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quinta-feira, abril 18, 2024
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Potencial do mercado de guanandi

O guanandi, nativo do Brasil, é uma espécie com usos múltiplos, produzido em madeira de excelente qualidade, muito apreciado no mercado e constitui excelente alternativa ao cultivo do mogno e do cedro rosa.

José Geraldo Mageste
Engenheiro florestal, Ph.D e professor – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
jgmageste@ufu.br

João Flávio da Silva
Engenheiro florestal, PhD e pesquisador – Eldorado Brasil
joaosilva@eldoradobrasil.com.br

O Guanandi (Calophyllum brasiliense var. antillanum (Britt.) Standl) pertence à família Calophyllaceae. A árvore ocorre e desenvolve satisfatoriamente em toda região neotropical, do México até o Estado de Santa Catarina, no Brasil.

A maior atratividade do guanandi para projetos de sequestro de carbono está na sua densidade em torno de 0,62 gr/cm3

É encontrada nos biomas brasileiros Amazônia (brejos e campos alagados), Cerrado (cerradão até campo sujo) e Mata Atlântica (florestas estacionais semidecíduas e ombrófilas densas atlânticas).

Adapta-se a solos onde outras espécies encontram dificuldade, mesmo de baixa fertilidade natural, pedregosos, rasos ou sujeitos a inundações. Trata-se de uma espécie com tamanha capacidade germinativa que é a única árvore de madeira de qualidade do mundo capaz de crescer embaixo d´água e também uma das poucas que consegue conviver com o cactus em clima desértico.

Um fruto de guanandi pode atravessar, boiando, o Atlântico, a partir da costa brasileira, e sua semente é capaz de germinar, após isso, em solo africano.

Em prol da humanidade

A maior atratividade do guanandi para projetos de sequestro de carbono está na sua densidade em torno de 0,62 gr/cm3, superior a muitas espécies nacionais, o que significa grande quantidade de carbono em menor volume de madeira. 

Junto a esta característica estão os vários usos da madeira, como o seu apelido de pau balsa ou jacareúva. Trata-se de madeira resistente à flexão (usada para mastro nos barcos) e fácil de ser trabalhada.

Rentabilidade  

É preciso recordar que o sequestro de carbono é a retirada do CO2 (ou outros gases de efeito estufa) da atmosfera e fixação num composto de como celulose ou hemicelulose.

Conceitualmente, este carbono deve estar fixado pelo menos por 50 anos. Então, de nada adianta fixar o carbono agora e no próximo ano, usar esta madeira para lenha, por exemplo. 

O carbono pode ser fixado na madeira ou no solo (em diferentes profundidades). Como quase sempre o uso da madeira do guanandi é preferido para móveis, para barcos ou sendo conservado por muito tempo, é de se pensar que ela deve ser valorizada nos processos de sequestro de carbono.

Imagine, por exemplo, esta madeira sendo usada em portas dos interiores dos navios e embarcações. Quanto tempo levará para este carbono retornar à atmosfera?

Por outro lado, é considerada uma espécie de crescimento rápido. Assim, grandes volumes de CO2 serão rapidamente fixados. Fixação rápida significa maior retirada de CO2 da atmosfera em curto espaço de tempo.

Pesquisas

Especificamente para estes tipos de projetos, ainda existem poucos estudos. O objetivo geral está em quantificar o carbono fixado nos mais diversos climas. Como se trata de planta de boa adaptação a solos encharcados ou úmidos (até nos mangues), mas com boa drenagem, ela se torna uma planta de bom retorno para estas condições. Por outro lado, possui demanda comercial de grande intensidade.

Comercialização do carbono

A BM&F recebe demandas constantes dos mais diversos tipos de projetos para comercialização de carbono. Existem algumas espécies florestais que têm características próprias de produção e uso que demonstram o carbono fixado dentro dos critérios, como descrito anteriormente. 

