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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Pragas que causam prejuízos aos produtores de physalis

Franscinely Aparecida de AssisDoutora em Entomologia e professora – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)franscinelyassis@unicerrado.edu.br

Vanessa AndalóDoutora em Entomologia e professora – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)vanessaandalo@ufu.br

Phisalis – Crédito: freepik

A physalis é uma frutífera exótica que pertence à família Solanaceae. Encontra-se em franco desenvolvimento no País, por apresentar cultivo simples e elevado valor agregado dos frutos.

A ocorrência de pragas (insetos e ácaros fitófagos) se configura como fator complicador no alcance de elevadas produtividades, uma vez que não se tem estabelecido os níveis de controle para esses artrópodes-praga, bem como o registro de produtos fitossanitários autorizados para uso, o que faz com que a adoção do controle cultural e biológico, aliado a estratégias alternativas, como pulverização de caldas, sejam importantes mecanismos para reduzir a densidade populacional dessas pragas na cultura.

Pulga-do-fumo

A espécie Epitrix spp. é um besouro. Os adultos causam pequenos orifícios e perfurações foliares em qualquer estágio da physalis, principalmente após o transplantio das mudas, provocando retardo do desenvolvimento normal desta frutífera.

Para orientar a pulga-do-fumo em direção contrária às plantas de physalis, pode-se fazer a utilização da calda bordalesa que apresenta efeito repelente para muitos coleópteros, além de atuar como fungicida (Pallini Filho e Lédo, 2000).

Mandarová-do-fumo

Em physalis, a fase jovem de M. sexta paphus alimenta-se exclusivamente das folhas da planta. Para controle das lagartas pequenas, pode-se realizar a pulverização com produtos à base da bactéria Bacillus thuringiensis.

Percevejo Edessa rufomarginata

Em physalis, a espécie E. rufomarginata se alimenta em todo ciclo da cultura, causando danos pela sucção da seiva dos ramos, acarretando amarelecimento das plantas e possível engrossamento do caule. Quando nas folhas, ocorre necrose do tecido foliar de forma transversal. Não é observada alimentação do percevejo nos frutos.

Quanto ao controle, deve-se levar em consideração o manejo da cultura a fim de reduzir as populações do inseto por meio, por exemplo, do controle biológico natural. Existem registros de ocorrência natural de inimigos naturais de E. rufomarginata, tanto associados à predação como ao parasitismo, podendo-se destacar dípteros e himenópteros.

No Brasil, existem relatos de parasitismo de dípteros tachinídeos e também de parasitoides como Telenomus edessae, T. schrottkyi e Dissolcus paraguayensis (Hymenoptera: Scelionidae).

Percevejo-do-tomateiro Phthia picta

São percevejos que ocorrem em todo ciclo de cultivo das plantas, sendo que elevadas temperaturas e baixa umidade do ar favorecem o desenvolvimento desta praga. Quando em physalis, observa-se que P. picta se alimenta preferencialmente dos frutos.

É possível observar as ninfas agregadas no cálice e os frutos ficando perfurados e deformados, em função da alimentação dos percevejos. Como consequência, o fruto fica com amadurecimento irregular e posteriormente apodrece. Além disso, os pontos de alimentação do percevejo facilitam a penetração de microrganismos que aceleram a deterioração do fruto.

As medidas alternativas de controle baseiam-se no uso de caldas inseticidas, como descrito na Ficha Agroecológica – Tecnologias Apropriadas para Agricultura Orgânica da Coordenação de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Dentre essas, pode-se citar o uso da calda preparada à base de pimenta-do-reino, álcool, alho e sabão neutro e da calda preparada com urtiga verde. Em função da polifagia de P. picta, deve-se selecionar com critério as culturas para rotação ou consorciação com physalis, devendo-se evitar solanáceas e cucurbitáceas. Amostragens frequentes nas áreas de cultivo devem ser empregadas a fim de auxiliar na redução da população da praga.

Cochonilha-branca ou cochonilha-farinhenta

A espécie P. citri podem ovipositar de 140 a 400 ovos depositados dentro de ovissacos.  Esses insetos sugam a seiva das plantas continuamente, eliminando o excesso na forma de honeydew, que atrai formigas.

