior a 110 sacas por hectare.

Segundo Breno Araújo, consultor e membro do CESB, a missão do Desafio é produzir mais no mesmo espaço, utilizando pesquisas, tecnologias e a sustentabilidade como pilares para alcance dos maiores índices de produtividade da soja. “Ao longo dos anos, o CESB tem compartilhado junto aos produtores, consultores, institutos de pesquisa e cooperativas suas histórias de sucesso, buscando alavancar a média da produção nacional, a qual está, atualmente, em 54 sacas por hectare”, diz.

Ainda segundo ele, o maior desafio enfrentado pelos produtores é o clima. Isso porque a maioria dos produtores produz sob sistema de sequeiro e a baixa disponibilidade de água no solo associada a longos períodos com temperaturas elevadas pode prejudicar de maneira irreversível a produtividade da cultura. O correto manejo da fertilidade do solo ao longo do perfil proporciona um bom crescimento radicular em profundidade e, consequentemente, o acesso à maior quantidade de água em períodos de estiagem”, ensina.

Como garantir a alta produtividade

Além das inovações, tecnologias, agricultura de precisão, adubos, fungicidas e inseticidas de eficiência melhorada, são essenciais as práticas integradas de manejo, desde o preparo de solo, fertilidade, palhada adequada, com plantio direto, até a compra de uma semente de elevada qualidade, que possa expressar todo o seu potencial produtivo. “O que percebemos entre os vencedores é que não existe uma fórmula mágica – eles apenas fazem práticas integradas de manejo”, explica Breno Araújo.

Importante saber

Outro fator importante para obter sucesso é minimizar as perdas na colheita. Breno Araújo nota que há produtores que chegam a perder 10 sacas de soja. “Então, se a média brasileira é de 54 sc/ha de soja, existem produtores que deixam 10 sacas no chão”, alerta.

“Portanto, o mais importante é fazer um bom planejamento. Não existe a melhor semente ou cultivar. O que existe é a cultivar colocada em um ambiente bem preparado para ela, e a partir daí proteger a planta”, revela o especialista.

O CESB disponibiliza no site todos os critérios e dicas para que o produtor possa participar do desafio. www.cesbrasil.org.br


Pedras no caminho

Como transformá-las em degraus?

Rodrigo Vieira da Silva

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e professor – IF Goiano, campus Morrinhos

rodrigo.silva@ifgoiano.edu.br

João Pedro Elias Gondim

Engenheiro agrônomo e doutorando em Fitopatologia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Luam Santos

Engenheiro agrônomo e mestre em Olericultura – IF Goiano, campus Morrinhos

Giovana Cândida Marques

Graduanda em Agronomia – IF Goiano, campus Morrinhos

Nikson Elias Pinto da Silva

Engenheiro agrônomo e mestrando em Olericultura – IF Goiano, campus Morrinhos

No cenário mundial, a soja possui uma condição de destaque entre os produtos agrícolas, por sua importância econômica. O Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de soja do mundo, cultivando na safra 2018/19 cerca de 115 milhões de toneladas do grão em 35 milhões de hectares cultivados, o que corresponde a 32% de toda soja produzida no mundo.

A obtenção de altas produtividades da soja está diretamente associada a um conjunto de fatores que se inicia antes da porteira e do início do cultivo. Nesta fase são analisados: obtenção do financiamento da lavoura, escolha da variedade mais adequada e planejamento de todas as ações e práticas de manejo a serem realizadas.

Dentro da porteira, atenção deve ser dada ao preparo do solo, correção da acidez, tratamento e inoculação das sementes, fornecimento das quantidades corretas de macro e micronutrientes e matéria orgânica da palhada, utilização de maquinários apropriados, com o auxílio das tecnologias da agricultura de precisão.

A utilização harmônica de todos os fatores de produção é imprescindível para alcançar o máximo potencial produtivo da variedade que é escolhida de acordo com as características da região e nível tecnológico do produtor.

A utilização dos produtos fitossanitários, como herbicidas, fungicidas, inseticidas e nematicidas atuam na “proteção” do potencial produtivo, diminuindo danos causados por plantas daninhas, pragas, doenças e nematoides que possam reduzir a produtividade.

