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quinta-feira, janeiro 20, 2022
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Posicionamento do Brasil na produção de inhame

Inhame – Foto: arquivo

O cultivo do inhame faz parte de um mix de hortigranjeiros produzidos quase que exclusivamente pela agricultura familiar. Assim, os desafios inerentes a este sistema de cultivo são: dificuldade no vencimento das barreiras comerciais, distribuição limitada pela geografia, demanda continuada de subsídios governamentais, capacitação técnica ineficiente e inserção de técnicas e tecnologias que ampliem a produção, produtividade e qualidade comercial para esta cultura.
Em função deste cenário, a exportação do inhame é muito baixa, sendo que este canal é voltado basicamente para subprodutos medicinais e aromáticos, principalmente para o mercado Europeu e da América do Norte.

Produtividade no Brasil e no mundo

Em 2012, a FAO estimou que a área total produzida no mundo é de, aproximadamente, 59 milhões de ha, com uma produção de 60 milhões toneladas, sendo que a Nigéria é o principal produtor, com 65% de toda a produção mundial.
Neste mesmo contexto, a FAO estima que o Brasil possua 26.000 ha, cuja produção seja de, aproximadamente, 250 mil toneladas de inhame. Ressalta-se ainda que a produtividade do inhame no Brasil é próxima à obtida no mundo, que é de aproximadamente 14 t ha-1.

Regiões produtoras no Brasil

A região nordeste concentra mais que 70% da produção do inhame brasileiro, sendo o principal produtor o Estado da Bahia, seguido por Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe. Vale ressaltar que a cadeia produtiva do inhame no Nordeste é extremamente promissora, gerando renda e prosperidade aos produtores de base familiar.
Em específico, na Bahia cultiva-se inhame em área total de 1.200 ha, com produção girando em torno de 20.000 toneladas e produtividade de 16,7 t ha-1. Ressalta-se, ainda, que a comercialização é por venda a intermediários e ao consumidor final, com foco na alimentação humana em substituição à mandioca e à batata.

Preços

É interessante destacar a variabilidade de preços nas diversas regiões do brasil (dados obtidos na Ceagesp e Ceasas). Por exemplo, o inhame comercializado na BA, CE, ES e MA teve preço médio de R$ 6,00/kg em janeiro de 2021 e, por outro lado, no RJ, este produto é comercializado na Ceasa-RJ pelo valor de R$ 2,50 a R$ 3,60/kg, dependendo de sua classificação, sendo estes preços similares aos praticados na Ceagesp.
Um dado importante a ser destacado é a variabilidade do preço do inhame em MG, sendo este de R$ 6,00/kg em Uberlândia, R$ 2,75 em Governador Valadares e R$ 2,89 em BH.
A variação de preços está diretamente relacionada à classificação adotada para este legume, que pode ser de 1ª, 2ª e 3ª categoria. Segundo a Emater-RO, o inhame de primeira categoria é comercializado por preço mais elevado, o de segunda categoria por um preço menor e o de terceira categoria é destinado à venda para a produção de mudas.
A análise segmentada destes valores é importante para a gestão da produção e garantia de lucros, uma vez que é uma cultura tipicamente oriunda da agricultura familiar. Assim, torna-se evidente a importância desta cultura para o desenvolvimento local e regional dos Estados nordestinos, por ser este um produto valorizado regionalmente.

Taxa de crescimento anual da cultura

Estima-se uma taxa de crescimento entre 5% a 8% anualmente, principalmente no Nordeste, porém, ressaltamos que esta taxa está intimamente ligada a melhorias nas condições de produção desta cultura, além dos aspectos agronômicos que favorecem a garantia de qualidade no pós-colheita, viabilizando ganhos em função da redução de perdas, que podem chegar a 25% entre a saída do produto da lavoura e a chegada ao consumidor final.

Sazonalidade

A oferta de inhame é praticamente anual, dada a característica de rusticidade da cultura. Entretanto, nos meses de dezembro e janeiro há uma entressafra na oferta do produto, de acordo com a Ceagesp. Esta fase se dá pela renovação da cultura nas regiões produtivas, no nordeste, principalmente.

Custo de produção e rentabilidade

De acordo com a Emater (RO), a aquisição de mudas, a adubação, o controle fitossanitário e a mão de obra correspondem aos principais custos de produção, perfazendo: 30%, 18%, 6% e 20%, respectivamente, de todo o custo de produção.
O custo do inhame produzido em Rondônia, no ano de 2019, foi calculado, para um hectare, com produção de 20 t ha-1, comercializado a R$ 1,60, com receita bruta de R$ 32.000,00 e custos de, aproximadamente, R$ 12.000,00, assim gerando uma rentabilidade de R$ 20.000,00/ha

Balanço geral da cultura em 2020

O inhame é uma cultura que tem alto potencial de crescimento, principalmente para a exportação, considerando o seu aspecto medicinal. É uma espécie que se destaca por seu conteúdo de vitaminas A, B, C e como fonte de proteínas, associada a fontes de carboidrato amido, além de ser rica em P, Ca e de Fe, que auxiliam demasiadamente na diversidade da dieta das populações mais carentes; público este atendido pelas principais áreas de produção e por ser uma cultura de base na produção do mix de hortaliças da agricultura familiar.

Tendência para 2021

Constatadas as elevadas perdas devido ao ataque de pragas e doenças e reduzida qualidade em pós-colheita, em função das ineficientes condições de armazenamento e transporte, uma tendência é a melhoria do sistema produtivo em suas diversas fases.
Outra tendência está associada ao crescimento do uso do inhame como ingrediente na alta gastronomia, a partir de pratos com purês, farinhas, além da substituição da batata e mandioca, com a produção de salada de maionese, caldos, sopas, cremes, escondidinhos e bolos. Existem, hoje, receitas de inhame para iogurte, sorvete, suco, pão, bolos, nhoque, panqueca, quibe, bobó, dentre outros.
E, por último, mas não menos importante, tem-se a vertente medicinal, a qual referencia o inhame às seguintes propriedades terapêuticas: conversão hormonal no organismo, com prevenção de doenças reprodutivas e gástricas (como gastrite e úlceras), melhora na imunidade e redução do colesterol e da hipertensão, dada a ação da diosgenina, princípio ativo presente no inhame.

Autoria:
Elisamara Caldeira do Nascimento
Talita de Santana Matos
Doutoras em Agronomia – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Glaucio da Cruz Genuncio
Professor adjunto – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) – glauciogenuncio@gmail.com

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