Interessante é o proponente de venda realçar a utilização da madeira de maneira que o carbono fixado não retornará para a atmosfera rapidamente. Não se pode, por exemplo, enviar a madeira para produção de energia onde será queimada e todo o Carbono retornará a atmosfera em curto espaço de tempo (por exemplo, menos de 50 anos).

Recentemente, o governo brasileiro sistematizou o processo de projetos que podem comercializar carbono com envolvimento público. Infelizmente, o agronegócio optou por ficar fora de tais projetos.

Uma consulta mais detalhada no modelo brasileiro para sequestro de carbono indicará detalhadamente os procedimentos a serem seguidos para este tipo de comercialização.

O mercado de carbono é comum a todas espécies florestais. O maior diferencial é que se trata de uma espécie que terá carbono fixado pelo menos por 50 anos, tendo em vista o seu uso na movelaria ou na construção de barcos.

Sem regras

Não existem requisitos específicos ou certificações necessárias para que os produtores possam participar desses projetos com o guanandi. A exemplo de outras espécies nativas do Brasil, aconselha-se o registro dos projetos de plantio nos órgãos ambientais fiscalizadores.

Isto deixa o silvicultor à vontade para realizar desbastes, por exemplo. O desbaste é necessário para uma antecipação das receitas. Quando as árvores atingirem uma altura de 11 a 12 metros, podem ser retirados os indivíduos de menor altura para se evitar a competitividade por luz.

Os indivíduos dominantes terão melhor desenvolvimento e maior crescimento em diâmetro, principalmente. Os indivíduos retirados poderão ser usados para mastro de barcos e usos nobres.

Você sabia?

– As sementes do guanandi são comestíveis e possuem propriedades medicinais.

– A casca é muito utilizada na medicina popular como anti-inflamatório, cicatrizante e analgésico.

– Além disso, seu óleo é utilizado como repelente de insetos.

– A árvore, ornamental, é usada no paisagismo urbano.

– Os frutos são consumidos por várias espécies da fauna.

– No campo medicinal, o látex da casca é usado na medicina popular sob o nome bálsamo de landim contra úlceras do gado. Sua casca e folhas começam a ser testadas para doenças como reumatismo. Ao bálsamo de landim (óleo de maria nos países hispânicos) é atribuída uma série de usos medicinais, sendo o efeito cicatrizante o mais conhecido. Pesquisas apontam o efeito de componentes de suas folhas contra o HIV, vírus da AIDS.

Potencial de mercado

O guanandi possui um enorme potencial de mercado, haja vista a quase inexistência de plantios homogêneos. Existem muitos plantios em áreas úmidas não inundadas no cerrado mineiro, principalmente nas proximidades da capital.

O uso nobre da madeira, principalmente para movelaria fina, com uma cor natural e uma densidade em torno de 0,62/cm3, coloca esta espécie no topo para retornos financeiros.

O maior desafio está em desenvolver toda silvicultura para esta espécie. Ainda não se domina, por exemplo, qual será o melhor espaçamento de plantio, as adubações necessárias para implantação e para manutenção.

Há necessidade de melhoramento genético para diferenciação de materiais. Em termos internacionais, tem-se observado um aumento considerável de demanda, difícil de ser atendido.

Esta é uma espécie de cultivo em locais com boa disponibilidade de água no solo, uma limitação para muitas áreas do Brasil.

Custo produtivo e rentabilidade

Considerando um projeto na região do Triângulo Mineiro, o custo de produção está na média de R$ 4.800,00/ha.

Para plantios florestais, o investimento inicial que corresponde ao preparo do solo, plantio e manutenção no primeiro ano, chega a ser mais de 27% do custo total por hectare.

Quanto à rentabilidade, o preço médio da madeira está em torno de R$ 2.000,00/m3, com a produtividade de 250 m³/ha. Lembrando que é possível fazer colheitas parciais a partir do quinto ano, para retirar os indivíduos menores. Assim, retira-se 20% do volume, depois mais 20%, restando, para o final, 30% dos indivíduos.

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