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segunda-feira, agosto 8, 2022
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Plantabilidade correta do milho safrinha

Paulo Roberto Arbex SilvaDoutor e professor – FCA/Unesp de Botucatu (SP)arbex@fca.unesp.br

Milho – Foto: Paulo Arbex

Uma das etapas mais importantes dentro da produção do milho safrinha é a semeadura, onde estão os maiores custos e tecnologias, chegando a 70% do valor total de produção. Por isso, a importância de fazê-la sem falhas ou com o mínimo possível delas.

O maior problema de erro na semeadura é que não há como corrigir, ou seja, uma semente não depositada no solo, ou depositada de forma desuniforme, vai levar a uma falha, e essa não será mais corrigida naquela safra.

O milho é uma cultura que não tem efeito compensatório, ou seja, cada falha de semente depositada incorre em perdas de aproximadamente 200 g de grãos. Ao somar as falhas da área inteira, essas perdas se transformam em grande prejuízo.

Diversos estudos publicados nos últimos anos mostram que ainda é grande o percentual de falhas, devido aos erros de calibração e à deficiência de manutenção das semeadoras em uso no Brasil, sendo que a situação não é diferente nos demais países latino-americanos.

Entenda

O conceito de uma boa plantabilidade é a correta distribuição longitudinal das sementes no campo, na profundidade adequada, pois esses fatores contribuem para a obtenção de um estande adequado de plantas, promovendo a melhoria de desempenho do sistema e a otimização de recursos (sementes, fertilizantes, combustíveis, mão de obra, etc.).

Em suma, o bom desempenho na plantabilidade é um fator decisivo na busca pela sustentabilidade do agronegócio no Brasil.

Pilar da produtividade

Para se ter a noção da importância do conceito da plantabilidade, dados de empresas que comercializam sementes apontam que na cultura de milho, para cada 10% de aumento no coeficiente de variação do espaçamento entre sementes perde-se 1,5 saca de grãos produzidos por hectare de lavoura implantada.


Em relação a perdas, no que se refere ao uso de semeadoras-adubadoras, diversos fatores interferem no estabelecimento do estande adequado de plantas, destacando-se:

– Uniformidade de tamanho das sementes;

– Profundidade de deposição das sementes e adubos no solo;

– Velocidade de deslocamento da máquina;

– Quantidade de sementes e adubos depositados no solo;

– Distância entre as sementes na linha de semeadura;

– Pressão correta das ferramentas contra o solo, entre outras.

Por esta razão, a inspeção periódica das máquinas-semeadoras é considerada uma das ferramentas mais eficazes para a redução dos prejuízos causados por estes problemas no campo.


Pesquisa

O Grupo de Plantio Direto (GPD) da Faculdade de Ciências Agronômicas UNESP de Botucatu (SP) idealizou o projeto IPS (Inspeção Periódica de Semeadoras), que tem trabalhado com pesquisa e desenvolvimento envolvendo máquinas de plantio, semeadura e adubação há 10 anos por todo Brasil, visando diminuir custos, minimizar gastos energéticos e promover a sustentabilidade na produção agrícola.

Além da avaliação de plantabilidade da semeadora-adubadora, a metodologia da inspeção é realizada por meio de check list com a identificação do proprietário, da propriedade, da máquina; características de qualidade, quantidade, segurança e tecnologia utilizada.

As inspeções (visitas) estão sendo realizadas por todo O Brasil, e o objetivo é a melhoria na plantabilidade, bem como a publicação de artigos científicos com os dados obtidos. 

O Projeto IPS se posiciona, portanto, como uma ferramenta importante na busca de possíveis soluções para os problemas comumente encontrados na operação das semeadoras-adubadoras de precisão, colaborando para a busca da racionalização do uso de energia e insumos, com reflexos na sustentabilidade do sistema de produção.

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