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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Potássio e aminoácidos melhoram classificação da cebola

Fabrício Custódio de Moura GonçalvesDoutor em Agronomia/Horticultura – UNESP, FCA, Botucatu (SP)fabricio-moura-07@hotmail.com

Elizabeth Orika Onoelizabeth.o.ono@unesp.br

João Domingos Rodrigues joao.domingos@unesp.br

Doutores e professores – UNESP

Cebola – Crédito: Shutterstock

Os bulbos de cebola (Allium cepa) são consumidos pelo seu sabor, aroma e valor nutricional na dieta humana, principalmente pelas propriedades médicas importantes, prevenindo o envelhecimento e atuando no tratamento de doenças cardiovasculares, obesidade, colesterol, hipertensão, catarata e distúrbios do sistema digestivo. Essas propriedades nutricionais e medicas da cebola são influenciadas por fatores genéticos, condições ambientais e de manejo.

Estimam-se mais de 100 mil produtores envolvidos com a exploração de cebola, gerando mais de 250 mil empregos diretos só no setor da produção. Face à diversidade climática das diversas regiões do país, a cultura da cebola é desenvolvida ao longo de todos os meses do ano, com maior ou menor intensidade, dependendo do estado produtor.

Os principais Estados produtores, em ordem decrescente de volume produzido são Santa Catarina, São Paulo, Bahia/Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

As altas produtividades de cebolas alcançadas em âmbito nacional podem ser atribuídas à soma de diferentes fatores: utilização de híbridos de cebola bem adaptados às condições climáticas regionais; calagem e adubação calculadas conforme a análise de solo; avanços nos sistemas de irrigação; novas técnicas de manejo do solo, com destaque para o Sistema de Plantio Direto (SPD) e outras práticas conservacionistas, além de pesquisa agronômica e assistência técnica intensiva realizada por cooperativas, empresas privadas e órgãos oficiais.

Qualidade

Para estar em destaque na produção nacional e mundial, os produtores brasileiros de cebola precisam estar atentos aos fatores que determinam a qualidade desta hortaliça, que é classificada de acordo com o diâmetro do seu bulbo. O tamanho de classe 3 (calibre 50 a 70 mm) é considerado preferência nacional e possui o maior preço de comercialização no mercado.

Os solos brasileiros são naturalmente pobres de potássio (K), em função de perdas por lixiviação e erosão, por exemplo, sendo necessário repor de forma adequada para que a cultura consiga completar seu ciclo e garantir bons resultados ao produtor. O K é um macronutriente de alta necessidade para a cebola. Sabe-se que a necessidade de K para um ótimo crescimento é de cerca de 40 g/kg de matéria seca da parte vegetativa.

Além de adubações de solo com fontes de K, uma suplementação foliar com altas concentrações desse elemento terá grandes resultados. Se ele for pulverizado no momento correto (enchimento de bulbo), ele ativará sínteses proteicas, refletindo no acúmulo de matéria seca, tornando a cebola mais resistente aos estresses hídrico e térmico, pois haverá controle da abertura e fechamento de estômatos.

Aliado a essas funções desempenhadas pelo K está o uso de aminoácidos, com o intuito de fornecer energia para a cebola, aumentando seu metabolismo e promovendo um carreamento maior de fotoassimilados para o bulbo, o que ocasiona elevadas produtividades.

Manejo

O ideal é fazer à aplicação dessas soluções contendo potássio (K) e aminoácidos no momento de ‘deitamento’ da folha. Além de proteger a cebola de estresses fisiológicos, podemos ainda visualizar plantas com benefícios como uniformidade na maturação e estimulo a translocação de carboidratos para o bulbo, desenvolvendo assim, um melhor valor agregado ao produto.

A aplicação de K deve estar em sintonia em especial com os demais cátions, no intuito de permitir o fornecimento adequado de todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas e estabelecimento do estande desejado.

Já os aminoácidos são elementos orgânicos que quando aplicados no momento do enchimento do bulbo promovem a intensificação de fotoassimilados da folha. Isso irá impactar diretamente no peso, tamanho e aspectos essenciais para uma melhor classificação, e, consequentemente, uma boa comercialização da cebola. 

Em campo

A produtividade da cebola é junção de uma série de fatores que contribuem para que cultura possa expressar todo seu potencial e, por conta disso, é preciso levar em conta esses fatores, que vão desde a escolha da cultivar, condições adequadas de luz e temperatura, irrigação e aspectos relacionados à nutrição de plantas. Todos esses parâmetros, que devem ser muito bem planejados, refletem em todo o ciclo da cultura, desde a duração da fase vegetativa até a formação dos bulbos.

De maneira simplista, a influência do potássio (K) no enchimento de bulbos da cebola se dá, especialmente, pela regulação osmótica, aumento da disponibilidade desse nutriente durante a fase de enchimento de bulbo, que, significa promover melhor entrada de água e fotoassimilados e, por consequência, reflete em melhorias no enchimento de bulbos.

Os possíveis incrementos significativos em produtividade e qualidade com a adição de K, isolado ou em combinação com aminoácidos, está relacionado à gama de funções relacionadas, sobretudo ao nutriente, como: regulação de turgescência, metabolismo primário, alongamento celular, osmorregulação, ativação enzimática, transporte de solutos a longa distância, equilíbrio entre cátions e aníons, regulação citoplasmática do pH, síntese de proteínas e amido e, ainda, papel proeminente na resistência à seca, salinidade e alta luz ou frio.

Outro ponto observado é que, quando atrelado a fontes de aminoácidos, também podem ocorrer aumentos de produtividade, uma vez que, o aumento no fornecimento de energia melhora a capacidade do carreamento de fotoassimilados. A função do aminoácido nessa equação é melhorar a capacidade da planta em absorver o nutriente potássio para que, assim, ele consiga realizar suas funções.

