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quinta-feira, julho 7, 2022
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Plantios tardios de cedro australiano e adequação ao clima são boas oportunidades

Eduardo Stehling

Biólogo e consultor na Fuste Consultoria Florestal, gestor do Programa de Melhoramento do Cedro Australiano

pesquisa@belavistaflorestal.com.br

 

Foto 01 - Crédito Ricardo Vilela
Crédito Ricardo Vilela

Os plantios de cedro australiano são realizados após o início do período de chuvas, variando em cada Estado. Os Estados que mais têm procurado e plantado o cedro australiano atualmente são MG, SP, RJ, ES, BA, MS, PR e SC. Dessa forma, não é possível criar uma regra que atenda todos os produtores.

É muito importante que ocorram algumas chuvas para que o solo recupere seu potencial hídrico antes de plantar. Para que o produtor tenha sucesso, é necessário se programar para intempéries, independente da época.

No sudeste, tem sido muito comum, nos últimos três anos, a ocorrência de grandes veranicos entre dezembro e janeiro que não existiam. Isto quer dizer que quem plantar em dezembro poderá precisar de irrigação em algum momento para permitir o pleno estabelecimento da muda. Nem sempre o produtor está atento a este fato.

Plantios tardios

Considero um plantio tardio aquele que é realizado após metade do volume de chuvas anual já ter ocorrido, restando dias de chuva e volume de precipitação limitados e mal distribuídos. Por esta razão, a irrigação de plantio será necessária para o estabelecimento das mudas e deve ser prevista. Citando Minas Gerais, estes plantios acontecem a partir de meados de fevereiro até início de abril.

Critérios para o estabelecimento de mudas

Para um bom estabelecimento das mudas, basicamente é preciso: solo úmido, adubação fosfatada adequada e boa distribuição das chuvas no período. Mas existem também alguns critérios importantes que, quando variam, podem limitar o estabelecimento e merecem ser citados.

Entre eles estão o plantio de mudas niveladas ao solo e sem afogamento (terra sobre o coleto), e níveis médios a baixos de radiação solar. Este último item é muito importante, porque especialmente entre dezembro e janeiro têm ocorrido níveis de radiação altíssimos em diversas regiões, devido à baixa nebulosidade e ausência de chuvas nos veranicos.

O produtor que plantou em dezembro ou janeiro, na ocorrência de pelo menos três dias sem chuvas e de radiação muito intensa, precisará tomar medidas para auxiliar as mudas. Apesar do solo úmido, a radiação excessiva pode evoluir para queima de coleto, pois nem sempre o produtor observa o nivelamento das mudas no plantio. A irrigação de plantio e outras técnicas permitem amenizar esta condição ruim para o estabelecimento.

Vantagens de plantar cedro após fevereiro

Os plantios realizados entre fevereiro e abril são uma excelente alternativa. Ciente da irregularidade das chuvas, a irrigação de plantio torna-se imprescindível no planejamento e não opcional.

Os níveis de radiação são muito mais baixos, assim como a temperatura e a evaporação de água nos solos. Dessa forma, o risco de queima de coleto diminui muito. Apesar da irregularidade das chuvas, o potencial hídrico do solo está em níveis ótimos.

O controle de matocompetição é facilitado, pois a taxa de crescimento da vegetação também cai muito, assim como seu custo, que pode ser repassado para irrigações, gel, etc.

Após o estabelecimento, mesmo com as plantas recebendo tratos mínimos, elas têm capacidade de passar por todo o período de estiagem muito bem, retomando o crescimento com as chuvas e a chegada da primavera/verão.

Técnicas de sucesso

O viveiro de espera, as irrigações de plantio, o uso de gel hidrorretentor e técnicas de mulching, como o uso de protetores de mudas ou palha, são técnicas comumente utilizadas. Todas elas visam proteger as mudas, seja acomodando-as, reduzindo a radiação e/ou ajudando na retenção de água, garantindo assim o estabelecimento.

O viveiro de espera tem um papel fundamental nos plantios, pois garantirá que as mudas se manterão em condições semelhantes à do fornecedor, caso ocorra algum problema. Seja o espaçamento de mudas na tela, a irrigação, a poda de raízes pelo ar e a plena insolação para manter a rustificação, esta estrutura simples garante que as mudas fiquem bem em casos de adiamento ou paralisação do plantio em função de veranicos.

Dessa forma, é possível manter as mudas por muito tempo com qualidade em casos de intempéries.

Dicas importantes

As irrigações têm o objetivo de hidratar as mudas e ajudar a amenizar o calor ao redor delas. Quanto ao gel hidroretentor, existem vários tipos, sendo os mais comuns e utilizados o HyB para plantio na cova e o HB10 para irrigação. O gel permite que a muda fique hidratada por mais tempo do que utilizando uma irrigação normal, o que é vantajoso, pois grande parte do custo da irrigação vem da mão da obra.

Essa matéria completa você encontra na edição de maio/junho 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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