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sexta-feira, julho 1, 2022
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Panorama do cultivo de mamão no Brasil

Autores

Marcelo do Amaral Santana
Analista do Núcleo de Ações Estratégicas (NAE) da Embrapa Mandioca e Fruticultura (CNPMF)
marcelo.santana@embrapa.br

O mamoeiro é cultivado na Ásia, nas Américas e na África, que, juntas, produziram em 2016 cerca de 13,05 milhões de toneladas de frutos. O Brasil é responsável por 10,9% da produção mundial, o que equivale a 1,4 milhão de toneladas da fruta. Nos últimos anos, o Brasil exportou a quantidade de frutos que corresponde a US$ 42 milhões, mas a maior parte de sua produção é consumida no mercado interno.

Em 2017, o Brasil teve a área de 26.526 ha colhidos com mamoeiro, sendo a Bahia o principal produtor de mamão do País (368.875 t), seguido pelo Espírito Santo (311.150 t), Ceará (115.525 t), Rio Grande do Norte (86.342 t) e Minas Gerais (43.556 t).

No ano de 2016, a produtividade média da cultura no Brasil foi de 39,85 t ha-1, mas a Bahia apresentou produtividade média de 40,81 t ha-1, enquanto os demais estados apresentaram produtividades abaixo da média nacional.

A importância social da cultura do mamoeiro é também de grande relevância, por ser geradora de empregos (diretos e indiretos) e renda, haja vista a absorção de mão de obra durante o ano todo, já que os tratos culturais, a colheita e a comercialização são efetuadas de maneira contínua nas lavouras, além de os plantios serem renovados, em média, a cada dois ou três anos, garantindo a permanência do homem no campo e contribuindo para a redução do êxodo rural.

Produção brasileira de mamão em 2017

Estados Área Colhida (ha) Produção (t) Rendimento (t/ha)
Bahia 9.039 368.875 40,81
Espírito Santo 6.118 311.150 50,86
Ceará 2.603 115.525 44,38
Rio Grande do Norte 1.847 86.342 46,75
Minas Gerais 1.346 43.556 32,36
Paraíba 979 36.924 37,72
Amazonas 1.109 25.873 23,33
São Paulo 322 13.672 42,46
Pará 748 13.335 17,83
Alagoas 416 11.168 26,85
Rondônia 288 4.455 15,47
Acre 321 4.220 13,15
Mato Grosso do Sul 126 3.910 31,03
Pernambuco 203 3.584 17,66
Maranhão 188 3.123 16,61
Sergipe 65 2.412 37,11
Mato Grosso 114 2.263 19,85
Rio Grande do Sul 176 1.475 8,38
Paraná 75 1.473 19,64
Roraima 240 1.265 5,27
Goiás 47 758 16,13
Distrito Federal 25 475 19,00
Amapá 60 464 7,73
Piauí 27 451 16,70
Tocantins 42 319 7,60
Rio de Janeiro 2 34 17,00
Santa Catarina
BRASIL 26.526 1.057.101 39,85
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2017. Consultado em 17/09/2018.

Pesquisas

A pesquisa atua em diferentes áreas do conhecimento, gerando alternativas tecnológicas para o cultivo mais adequado do mamoeiro. Merecem destaque os trabalhos de melhoramento genético, manejo do solo, controle integrado de pragas, doenças e de plantas invasoras, além de alternativas de agregação de valor ao produto, por meio do manejo pós-colheita e do processamento da fruta.

Sistemas de produção integrada já estão disponíveis e o cultivo de mamão orgânico está sendo avaliado para permitir maior grau de sustentabilidade ao agronegócio do mamoeiro. A pesquisa também é uma das responsáveis pelo estabelecimento do System Approach, conjunto de práticas que permitem a exportação da fruta para mercados mais exigentes.

Apesar da grande produção, o Brasil não é o maior exportador, mas tem aumentado o volume de vendas para o mercado externo nos últimos anos.

Linhagem pura e híbridos

No caso do mamoeiro, é importante reunir, numa mesma variedade, as características de maior produtividade, menor porte, resistência a doenças e longevidade pós-colheita dos frutos.

As sementes das variedades híbridas, como a Tainung nº 1 e a Calimosa (Uenf/Caliman 01), não devem ser aproveitadas para um novo plantio, por haver segregação de suas características na geração F2. Nesse caso, as plantas obtidas a partir de sementes de frutos híbridos serão muito diferentes entre si e acarretarão perda de produtividade.

As variedades de mamoeiro são classificadas em dois grupos, Solo e Formosa. O grupo Solo, no qual se encontra a maioria das cultivares de mamoeiro utilizadas no mundo, apresenta frutos com peso médio de 350 g a 600 g.

O grupo Formosa é composto por mamoeiros que apresentam frutos com peso médio de 800 g a 1.100 g.

No grupo Solo, destacam-se as cultivares Sunrise Solo (conhecido também por Havaí, Papaya ou Amazônia), Golden, Improved Sunrise Solo Line 72/12, Baixinho de Santa Amália, Taiwan, Kapoho Solo, Waimanalo e Higgins.

No grupo Formosa, destaca-se como a cultivar economicamente mais importante o híbrido F1 Tainung nº 1.

A cultivar Sunrise Solo apresenta como características: fruto proveniente de flor feminina ovalado e de flor hermafrodita piriforme, peso médio de 500 g, casca lisa e firme, polpa vermelho-alaranjada, de boa qualidade e cavidade interna estrelada, floração iniciada com três a quatro meses de idade, com altura de inserção das flores de 70 cm a 80 cm e produção com início oito a 10 meses após o plantio, produzindo, em média, 45 t/ha/ano.

A produtividade média das cultivares é a seguinte:

† Sunrise Solo, 45 t/ha/ano.

† Golden, 40 t/ha/ano.

† Híbrido F1 Tainung nº 1, 60 t/ha/ano.

Colheita e pós-colheita

Para as variedades do grupo Formosa, o peso médio dos frutos deve variar de 800 g a 1.100 g; para as variedades do grupo Solo, de 350 g a 550 g. Os frutos devem apresentar casca lisa e sem manchas ou danos mecânicos e coloração típica da variedade.

Os frutos do mamoeiro devem ser colhidos antes de sua total maturação, porque eles têm capacidade de continuar seu processo de maturação após a colheita. O fruto é climatérico, com aumento característico na taxa de respiração e de produção de etileno durante o amadurecimento, o que lhe confere essa capacidade.

Mas, apesar do padrão climatérico, o fruto pode não amadurecer caso tenha sido colhido muito imaturo, antes de ter atingido a maturidade fisiológica, estádio visualmente identificado pelo aparecimento de estrias levemente amareladas na casca, na parte distal do fruto, e por sementes de coloração preta.

A depender da variedade e das condições climáticas, o mamão completa a maturação na planta quatro a seis meses após a abertura da flor.

Para comercialização e consumo local, deve-se colher os frutos quando apresentarem estrias ou faixas com 50% de coloração amarela. Frutos destinados à exportação ou armazenamento por períodos longos devem ser colhidos na fase entremaduro (“de vez”), caracterizada pela mudança da cor verde-escura para verde-clara da casca, pelo início da coloração rósea da polpa e pelo amadurecimento das sementes, que se tornam negras.

O mamão deve ser colhido manualmente, destacando-se os frutos da planta por meio de torção até a ruptura do pedúnculo.

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