Precisamos usar mais (não menos) madeira de lei em grandes projetos

Além de serem os pulmões do planeta, as florestas são uma importante fonte de renda, de bem-estar, e de produtos renováveis.

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Crédito Divulgação

David Venables
Diretor do American Hardwood Export Council para a Europa

Designers e consumidores ainda são muito moderados no uso de qualquer madeira de lei devido às constantes divulgações relacionadas ao desmatamento tropical. Mas a realidade é que as florestas deste tipo de madeira, que podemos classificar como dura, resistente e de alto valor comercial, estão se expandindo na América do Norte e na Europa e não diminuindo, como muitos acreditam. O volume permanente de madeiras nas florestas americanas mais que dobrou nos últimos cinquenta anos, segundo estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, chegando a 310 milhões de hectares e abrangendo 8% do total de florestas do mundo.

Além de serem os pulmões do planeta, as florestas são uma importante fonte de renda, de bem-estar, e de produtos renováveis, o que colabora na manutenção saudável da economia global.

A sustentabilidade, para nós, não caracteriza-se apenas em cultivar mais árvores do que são extraídas, mas também a forma com que a madeira é tratada e utilizada. Designers e fabricantes têm a responsabilidade de usar esses materiais oriundos da madeira de forma eficiente e abraçar o que a natureza produz. É, portanto, encorajador ver que ficaram para trás os dias em que os móveis de madeira eram apenas linhas retas e sem cores vivas. Em vez disso, o aspecto rústico está agora em todos os ambientes, o que significa que podemos tiramos mais proveito de cada árvore.

Enquanto o mercado parece ter se concentrado nos últimos anos apenas em carvalho e nogueira, é hora de adotarmos mais espécies – não apenas do ponto de vista da sustentabilidade, mas também de oferecer mais opções de cores, características e padrões para entusiasmar os designers e os consumidores. A madeira e seus derivados não perdem ao oferecer alternativas ao aço, concreto e fibras têxteis e resultam em menor impacto ambiental. 

O que aconteceu com o bordo e a cerejeira? Por que não estamos fazendo mais móveis com essas madeiras de alto desempenho? Essas são algumas perguntas que temos feito e, por reconhecermos o valor, temos projetos e colaborações centrados nessas espécies.

No entanto, é necessária uma grande mudança de pensamento para que esse potencial seja amplamente aproveitado como merece, promovendo uma verdadeira revolução no setor moveleiro e de construção, fornecendo energia renovável e novos materiais inovadores e avançando para uma bioeconomia circular com neutralidade climática.

Usamos madeira de lei há milhares de anos, mas acredito que esta matéria-prima seja mais relevante agora do que nunca. As pessoas valorizam o toque, o cheiro e a aparência, e esses sentidos nos motivam e nos fazem querer comprar, consumir e trabalhar com esse material. Portanto, se você também deseja levar em conta a enorme contribuição ambiental que pode ser obtida com um material renovável e de baixo impacto ambiental, que armazena carbono e ainda tem valor agregado por isso, seria quase irresponsável não fazer mais uso dele.  A madeira é renovável e especialmente versátil. Mesmo sendo uma das matérias-primas mais antigas da humanidade, as inovações no desenvolvimento de produtos à base de madeira de lei nos transportam para um futuro mais amigável, com ambientes cada vez mais cercados e preenchidos por produtos naturais, e tendo a sustentabilidade sempre em mente na hora de adquirir bens.

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