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quinta-feira, maio 26, 2022
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Preço alto atrai feijocultores

Autores

Aline Bittencourt Nunes
Graduanda em Agronomia – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), campus Paragominas (PA) e membro do Grupo de Pesquisa Estudos em Manejo de Doenças de Plantas Tropicais
Gustavo Antonio Ruffeil Alves
Doutor e professor – UFRA, campus Paragominas (PA)
gustavo.ruffeil@ufra.edu.br

A feijoicultura brasileira ganha destaque internacional no agronegócio, dado que o País desempenha função fundamental neste setor, sendo considerado um dos maiores produtores e consumidores deste produto agrícola, apresentando uma produção média anual de 3,5 milhões de toneladas, em uma área total estimada de 3,1 milhões de hectares, com rentabilidade em torno de R$15,5 bilhões (MAPA, 2016; Conab, 2017).

Na safra de 2016/17, a produtividade média brasileira de feijão alcançou o patamar de 1.069 kg ha-1 (Conab, 2017). A Companhia Nacional de Abastecimento destaca o Distrito Federal, com produtividade média de 6.000 kg ha-1 na mesma safra, ressaltando que a região dispõe das condições mais adequadas de solo e clima para o cultivo do feijão, além das contribuições de instituições de pesquisa, como a Embrapa, destacando que a grande maioria dos cultivos é irrigada (Silva & Wander, 2013; Conab, 2017).

Irrigação

A safra irrigada, também denominada por safra de terceira época, é aquela que vem atraindo os feijoicultores, pela alta produtividade e lucratividade que a mesma vem apresentando ao longo dos anos (Silva & Wander, 2013).

Uma vez que a irrigação apresenta todos os condicionantes favoráveis para uniformização da oferta de feijão, melhorias na qualidade da cultivar e desenvolvimento da cultura, redução de custos, além de proporcionar um ambiente favorável de colheita, ou seja, é possível produzir mais e com melhor qualidade (Vieira, 2015).

Em relação aos custos de implantação do sistema de irrigação por pivô central, tem-se valores em torno de R$ 11.000,00 por hectare, considerando a implantação de todo o sistema. E o retorno econômico é estimado para um prazo de três a cinco anos, dependendo, sobretudo, do preço do grão no mercado (Conab, 2018).

Sementes

Além da irrigação, a qualidade das sementes é outro aspecto importante a ser levado em consideração, para se alcançar um patamar de produtividade maior e melhor, e para isto vale ressaltar as técnicas de melhoramento genético e as tecnologias no tratamento de sementes (Conab, 2018).

No melhoramento do feijoeiro, normalmente não se utiliza apenas um método, mas uma combinação deles. Os melhoristas fazem uso da introdução de plantas, seleção massal, genealógico, descendente de uma única semente, seleção recorrente, retrocruzamentos e hibridação, variando o uso de cada um desses de acordo com o objetivo (Conab, 2018).

Os programas de melhoramento no Brasil buscam uma complexa interação dos resultados, tais como a busca ereta na arquitetura da planta, características radiculares para a fixação biológica do nitrogênio, resistência a pragas e doenças, tolerância à seca, eficiência no aproveitamento da água e nutrientes, melhorias na colheita mecanizada, aumento da produtividade e qualidade nutricional dos grãos, ou seja, características agronômicas e comerciais desejáveis (Tsutsumi et al. 2015).

Este conjunto de características reunidas na semente fazem dela o principal veículo de tecnologias colocadas à disposição do agricultor. A semente ideal irá depender de diversos fatores, tais como região, clima, temperatura, época, sistema de cultivo, tecnificação, etc.

Tecnologias

Aliado ao uso de sementes melhoradas, tratadas e ao manejo adequado, novas tecnologias estão sendo aplicadas com o intuito de otimizar o crescimento das plantas, elevar a produtividade e qualidade das culturas.

Dentre elas, o tratamento de sementes com bioestimulantes e nutrientes ganha destaque, bioestimulantes são substâncias que podem ser aplicadas em sementes, plantas ou solo, provocando alterações dos processos vitais e estruturais, a fim da obtenção dos resultados citados anteriormente (Ávila et al., 2008).

Dourado Neto et al. (2014), analisando a ação de bioestimulante no desempenho agronômico de feijão, verificou resultados satisfatórios, como aumento do número de grãos por planta e a produtividade, para produtos compostos por ácido, indol butírico, cinetina e ácido giberélico.

Pavezi et al. (2017), estudando o efeito de diferentes bioestimulantes na cultura do feijoeiro-comum, verificou que todos os bioestimulantes testados promoveram maior número de vagens e comprimento radicular das plantas do feijoeiro-comum, em que, para altura de plantas e produtividade os bioestimulantes.

O tratamento de sementes com nutrientes é outra tecnologia que ganha destaque, por sua eficiência e aumento de produtividade.

Vendruscolo et al. (2018), analisando o tratamento de sementes com niacina ou tiamina no desenvolvimento e a produtividade do feijoeiro, verificou aumento no vigor das sementes, estímulo na emergência das plântulas, além de proporcionar incremento das características produtivas do feijoeiro.