Do básico ao tecnológico

Para início de conversa, na agricultura é primordial começar com o básico, que é a realização de análise de solo, de modo corrigir o solo e fornecer a quantidade ideal dos nutrientes necessários para a soja.

Outra ferramenta importante para alcançar os níveis recordistas de produtividade é a adubação por meio da tecnologia da agricultura de precisão, que trabalha com taxas variáveis, fornecendo em cada área ou talhão de cultivo a exata quantidade de nutrientes e defensivos.

A utilização de bactérias que fazem fixação biológica de nitrogênio é uma excelente ferramenta: barata, fácil e eficiente. Ainda, se o produtor fizer a inoculação de bactérias eficientes em captar o nitrogênio da atmosfera, não será necessário complementar com nitrogênio mineral.

A utilização do plantio direto na palha proporciona uma maior quantidade de matéria orgânica e melhor aeração do solo, além de maior retenção de umidade. Realizar sucessão ou rotação de culturas com plantas de famílias diferentes, a exemplo da soja-milho ou sorgo é de suma importância para o equilíbrio do ecossistema.

Essa prática, quando bem utilizada, melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo, contribui para o controle de plantas daninhas, pragas, doenças e nematoides, proporciona maior acúmulo de matéria orgânica, protege o solo da ação dos fatores climáticos, além de auxiliar na viabilização do sistema de semeadura direta.

Cuidado para uma colheita bem feita, pois quando realizada fora da faixa adequada de umidade e com falhas na regulagem da colhedora, pode ter como consequência a perda de grãos e, assim, a redução da qualidade e da produtividade.

Conforme as plantas de soja se aproximam da maturação, as folhas caem, as vagens secam e os grãos tendem a perder umidade rapidamente. Dessa maneira, a colheita deve ser realizada quando a planta está no ponto correto, para minimizar problema de rendimentos das máquinas, danos mecânicos, perdas e quebras dos grãos e problemas fúngicos de pós-colheita.

Aliado a esses fatores, é fundamental a gestão empresarial das fazendas, sendo necessária uma equipe qualificada e atualizada de profissionais para tomar as decisões corretas e no momento certo para obter altas produtividades.

Concursos de produtividade

A agricultura mundial se encontra em constantes transformações, as quais são marcadas por soluções tecnológicas e pelas preocupações com a sustentabilidade do sistema produtivo. O Brasil é um país importante na pesquisa agrícola mundial, conhecido por desenvolver as melhores tecnologias para a agricultura tropical e em solos do Cerrado.

Nesse contexto, o papel das instituições de pesquisa e conhecimento é facilitar a transferência de tecnologias entre a fonte geradora de inovação e o produtor rural, de modo a reduzir a distância entre eles, levando ao produtor rural tecnologias de alta produtividade e estímulos para sua aplicação na propriedade rural.

Em concursos de produtividade realizados nos últimos 10 anos do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB, compreendendo as safras de 2008/09 a 2017/18, a produtividade média dos 10 primeiros produtores colocados das áreas-testes variou de 77,8 a 109,4 sacas/ha, com uma taxa de crescimento anual de 5%.

Este incremento de produtividade é maior do que a média nacional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab, 2018), que variou de 43,8 a 56 sacas/ha, com taxa de crescimento anual de 3,5%. Vale salientar que a cada safra, o número de participantes do Desafio de Máxima Produtividade de Soja aumenta significativamente, fato que demonstra o interesse dos sojicultores em melhorar a produtividade continuamente, de forma a alcançar maior rentabilidade do agrossistema.

Desafios

Estudos indicam que a cultura da soja tem capacidade de produção de 300 sacas por hectare, e que vários fatores fazem este potencial cair pelo ralo durante o ciclo de produção. Dentre estes, podemos destacar a disponibilidade de água do solo no local e no momento certo.

Sojicultores com muitos anos de cultivo têm surpresas quando o assunto é chuva. A maior parte das áreas de cultivo de soja no Brasil é realizada em condições de sequeiro, portanto, é o período chuvoso que determina o início do plantio.

Nas fases iniciais, a planta possui menores necessidades de água, todavia, o sistema radicular é pouco desenvolvido, de modo que não resiste a muitos dias sem água, o que varia também com as características do solo. Neste contexto, a irrigação seria uma prática para aumentar a produtividade, pelo menos nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta.

