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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Planejamento da área de exploração e plantio

Rafael PioEngenheiro agrônomo, doutor e professor adjunto – Universidade Federal de Lavras (UFLA)rafaelpio@dag.ufla.br

Figos – Créditos: Pixabay

A escolha do local de plantio é tarefa das mais criteriosas, pois dela depende diretamente o sucesso da exploração econômica. Sob o ponto de vista fitotécnico, é recomendável a escolha de áreas que tenham disponibilidade de água.

O uso da irrigação, associado a outras práticas culturais, como a poda de frutificação em épocas distintas, manejo nutricional e emprego de fitoreguladores, permitem a obtenção de frutos fora da época tradicional de colheita, o que pode possibilitar um maior retorno econômico do empreendimento.

Ainda que não se pretenda fazer uso da irrigação, o bom suprimento de água na propriedade torna-se necessário, principalmente quanto ao manejo fitossanitário do figueiral, da mesma maneira que a boa drenagem do solo na profundidade superior a um metro, a textura areno-argilosa e a ausência de nematoides, fatores esses primordiais na escolha do local de cultivo. Também devem ser evitados locais com riscos de geadas frequentes.

A necessidade da instalação de quebra-vento também deve ser avaliada. Ventos fortes podem ocasionar ferimentos nas folhas das figueiras, os quais podem facilitar a incidência de patógenos, além de favorecer a queda prematura de frutos.

Sob o ponto de vista fisiológico, a presença de ventos representa um gasto energético para a planta, pois diminui a fotossíntese e aumenta a transpiração celular. Assim, o plantio de quebra-ventos deve ocorrer concomitante ao plantio das figueiras.

Peculiaridades

Quando se considera o aspecto socioeconômico da exploração das figueiras, alguns aspectos devem ser considerados. O primeiro diz respeito à necessidade de mão de obra especializada. No último levantamento realizado no Estado de São Paulo sobre a estratificação das propriedades que cultivam figo, foi constatado que existe a necessidade, em média, de cinco a sete pessoas para conduzir satisfatoriamente 4.000 plantas (média de 2,21 ha), o que é feito predominantemente pelo sistema familiar ou de parceria/meeiro, no qual, preferencialmente, a família do proprietário ou do meeiro habita a propriedade.

Defina o destino da produção

Outro aspecto importante é o destino final da produção. A única cultivar explorada comercialmente até o momento no Brasil é a ‘Roxo de Valinhos’, que apresenta boa rusticidade e produtividade, além de ampla adaptação aos climas temperados e subtropicais brasileiros.

Contudo, a alta perecibilidade dos frutos, quando colhidos maduros, é o fator mais preocupante do ponto de vista da comercialização da produção. Nesse quesito, o produtor tem que possuir um destino certo para seus frutos.

Não obstante, a cultivar ‘Roxo de Valinhos’ adapta-se muito bem à produção de figos verdes, destinados ao processamento, fabricação de figos em caldas, figadas e geleias. Isso exigirá a presença de unidade processadora nas proximidades, mas permitirá agregação de valor ao produto.

Pesquisas realizadas junto aos consumidores brasileiros revelaram que a compota de figos verdes em calda é a segunda em preferência, perdendo apenas para a de pêssego.

Preparo de solo

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