Caso o tratamento de sementes não seja realizado de forma adequada, ou a semente não apresente uma boa qualidade e/ou sem melhoramento genético, é bem provável que algum patógeno tenha interação com o hospedeiro, ocasionando assim sintomas e/ou sinais da doença.

Mediante isto, será necessário a realização de uma análise fitopatológica, ou seja, identificação do agente causal, e para o diagnóstico fitopatológico é necessário que a amostra vegetal seja representativa e chegue ao laboratório em boas condições para o exame, acompanhada de informações importantes. Isto permitirá o diagnóstico correto e seguro e a recomendação de medidas de controle adequadas para a doença (Conab, 2018).

Logo, torna-se nítido a importância de se utilizar as novas ferramentas presentes no mercado, aliadas à irrigação e ao manejo fitossanitário correto, proporcionando assim um aumento da produtividade e lucratividade do produtor rural.


Análise macro mostra boas perspectivas

Para Jair Leão da Silva Junior, consultor em APSI – Agricultura de Precisão, “vivemos dois anos (2017 e 2018) com um alto estoque de feijão carioca e com muita área plantada. Então, no final de 2018 os agricultores ficaram desestimulados a cultivar feijão, porque os altos estoques fizeram baixar os preços, desencadeando uma redução da área plantada. Além disso, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, que são regiões tradicionais no cultivo da cultura, passaram por adversidades climáticas. Assim, a junção de redução da área plantada com os problemas climáticos resultou, no final de dezembro e início de 2019, na alta do preço do feijão”.

Retorno a jato

Quando se tem áreas irrigadas, o tempo de uso destas no sistema é rápido, chegando a garantir até três safras por ano. Portanto, segundo o consultor, vale a pena investir, afinal, o feijão é uma cultura de ciclo rápido, garantindo um retorno do investimento em pouco tempo ao produtor. “Mas, como toda atividade tem seus riscos, é preciso investir em um excelente manejo e escolher bem o local do cultivo, para resultar em uma produção de sucesso”, recomenda.

Hoje, os produtores podem contar com uma grande novidade lançada pela Embrapa – os feijões superprecoces, que podem ser colhidos entre 60 e 70 dias após a emergência, garantindo um retorno de investimento muito rápido.

Exigências nutricionais

Por ser uma cultura rápida e bastante exigente nutricionalmente, o consultor enfatiza que é essencial ter conhecimento de como está o solo onde ela será semeada. “O primeiro ponto quando se fala em semear feijão é a escolha de uma área que esteja nutricionalmente equilibrada para receber a cultura, saber a fertilidade do solo e entender o ambiente onde será plantada. O segundo ponto é realizar o planejamento, desde a escolha da cultivar até a forma da colheita, pois tudo isso vai influenciar no resultado final”, explica Jair Leão.

O feijão é plantado em três épocas, que são: “feijão das águas”, “feijão da seca”, plantado na safrinha; e o “feijão irrigado”, que é de inverno. Para cada época é necessário definir o manejo, a melhor cultivar e planejar o investimento.

O feijão plantado em janeiro e fevereiro é o da safrinha, de segunda época. Neste, os investimentos são mais limitados, porque dependem das chuvas, além de ter algumas pragas que incidem nesse período, como a mosca-branca, sendo essencial a realização de um manejo com mais atenção e cuidado.

Antes de plantar, é importante saber a situação nutricional do solo, realizar a análise deste, investir em agricultura de precisão, verificar se já houve incidência de pragas e doenças, como nematoides, podendo assim trabalhar de forma preventiva, com uma cultivar tolerante às doenças.

Para Jair Leão, “os produtores erram muito no estande de plantas, então, o não conhecimento da cultivar e o comportamento desta no ambiente que será plantado pode gerar um feijão que vegeta muito ou que demora para fechar a linha. Assim, é primordial entender qual cultivar plantar e a melhor população para cada época”, explica.

Custo x benefício

A média de investimento na feijocultura é de R$ 3.500,00 a R$ 5.000,00 por hectare, o que dependerá muito da época e da tecnologia usadas nesse feijão. “Então, é uma cultura de alto investimento, mas com um bom planejamento e estratégia técnica bem definida, o sucesso é garantido”, pontua o consultor.

Levando em consideração o valor do investimento, para ter uma boa margem de lucro e ser atrativo o cultivo, o feijão tem que ser comercializado por, no mínimo, R$ 150,00 a saca. Atualmente, o Brasil tem um preço favorável, acima de R$ 200,00, chegando, em algumas regiões, a valer até R$ 300,00 a saca.

Dicas

Jair Leão deixa um recado importante: “o feijão de inverno, que será semeado a partir de março no Sudoeste Goiano, passa pelo problema de mofo branco, exigindo atenção redobrada. Evitamos também o plantio em fevereiro por causa da incidência alta de mosca-branca, que pode causar perdas significativas nas lavouras”, alerta.

“Hoje, os produtores podem contar com uma grande novidade lançada pela Embrapa – os feijões superprecoces, que podem ser colhidos entre 60 e 70 dias após a emergência, garantindo um retorno de investimento muito rápido”

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