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Período chuvoso aumenta incidência de canela-preta

Jéssica Lino Gomesjessica.lino@ufv.br

Felipe de Oliveira Diasfelipedeoliveiradias@gmail.com

Mariane Gonçalves Ferreira Copatimarianegonferreira@gmail.com

Engenheiros agrônomos, mestres e doutorandos em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutora em Fitotecnia – UFV

Canela-preta – Crédito: UFRGS

A canela-preta é uma doença bacteriana causada pelas bactérias Pectobacterium spp. e Dickeva spp. Na cultura da batata, é responsável por grande parte das perdas causadas por doenças durante e após o ciclo de produção do tubérculo. O ataque provoca danos diretos aos órgãos de comercialização (tubérculos), o que pode levar à perda total da produção quando o ambiente é favorável ao desenvolvimento do patógeno.

Perdas

Nas lavouras de batata a canela-preta pode provocar perdas consideráveis pelo apodrecimento da batata-semente, ramas e tubérculos, no campo e durante o armazenamento. Regiões com climas quentes e úmidos favorecem a ocorrência da bactéria. Além da batata, podem colonizar uma ampla variedade de hospedeiros, podendo, também, sobreviver no solo ou em águas subterrâneas.

A infecção das plantas ocorre via ferimentos mecânicos ou aberturas naturais existentes, como as lenticelas e/ou estômatos. Ao infectar as plantas, as bactérias liberam enzimas pectolíticas que degradam a lamela média dos tecidos vegetais.

Estas infecções ocorrem, inicialmente, nas partes mais baixas da planta, na região do colo, com o enegrecimento do caule. Com o avanço dos sintomas, ocorre o ressecamento das folhas, descolorindo os vasos, até o escurecimento total das folhas e caules. Sintomas mais severos são observados no caule, que se torna oco devido à necrose interna dos vasos.

Os órgãos atacados ficam com aspecto de encharcamento, geralmente ocorrendo na sequência a podridão dos tecidos infectados. A intensidade dos sintomas dependerá da concentração bacteriana inicial na batata-semente; da suscetibilidade da cultivar de batata e das condições ambientais.

Infecção

A transmissão da canela-preta ocorre por meio da batata-semente infectada. Além disso, bactérias do gênero Pectobacterium podem se disseminar superficialmente através da água livre e/ou partículas suspensas na umidade do ar. Outra forma de transmissão é por meio dos insetos.

Controle

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Dentre as técnicas de manejo utilizadas para o controle dessa doença, o método preventivo é o mais eficaz, entretanto, não deve ser a única forma de controle. Dentre as técnicas preventivas, destacam-se: escolher área de plantio livre de inóculo ou que não tenha sido cultivada nos últimos anos com batata ou outras plantas hospedeiras; plantar em solos bem drenados; evitar cultivos em épocas sujeitas a temperaturas elevadas e chuvas frequentes; utilizar batata-semente proveniente de cultura de tecidos; evitar ferimentos da batata-semente nas operações de transporte e plantio; controlar a irrigação, evitando principalmente excesso de água; fazer adubação balanceada, evitando especialmente o excesso de nitrogênio; quando lavados, os tubérculos devem ser totalmente secos antes do ensacamento; rotação de culturas e, por último, e não menos importante, utilizar cultivares mais resistentes.

Para o controle curativo, recomenda-se a utilização dos produtos químicos. Dentre os produtos químicos registrados para controle de canela-preta em batata, encontram-se os ingredientes ativos sulfato de cobre, oxicloreto de cobre, óxido cuproso, hidróxido de cobre, casugamicina, cloreto de benzalcônio, cimoxanil+famoxadona, famoxadona+manconzebe e Melaleuca alternifolia (extrato de folhas).

Além desses produtos, algum efeito químico sobre a população bacteriana localizada na superfície dos tubérculos pode ser conseguido com aplicação de hipoclorito de sódio a 1%. Entretanto, aplicar um filme de água livre sobre a superfície do tubérculo pode ocasionar a condição de anaerobiose necessária ao início de infecção. Dessa forma, esta prática deve ser evitada.

Eficiência

Para que as técnicas de manejo sejam eficientes, é necessário o auxílio de um engenheiro agrônomo, o qual saberá indicar a melhor estratégia a ser utilizada de acordo com a situação da lavoura.

Lembrando que, devido ao seu rápido progresso, a canela-preta pode causar perdas de até 100% à produção, e grandes prejuízos ao produtor. Em condições ambientais favoráveis, quando uma pequena porção de inóculo entra em contato com um tecido sadio, em menos de 24h observa-se a deterioração inicial dos tecidos e em 48h o tubérculo estará totalmente comprometido.

Dessa forma, seguir rigorosamente as medidas de controle preventivo pode garantir a redução dos níveis de perdas na produção, proporcionando assim elevadas produtividades na cultura da batata.

No campo, práticas de manejo têm apresentado resultados satisfatórios para o controle da doença durante todo o ciclo de cultivo. O preparo adequado do solo, por exemplo, é muito eficiente na redução da incidência da canela-preta. Além disso, influencia na formação de um sistema radicular mais vigoroso, na rápida emergência das plântulas, na formação dos estolões, no aumento do número de tubérculos, na maior tolerância a estiagens e na redução da ocorrência de defeitos fisiológicos.

Tudo isso contribui para o desenvolvimento de uma planta mais vigorosa, que resulta em uma maior capacidade de desenvolvimento, levando maior lucratividade ao cultivo.

Alternativa

Outra prática que tem ajudado na redução da canela-preta é a adoção de uma fertilização equilibrada em nitrogênio, fósforo e potássio, associado com micronutrientes. O desequilíbrio nutricional, além de aumentar a incidência de canela-preta, reduz a porcentagem de matéria seca, aumenta os açúcares redutores e a ocorrência de outras manchas internas nos tubérculos.

Custo envolvido

O custo da produção de batata não sofre grandes alterações com a adoção das medidas de controle da canela-preta, uma vez que as principais estratégias recomendadas são de caráter preventivo, que devem ser realizadas em todos os cultivos.

Ademais, o custo do controle químico na batateira para pragas e doenças é de aproximadamente 2% do custo de produção, o que não acarreta prejuízos financeiros para o produtor.

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