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Pesquisadores transformam excedentes de laranjeira em bioenergia

Transformando excedentes de laranjeira em uma fonte renovável de energia, pesquisadores abrem caminho para práticas sustentáveis e inovadoras.

Gabriela Fontes Mayrinck Cupertino
Engenheira florestal, mestra e doutoranda em Ciências Florestais – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
gabriela.mayrinck01@gmail.com
Ananias Francisco Dias Júnior
Engenheiro florestal, doutor em Recursos Florestais e professor do departamento de Ciências Florestais e da Madeira (UFES)
ananias.dias@ufes.br

Já imaginou uma árvore frutífera que não apenas produz um delicioso suco, mas também tem o potencial de gerar energia? Essa é a realidade da renomada laranjeira. Originada da Ásia tropical, mais precisamente nas regiões do sudeste da China e nordeste da Índia.
Essa árvore frutífera pertence ao gênero Citrus e é conhecida cientificamente como Citrus sinensis. Ao longo dos séculos, a laranjeira foi cultivada e propagada, sendo introduzida em diversas partes do mundo, inclusive no Mediterrâneo pelos árabes durante a Idade Média.

Adaptação

A disseminação global das laranjeiras foi impulsionada pela sua notável adaptação a climas subtropicais e tropicais, destacando-se especialmente no Brasil. Atualmente, a laranjeira é cultivada em várias regiões do planeta devido à popularidade de seus frutos e à versatilidade da árvore.
Reconhecida mundialmente pelo sabor distintivo de seus frutos e sucos, essa espécie impulsiona um mercado vibrante no Brasil, atingindo aproximadamente 1,029 milhão de toneladas e gerando uma receita expressiva de US$ 2,038 bilhões na safra 2022/23, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No Brasil, uma vasta área de 592 mil hectares é destinada ao cultivo dessa variedade especial, reforçando a posição de liderança global na produção dessa espécie. No cenário nacional, destaca-se o estado de São Paulo, que assume uma liderança significativa no ranking de produção, contribuindo com 77% da produção total, seguido por Minas Gerais, que representa 6%.
Estima-se que cerca de três em cada cinco copos de suco consumidos mundialmente têm suas origens no Brasil, responsável por metade da produção global. Adicionalmente, o país exporta aproximadamente 98% de sua produção, conquistando uma significativa fatia de 85% no mercado global.
Os números expressivos ressaltam a relevância e a influência dessa árvore singular no cenário global. Apesar de já ser reconhecida no mercado mundial, pesquisas sugerem que a Citrus sinensis pode alcançar uma visibilidade ainda maior, trazendo retornos econômicos mais expressivos, especialmente graças ao seu potencial energético.

Citrus sinensis e geração de energia

A laranjeira, além de ser reconhecida por seus frutos suculentos e saborosos, apresenta um potencial ainda mais abrangente ao ser explorada para a geração de energia. Essa estratégia inovadora destaca a versatilidade notável dessa árvore frutífera, expandindo significativamente seu papel no cenário agrícola.
Estudos afirma que essa espécie não só tem o potencial para a produção do famoso suco, mas também se revela como uma alternativa sustentável para a geração de energia. O potencial energético da laranjeira reside principalmente em sua biomassa.
Isso se deve ao fato de que os resíduos gerados a partir da poda das árvores, do desbaste, das cascas das árvores, das cascas de frutas e outros subprodutos podem ser aproveitados de maneira eficiente para a produção de bioenergia.
Esses resíduos da laranjeira representam uma fonte valiosa de matéria-prima, impulsionando a criação de combustíveis sólidos (como carvão vegetal) e combustíveis compactados que desempenham um papel crucial em soluções energéticas sustentáveis e renováveis.

Biomassa

O carvão vegetal de laranjeira é produzido por meio da carbonização da biomassa, submetendo-a a elevadas temperaturas na ausência de oxigênio. Essa técnica converte os resíduos em carvão vegetal, destacando-se pela sua origem renovável.
Além de reduzir a dependência de recursos não renováveis, o carvão vegetal de laranjeira promove práticas sustentáveis, alinhando-se aos esforços globais por uma matriz energética ambientalmente responsável.
Os resíduos resultantes desse processo podem ser habilmente utilizados na fabricação de pellets ou briquetes, formas compactadas de biomassa que servem como combustíveis sólidos.
A compactação não apenas simplifica o armazenamento e transporte, mas também otimiza a eficiência energética durante a queima.

Sustentabilidade

A produção de combustíveis compactados e sólidos a partir de resíduos de laranjeira não apenas oferece uma alternativa sustentável para o descarte desses materiais, mas também contribui para a redução da dependência de fontes não renováveis.
Além disso, a utilização desses combustíveis na geração de energia promove práticas mais ecologicamente conscientes, alinhando-se aos esforços globais para mitigar as mudanças climáticas e impulsionar a transição para fontes de energia mais limpas e renováveis.

Pesquisas recentes

Pesquisas inovadoras e pioneiras estão atualmente em andamento para explorar o vasto potencial energético da laranjeira em diversos setores. Um centro crucial nesse esforço é o Laboratório Multiusuário de Energia da Biomassa, estrategicamente localizado no município de Jerônimo Monteiro, situado no sul do estado do Espírito Santo.
Este laboratório destaca-se como um epicentro de pesquisas especializadas voltadas para o potencial energético específico da laranjeira.
A relevância desta iniciativa transcende as fronteiras do laboratório, estando intrinsicamente ligada à identidade única do município capixaba, que é carinhosamente conhecido como a “Terra da Laranja”.
Esse reconhecimento regional não apenas reforça o compromisso com a espécie, mas também impulsiona estudos mais aprofundados sobre seu potencial diversificado para diversas aplicações energéticas.
As investigações em curso têm como objetivo principal compreender a viabilidade de aproveitar de maneira eficiente os recursos provenientes da laranjeira para a geração de energia. Buscam identificar aplicações sustentáveis e promissoras em diferentes contextos, contribuindo assim para a construção de soluções inovadoras no campo da energia renovável.
O engajamento ativo do laboratório nessas pesquisas representa uma contribuição significativa para o avanço do conhecimento sobre as possibilidades energéticas dessa importante árvore frutífera.
Ao desbravar novos horizontes e ampliar as fronteiras do entendimento, o laboratório desempenha um papel fundamental no desenvolvimento sustentável e na promoção de práticas energéticas mais conscientes e eficientes.

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