A dispersão das cochonilhas na área de cultivo ocorre pela ação das formigas e também pelo vento, implementos agrícolas ou mudas infestadas. Em physalis, P. citri causa prejuízos pela sucção da seiva e por propiciar o desenvolvimento da fumagina, que reduz a área fotossintética e deprecia os frutos.  

Algumas caldas podem ser utilizadas a fim de auxiliar no controle do inseto, como calda preparada com sabão de coco ou sabão neutro, calda de fumo e pimenta malagueta, calda de semente de mostarda e calda sulfocálcica.

Os óleos mineral e vegetal também são relatados com ação sobre cochonilhas, podendo ser utilizados associados às outras caldas ou sozinhos, devendo levar em consideração as concentrações e o horário de aplicação para evitar problemas com fitotoxidez.

Cigarrinha-verde Empoasca sp.

As cigarrinhas permanecem na face abaxial das folhas, que ficam amareladas, encarquilhadas, com os bordos levemente curvados para baixo em função da alimentação do inseto. Também ocorre abortamento de flores e, em altas infestações, as folhas tornam-se necrosadas, iniciando da borda da folha para a parte central.

Devido à injeção de toxinas pelo inseto, ocorre redução na qualidade nutricional da planta, observando-se sintomas de fitotoxidez. Para se alimentar, Empoasca spp. introduz o estilete para succionar a seiva no floema da planta, acarretando hipertrofia e desorganização celular, com consequente obstrução de vasos condutores.

O monitoramento da cigarrinha-verde deve ser feito mediante o uso de armadilha adesiva amarela, a fim de evitar o aumento da população do inseto. A utilização do extrato aquoso de neem, obtido da planta Azadirachta indica, tem sido citado como auxiliar no controle da cigarrinha.

Artrópodes raspadores-sugadores

Ácaros fitófagos: ácaro-rajado Tetranychus urticae, ácaro-vermelho Tetranychus ludeni (Acari: Tetranychidae), ácaro-branco Polyphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae) e ácaro-do-bronzeamento (Aculops lycopersici) (Acari: Eriophyidae)

Os ácaros perfuram as células da epiderme vegetal e sugam o conteúdo extravasado, sendo a presença de Tetranychus spp. já relatada nas folhas de P. peruviana. A incidência de Tetranychus spp. em physalis pode causar manchas mais claras nas folhas, em função da alimentação da praga, com posterior queda na produção dos frutos.

Como opções de controle de T. urticae têm-se a liberação de ácaros predadores, tais como as espécies Phytoseiulus macropilis e Neoseiulus californicus (Acari: Phytoseiidae), disponíveis comercialmente, e a pulverização com fungo entomopatogênico Beauveria bassiana com calda sulfocálcica, por conter enxofre, ou a utilização de extrato de sementes de nim.

Já o ácaro-vermelho T. ludeni apresenta coloração esverdeada e avermelhada nas fases jovem e adulta, respectivamente. Produzem teia, embora em menor intensidade quando comparado à T. urticae.

O ataque de T. ludeni, relatado em cultivo de P. peruviana em Diamantina (MG), demonstrou que este ácaro pode ser encontrado na parte inferior da planta e na face abaxial da folha. A espécie T. ludeni causou lesões, provocando clorose nas folhas mais velhas da planta e intensa queda de folhas. Essas lesões podem levar à redução da área fotossintética, do crescimento vegetativo e da produção.

A presença de P. latus já foi relatada nas folhas de P. peruviana, sendo também responsável por provocar deformações das brotações. Sua presença pode ser detectada também em função do bronzeamento do pedúnculo e do cálice do fruto.

Em P. peruviana causam injúrias principalmente na fase produtiva, quando atacam o cálice que passa a apresentar coloração avermelhada e enrugamento, fato que afeta a qualidade da fruta. As altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar favorecem o desenvolvimento de A. lycopersici.

Assim, no inverno as populações deste ácaro são naturalmente reduzidas. Para redução da densidade populacional, tem-se o ácaro predador Euseius concordis (Acari: Phytoseiidae).  Para controle das espécies de ácaros citados, deve-se eliminar plantas daninhas e silvestres que podem ser hospedeiras desses ácaros, fazer rotação de culturas, destruição de restos culturais e também optar pelas caldas de pimenta-do-reino, alho e sabão, calda sulfocálcica (P. latus), extrato de folhas de cravo-de-defunto (Tagetes erecta L.) ou extrato de sementes de neem (P. latus e T. ludeni).

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