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Potencial do cultivo de milho doce no Brasil

Jose Luis Ramírez Ascheri

Pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos

jose.ascheri@embrapa.br

Israel Alexandre Pereira Filho

José Carlos Cruz

Rodrigo Veras da Costa

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo

 

Crédito Predilecta

O milho doce (Zeamays L.) é classificado como especial e destina-se exclusivamente ao consumo humano. É utilizado principalmente como Zeamays L. tanto “in natura“ como para processamento pelas indústrias de produtos vegetais em conserva.

É um tipo de milho cujo ciclo da lavoura varia de acordo com a cultivar e a época de plantio utilizadas. De modo geral, a espiga para milho verde pode ser colhida em torno de 90 dias após a germinação, nos plantios de verão, e 120 dias nos plantios de inverno.

No Brasil, o milho doce é uma hortaliça voltada para o processamento industrial, sendo ainda pouco difundido para o consumo “in natura“ pelo restrito número de cultivares adaptadas ao clima tropical.

Este cereal é muito popular nos Estados Unidos e no Canadá, onde é tradicionalmente consumido “in natura“.

 

Não confunda

No Brasil, o milho doce é uma hortaliça voltada para o processamento industrial – Crédito Shutterstock

A principal diferença entre o milho doce e o convencional é a presença de alelos mutantes que bloqueiam a conversão de açúcares em amido, no endosperma, conferindo o caráter doce, tornando o milho doce enrugado e translúcido, quando seco.

As características exigidas pelo mercado consumidor de milho doce diferenciam-se das do milho verde comum. A indústria tem preferência por cultivares que possuem maior teor de açúcar e menor teor de amido, além de maturação, tamanho e formato de espigas uniforme.

A textura e a espessura do pericarpo do grão também são fatores de qualidade do milho verde, os quais estão diretamente associados à aceitação do produto pelos consumidores.

 

Origem

As regiões que mais produzem milho doce no mundo são o meio norte dos Estados Unidos e o Sul do Canadá – Crédito Predilecta

O caráter doce no milho deve-se a uma mutação que, quando presente, resulta no bloqueio da conversão de açúcares em amido no endosperma. Para efeito prático, pode-se dividir o material em dois grupos: superdoce (contendo o gene brittle) e doce (contendo o gene sugary).

É improvável que o milho doce tenha ocorrido na natureza como uma raça selvagem, similarmente aos outros tipos de milho. Ele pode ser considerado como produto de mutação seguida de domesticação, pois uma nova fonte de açúcar provavelmente não seria ignorada pelas tribos indígenas de várias regiões da América do Sul, que passaram a utilizar o milho doce como fonte de açúcar.

O milho doce é um produto de alto valor nutritivo e de características próprias, com sabor adocicado, pericarpo fino e endosperma com textura delicada. No estádio de milho verde, é indicado para o consumo humano.

As características exigidas pelo mercado consumidor de milho doce e superdoce diferenciam-se das do milho verde comum, especialmente quanto ao teor de açúcar. A indústria tem preferência por maior teor de açúcar e menor teor de amido, o que também é desejado para consumo in natura.

A característica “maior teor de açúcar“ inviabiliza o processamento de alguns pratos, como o cural e a pamonha, por exemplo, por causa do teor de amido. O milho comum tem em torno de 3% de açúcar e entre 60 e 70% de amido, enquanto o milho doce tem de 9,0 a 14% de açúcar e de 30 a 35% de amido e o superdoce tem em torno de 25% de açúcar e de 15 a 25% de amido.

As regiões que mais produzem milho doce no mundo são o meio norte dos Estados Unidos e o Sul do Canadá. A maior parte do milho verde consumido no EUA é do tipo doce.

No Brasil,essa produção está concentrada nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Pernambuco, sendo consumido basicamente sob a forma de milho verde enlatado. Um mercado muito promissor para o milho doce é na forma de milho cozido em espigas, em regiões onde o milho verde normal já é consumido em larga escala, como nos grandes centros e em cidades litorâneas.

 

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de dezembro  de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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