As condições climáticas, especialmente a temperatura e umidade, afetam diretamente a forma com que as pragas e doenças se multiplicam e disseminam. Boa parte do Brasil está situado em área tropical e subtropical, que apresenta condições favoráveis a estes organismos praticamente durante o ano todo, fato que acarreta em um maior ataque e prejuízo. O capim-amargoso, a lagarta Spodoptera armigera, a ferrugem asiática, a mosca-branca e algumas espécies de fitonematoides estão entre os agentes causadores de danos que tiveram destaque nos últimos anos na cultura da soja.

Alerta geral

Os nematoides fitopatogênicos são vermes que parasitam plantas e na maioria das vezes atacam o sistema radicular. O Estado do Mato Grosso, por exemplo, é chamado por muitos pesquisadores de paraíso dos nematoides, devido à facilidade com que estes se proliferam e podem causar danos que chegam a 100% de perdas na produtividade. Após infestarem a área, dificilmente são controlados.

Recentemente, a espécie Aphelenchoides besseyi, causadora da Soja Louca II ou também conhecida como a doença da haste verde, tem causado grandes prejuízos no Estado. Um único grupo de sojicultores teve prejuízo estimado de R$ 15 milhões. Este parasita altera o balanço hormonal da planta atacada, inibindo a senescência mesmo após a aplicação de dessecantes.

A correção do solo, especialmente em solos ácidos, como no caso do Cerrado com a fosfatagem e a calagem, é vital para o equilíbrio e disponibilização de nutrientes a planta. Outro fator relevante a ser considerado é alcançar a população de plantas ideal por hectare. A distribuição espacial entre elas, na mesma fileira ou entre fileiras, deve ser organizada de tal forma que resulte em uma população adequada de plantas para aproveitar de maneira mais eficaz os raios solares e nutrientes do solo.

A velocidade de plantio é crucial para que este manejo seja feito adequadamente, proporcionando a semeadura com distâncias homogêneas, entretanto, a pequena janela de plantio em vista das grandes áreas de cultivo torna esse manejo um desafio, que dificilmente é alcançado com exatidão.

Produtores que ainda não aderiram ao manejo da agricultura de precisão têm maiores gastos no seu cultivo, o que pode torná-los sujeitos a maiores prejuízos. Desta maneira, é de suma importância se manter sensível à utilização de novas tecnologias e atualizado nas novidades do mercado, que abrem novas possibilidades para aumentar a produtividade da sojicultura brasileira.

Genética a favor do campo

A produtividade da soja é influenciada positivamente pela escolha da variedade correta, plantio na época ideal, população adequada de plantas por hectare, uso de sementes certificadas e tratadas, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio por meio da inoculação e co-inoculação, o preparo profundo do solo.

Nos últimos anos a produção brasileira triplicou, devido ao uso de tecnologias e novas estratégias de produção. Além disso, a tecnologia para o melhoramento das plantas, correção do solo e manejo integrado de pragas, doenças e nematoides têm contribuído para a alta produtividade.

Resultados de pesquisas demonstram que o aumento de 1% da matéria orgânica no solo, especialmente em regiões com estiagem prolongada e com problemas com nematoides, pode aumentar em até 30% a produtividade.

A seleção de defensivos agrícolas para o controle de pragas deve ser realizada minunciosamente, com cuidado na escolha do modo de ação, efetivos em baixas concentrações e que interfira o mínimo possível nos insetos benéficos que contribuem com a produtividade da soja. Para uma aplicação eficiente, uma única pulverização conseguir a máximo cobertura foliar, a temperatura, umidade do ar e ventos vedem estar na faixa adequada.

Em suma, o conhecimento e a gestão empresarial da lavoura é determinante para alcançar altas produtividades. O manejo é melhorado com imagens de satélites e uso de drones para gerar mapas de colheita, de modo que a soja possa expressar o seu máximo potencial. O manejo deve ser planejado, desde uma boa adubação de base, com a adoção de compostos orgânicos e adubos foliares, bioestimulantes, maturadores, etc.