O uso de aminoácidos já foi relatado em diversas culturas, causando melhorias como, por exemplo, aumento no número de sacas por hectare de soja, quando utilizados no tratamento de semente.

Na cebola não é diferente, a tecnologia também tem resultados, visto que os aminoácidos, de maneira geral, vão melhorar a absorção, transporte e assimilação de K pelas plantas. Sendo assim, além de melhorar a ação do nutriente na planta, os aminoácidos vão trabalhar na redução de perdas, uma vez que potencializam a absorção.

Resultados de campo revelam aumentos na produção da caixa tipo 3 em 35% ao realizar manejo nutricional com K e aminoácidos. Isso refletiu em melhoria em nossa produção e qualidade. A adoção dessa tecnologia em uma área de 30 hectares, resulta em uma produtividade média de 85 toneladas/ha.

Erros e acertos

A aplicação de qualquer nutriente de plantas deve ser mediante a análise prévia de solo, correlacionada com a necessidade da cultura, levando em consideração o número de aplicações e pacote tecnológico do produtor. As necessidades de potássio (K) na cultura da cebola são relativamente altas.

No entanto, a adubação com K2O na cultura de cebola revela que o produtor não vai obter respostas esperadas quando a quantidade de fertilizante for insuficiente ou exagerada, ou quando a aplicação for numa fase não responsiva da cultura.

No que diz respeito aos erros com a utilização de adubação foliar em substituição à de base (no caso da cebola, devemos ter um solo com, no mínimo, 5% da Capacidade de Troca de Cátions (CTC) saturados com K). Nesse contexto, as aplicações foliares de K precisam ser voltadas às suplementações pontuais e ao ativador metabólico.

Deve-se destacar que o K, apresenta características de cátion monovalente, apresenta elevadas perdas por lixiviação nos latossolos. A lixiviação do K, além de reduzir o lucro do produtor, acarreta contaminação dos lençóis freáticos.

Se a taxa de aplicação de K for excedida ou não sincronizada com a demanda da cultura, em uma determinada dose o rendimento cai, pois o nutriente passa a ser muito excessivo e a eficiência de utilização diminuiu, aumentando os riscos de lixiviação de K. Relatos demonstram que 50% do fertilizante com K aplicado podem ser lixiviados abaixo de 0,6 m no perfil do solo, profundidade superior a capacidade de absorção pelo sistema radicular da cebola.

Por isso, pulverizações foliares com fontes de K, em complementação a adubações de solo, tem se mostrado compensatórias, no entanto devem ocorrer pouco antes do enchimento dos bulbos, período de máxima demanda. A grande demanda de K, em especial na bulbificação, se relaciona à redução do potencial osmótico, favorecendo a entrada de água e de fotoassimilados, contribuindo para o enchimento dos bulbos.

Já em relação aos aminoácidos são fontes de proteínas e os vegetais têm a capacidade de produzi-los. Portanto, a maior resposta em produtividade é o uso de produtos com a capacidade de induzir a planta à produção de aminoácidos essenciais à sua síntese de proteínas, ao invés de fornecer aminoácidos específicos que podem não ser aproveitados pela cebola.

De maneira em geral, aplicações com soluções contendo K e aminoácidos deve consultar um engenheiro agrônomo para garantir que as doses sejam efetivas e, no caso da época de aplicação, deve levar em função o momento de maior extração do elemento K pela cultura, sendo este momento a partir de 85 dias até 145 dias.

Investimento x retorno

Os fertilizantes, de forma geral, encarecem os custos de produção, no entanto, é necessário atender as condições da cultura de interesse para que seja possível externar de forma eficiente a produtividade de forma sustentável.

Diante disso, faz-se preciso estar atento ao mercado e às formas de inovação disponíveis. A aplicação de fontes de aminoácidos, tem sido estimulada, sendo uma alternativa interessante para o desenvolvimento de culturas de alto valor nutricional, como a cebola.

Os efeitos do K na cebola são largamente discutidos, em função de sua importância. No entanto, uma nova forma de aplicação está sendo estudada e mostrando resultados em diversos pontos do País.

A nova forma estudada consiste em aplicar, durante o período de enchimento do bulbo, uma fonte altamente concentrada de K por meio de pulverização foliar, que vai resultar em ativação de sínteses proteicas, refletindo em acúmulo de matéria seca e peso do bulbo. Aliado ao K está o uso de aminoácidos, com o intuito de fornecer energia para a cebola, aumentando seu metabolismo e promovendo um carreamento maior de fotoassimilados para o bulbo, o que ocasiona elevadas produtividades.

É preciso ressaltar que as pesquisas realizadas hoje em dia com cebola e o complexo K + aminoácidos vem demonstrando que os benefícios não param por aí. Existem relatos de que o uso de aminoácidos promove o crescimento de plantas mesmo em condições de estresse.

O custo-benefício da aplicação do complexo K + aminoácidos irá refletir em diversos níveis da produção, por exemplo, na utilização de insumos, uma vez que será reduzida a perda de K, ou seja, aumento da eficiência de utilização do nutriente e a nível de produção, visto o maior peso dos bulbos que irá causar satisfação, tanto ao produtor quanto ao consumidor final.

A aplicação de aminoácidos também tem sido ligada à tolerância de plantas e estabilização das membranas celulares, além da indução de resistência contra agentes abióticos e bióticos. Na vertente econômica, é uma opção viável, pois, aumenta a eficiência de utilização através da diminuição de perdas por erosão e lixiviação, além de representar uma vertente ambiental muito importante na agricultura moderna.      

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