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quinta-feira, julho 7, 2022
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Polímeros otimizam uniformidade no plantio?

Autor

Ronaldo Machado Junior
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutorando em Genética e Melhoramento – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
ronaldo.juniior@ufv.br
Maycon Silva Martins
Graduando em Agronomia – UFV
maycon.martins@ufv.br  
Ariadne Morbeck Santos Oliveira
Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
ariadne.oliveira@ufv.br
Herika Paula Pessoa
Engenheira agrônoma, mestra e doutoranda em Fitotecnia – UFV
herika.paula@ufv.br
Fotos: Saulo Fantini

O recobrimento de sementes com polímeros é uma técnica adaptada das indústrias farmacêuticas e tem como objetivo melhorar a aderência do tratamento químico nas sementes, possibilitar a redução das dosagens dos produtos e em conjunto com a peletização alterar o formato e tamanho de sementes, melhorando a sua plantabilidade. O principal benefício da sua utilização é favorecer o microambiente para germinação, desenvolvimento das plântulas e facilidade para o plantio.

A técnica consiste em revestir a semente com uma fina camada de material inerte, adesivo, permeável à água, a fim de não comprometer a embebição e, consequentemente, a germinação da semente. Além disso, deve ser aplicado em quantidade precisa e com impacto mínimo sobre o meio ambiente.

O recobrimento com o uso de polímeros pode ser associado ao tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas, permitindo a distribuição precisa e melhor adesão dos ingredientes ativos na sua superfície, tudo isso para garantir a melhoria dos atributos físicos, fisiológicos e sanitários das sementes.

Culturas beneficiadas

Sua utilização se dá tanto em sementes “grandes”, como soja, milho, amendoim e algodão, quanto em sementes pequenas, como hortaliças, forrageiras, ornamentais e florestais, sendo nestas a sua principal aplicação.

Culturas com sementes pequenas, leves, ásperas ou de formato irregular, tendem a apresentar desuniformidade no estande, devido a falhas na semeadura ou ao uso excessivo de sementes. Isso pode resultar na elevação dos custos de produção com operações adicionais, tais como o desbaste de mudas ou o replantio, a fim de o produtor ajustar o estande recomendado para a cultura. Assim, o recobrimento de sementes é uma técnica que pode sanar o problema de plantio destas espécies de difícil individualização e distribuição na semeadura.

Opções

Considerada uma das técnicas promissoras de tratamento no pré-plantio, o recobrimento de sementes apresenta diferentes tipos: peliculização – aplicação de filme plástico nas sementes, sem modificação do seu tamanho e formato; incrustadas – camada mais densa sobre as sementes com massa e tamanho modificado, mantendo seu formato original; e peletizada – tem como referência a aplicação de materiais sólidos com propósito de modificação das caraterísticas físicas das sementes, aumentando o tamanho, massa e garantindo formato esférico.

As sementes revestidas podem ser distribuídas com maior precisão e uniformidade, permitindo que cada semente seja colocada no espaçamento correto e em quantidade controlada. Isso ocorre pela associação de polímeros com tecnologias de peletização, o que possibilita a padronização do tamanho, diâmetro da semente e seu aumento de peso.

Dessa forma, a precisão na semeadura proporciona economia no uso de insumos, característica importante quando se utilizam sementes híbridas de alto custo, sendo a semente o insumo que permite levar todo o potencial genético obtido por programas de melhoramento para as mãos do produtor.

Sementes peletizadas e incrustadas, quando não associadas ao recobrimento com polímeros, ficam sujeitas à intensa liberação de partículas durante a semeadura, devido à baixa ação adesiva desses materiais, além de permitir interações indesejáveis que diminuem a eficiência do tratamento.

Para controlar a poeira e limitar a exposição a partículas de poeira para operadores, produtores e organismos não-alvo, os ingredientes ativos são aplicados em uma camada de filme diretamente na semente. Neste sentido, os polímeros, por terem características cimentantes e inertes, reduzem a liberação de partículas na semeadura mecânica e garantem que cada produto incorporado (inseticida, fungicida, nematicida, inoculante, hormônios ou micronutrientes) tenham sua eficiência preservada.

Entre as vantagens do uso de polímeros estão: possibilidade de incorporar nutrientes, inoculantes, reguladores de crescimento e outros agroquímicos; maior eficiência dos produtos fitossanitários aderidos a semente; melhoria da plantabilidade, permitindo a semeadura mecanizada; redução dos custos com sementes, devido à facilitação da semeadura; diminuição da prática de desbaste; proteção contra danos mecânicos; melhoria na visualização das sementes no solo e substrato; formação de microclima ao redor das sementes, redução do risco de intoxicação ao manusear a semente.

Resultados práticos em campo

O uso de polímeros, associado ao tratamento de sementes, permite melhor adesão e fixação dos produtos à semente, favorecendo o desenvolvimento da plântula na fase inicial e protegendo a mesma do ataque de pragas e fungos. Alguns trabalhos comprovam que a inclusão de polímeros no recobrimento de sementes com fungicida, inseticida e nematicida auxilia na redução do desprendimento de partículas, com valores entre 64,1 e 90,3%, quando comparados às sementes não recobertas com polímeros.

O acréscimo da produtividade pelo uso de sementes revestidas é devido à soma de todos esses benefícios, sendo a uniformidade da emergência uma característica extremamente importante para o manejo, influenciando toda a condução da cultura durante seu ciclo.

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