O manejo integrado de pragas com a amostragem de insetos propicia a entrada do defensivo no momento oportuno, e com isso minimiza os danos dos percevejos. Para tal, é necessário acompanhamento técnico semanal durante a safra. O conhecimento do hábito alimentar de cada praga é importante para definir o manejo a ser implantado, seja no período de armazenagem ou no campo.

Inovações tecnológicas

Entre as inovações mais marcantes do setor agrícola estão o melhoramento genético constante, agregando novas variedades, inclusive as transgênicas, com maior produtividade e tolerância à acidez e déficit hídrico, além de resistência às principais pragas, doenças e nematoides, o desenvolvimento de novos métodos de cultivo e insumos agrícolas mais eficientes. A utilização do controle biológico tem crescido muito nas últimas décadas, de modo a preencher as lacunas deixadas pelos defensivos químicos.

Inoculantes e coinoculantes de sementes mais modernos e eficientes são lançados a cada nova safra. Balancear de maneira sinérgica os tratos culturais com os novos produtos é o caminho para alcançar grandes produtividades e a lucratividade da sojicultura no Brasil. A agricultura de precisão no Brasil, com o avanço tecnológico da computação, geotecnologia, GPS, sensores e drones tem se mostrado mais acessível e eficiente.

A revolução causada pelo acesso a drones está possibilitando a obtenção de informações cada vez mais precisas (temporal e espacialmente) da lavoura e melhorou o processo de identificação e classificação de unidades de manejo de fertilidade. O desenvolvimento de sensores de maior resolução espectral, como os multiespectrais, possibilita mensurar o vigor na planta, por meio do índice NDVI, e determinar in loco os possíveis agentes estressantes. Assim, proporciona ao produtor controlar problemas, mesmo quando não há sinais visíveis a olho nu.

Sensores de bordo dos uniportes tornam o controle de plantas daninhas, pragas, doenças e nematoides cada vez mais efetivo e diminui os custos de aplicação. O desenvolvimento de algoritmos específicos para a identificação de plantas daninhas torna o processo dos sensores mais eficiente.

A produtividade é otimizada à medida que, para uma determinada área plantada, uma quantidade ótima de todos os fatores produtivos é aplicada, de acordo com o nível tecnológico e técnicas produtivas difundidas no mercado. Neste cenário da sojicultura do terceiro milênio, o maior desafio é alcançar maiores níveis de produtividade aliando a implementação tecnológica com a viabilidade econômica e responsabilidade socioambiental.

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Foram quatro mil produtores inscritos na edição 2018/2019 do Desafio de Máxima Produtividade de Soja, iniciativa do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB). Ao todo, 4,14 milhões de hectares de área plantada, o que representa 11,5% das lavouras da cultura no Brasil.

Cinco desses agricultores se destacaram com produtividades bem acima da média nacional. Quatro deles contaram com a assessoria direta de um time de especialistas para o manejo eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas.

Maurício De Bortolli foi consagrado Campeão Nacional e Irrigado, com 123,88 sacas por hectare. Na vice-liderança Nacional e destaque Sul de Sequeiro, Rafael Tolotti, com 123,5 sacas/ha. O produtor e agrônomo Matheus Grossi Terceiro, com apenas 29 anos de idade, conquistou o título de Campeão Sudeste Sequeiro, com 110,45 sacas/ha. E João Antônio Gorgen, o título de Campeão Norte/Nordeste de Sequeiro, com 96,86 sacas/ha.

O Desafio Nacional de Máxima Produtividade foi criado há 10 anos com o intuito de estimular e desafiar os produtores e consultores técnicos a extrair o potencial da cultura da soja, aumentando a produtividade, com sustentabilidade e maior rentabilidade. No primeiro ano do desafio, a média das 10 maiores produtividades foi de 77,8 sacas por hectare e o projeto contou com 140 participantes inscritos. Na safra 2018/19 foram mais de 5.000 inscritos e a média das 10 maiores produtividades foi superior a 110 sacas por hectare.

A mais alta produtividade de soja de que se tem notícia em nível global foi obtida produtor norte americano Kip Cullers teria obtido 176 sacas de 60 kg/ha ou 10.560 kg/ha, em 2010, em concurso promovido pela Associação Americana de soja