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Percevejos são ameaça constante para o sojicultor

 

Silvestre Bellettini

Engenheiro agrônomo e doutor ” UENP ” Campus Luiz Meneghel

Crédito Cecília Czepak
Crédito Cecília Czepak

Nas diferentes etapas do ciclo da planta, verifica-se a ocorrência de pragas que atacam plântulas, raízes, pecíolos, hastes, folhas, vagens e sementes. Dos percevejos, as espécies Euschistus heros, Nezara viridula e Piezodorus guildinii são ameaça constante para o sojicultor brasileiro (SOSA-GOMEZ et al. 2014).

Principais espécies de percevejos

Os parâmetros biológicos são influenciados pela dieta alimentar e pela temperatura, conforme Corrêa-Ferreira e Panizzi (1999), na Tabela 1.

Tabela 1 ” Parâmetros biológicos das principais espécies de percevejos que ocorrem na soja

Parâmetros

Euschistus heros

Nezara viridula

Piezodorus guildinii

Tempo de desenvolvimento (ovo-adulto) (dias)

31,3

41,4

27,9

Duração dos instares (dias)

Ovo

6,1

6,8

7,5

Ninfa 1º

3,4

4,2

4,3

Ninfa 2º

4,8

6,0

5,9

Ninfa 3º

4,1

5,4

5,5

Ninfa 4º

5,1

6,5

6,1

Ninfa 5º

8,0

12,4

9,7

Pré-cópula

9,9

8,2

8,0

Pré-oviposição (dias)

13,4

16,0

22,0

Longevidade (dias)

116,8

52,8

53,6

Fecundidade (nº de ovos/fêmea)

167,8

150,1

123,3

Nº ovos/postura

4,6

75,6

15,1

Valores médios calculados a partir dos dados obtidos por Vélez (1974), Cividanes (1992), Panizzi (1997), Costa et al. (1998), citados por Corrêa-Ferreira e Panizzi (1999).

Foto 02 Os prejuízos causados pelos percevejos às lavouras de soja podem ser significativos - Crédito Ana Maria DinizPercevejo marrom

O percevejo marrom Euschistus heros, nativo da região neotropical (América Tropical), está bem adaptado aos climas mais quentes. É, atualmente, o mais abundante desde o norte do Paraná ao Centro-Oeste e Norte do Brasil e se encontra também em abundância no Rio Grande do Sul (SOSA-GOMEZ et al. 2014).

Para Degrande e Vivan (2013/14), os ovos apresentam coloração amarela, verde clara ou bege, sendo depositados em pequenas massas, normalmente de seis a 15 ovos, e duas ou três linhas paralelas, colocadas principalmente nas folhas e vagens da soja.

Durante o desenvolvimento, as ninfas passam por cinco estádios, os quais apresentam coloração marrom suave (às vezes esverdeada, amarelada, castanha ou acinzentada).

Infestação de percevejo marrom na soja - Crédito Fernando Fávero
Infestação de percevejo marrom na soja – Crédito Fernando Fávero

As ninfas recém-eclodidas apresentam hábito gregário e não causam danos à cultura. A partir do 3º estádio passam a sugar os grãos da soja. O adulto é um percevejo marrom escuro, com dois prolongamentos laterais do pronoto, em forma de espinhos, com cerca de 13 mm de comprimento (entre 11 e 15 mm) e uma mancha branca na extremidade do esculeto, em forma de ‘meia-lua“, o que facilita sua identificação.

Percevejo verde

O percevejo verde Nezara viridula foi considerado a espécie mais comum na região Sul do Brasil. Devido a sua menor adaptação a climas mais quentes, não se expandiu para a região Central com a mesma intensidade que Piezodorus guildinii e Euschistus heros (HOFFMANN-CAMPO et al. 2000).

Para Degrande e Vivan (2013/14), os ovos são depositados na face inferior das folhas em massas regulares, de forma hexagonal, contendo cerca de 50 a 100 ovos. No início são de coloração amarelada, adquirindo coloração rosada com manchas vermelhas, próxima à eclosão das ninfas.

As ninfas de 1º e 2º estádios apresentam, respectivamente, coloração alaranjada e preta com manchas brancas sobre o dorso, permanecem agrupadas em torno da postura ou se movimentam em grupos sobre as plantas.

A partir do 3º estádio abandonam o hábito gregário, iniciam os danos nos grãos da soja e são pretas com manchas amarelas no abdome. No 4º estádio, as ninfas apresentam coloração verde e preta, com manchas brancas, amareladas e vermelhas sobre o dorso. No 5º estádio, ficam verdes, com manchas brancas amarelas e vermelhas sobre o dorso e podem ser pretas na parte dorsal do abdome.

O adulto é um percevejo totalmente verde, com tamanho variando de 12 a 17 mm, tendo manchas avermelhadas nos últimos segmentos das antenas.

Crédito Fernando Fávero
Crédito Fernando Fávero

Percevejo verde pequeno

O percevejo verde pequeno Piezodorus guildinii tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde a região tradicional de cultivo de soja (RS, SC e PR) até as regiões de expansão recente das regiões Norte e Nordeste do país (HOFFMANN-CAMPO et al. 2000).

Para Degrande e Vivan (2013/14), os ovos apresentam coloração escura, são dispostos em fileiras duplas, com cerca de 15 a 20 ovos, preferencialmente depositados nas vagens, mas podem ser encontrados também na fase ventral ou dorsal das folhas, no caule ou nos ramos.

No 1º estádio, as ninfas apresentam-se agrupadas, normalmente próximas à postura. Apresentam, inicialmente, coloração preta e avermelhada e, ao final, gradativamente, adquirem maior intensidade de coloração esverdeada. A partir do 3º estádio, começam a causar danos aos grãos da soja.

O adulto é um percevejo de cor verde, com uma listra de cor vermelha na altura do pronoto, medindo aproximandamente 9 mm de comprimento. Constitui-se no mais importante percevejo da soja, pois prejudica mais a qualidade das sementes e causa maior retenção foliar à soja que os demais percevejos.

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