Previsão de inverno rigoroso acende alerta para produtores rurais

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ameixas no inverno
Crédito Pixabay

O mês de junho ainda será marcado por temperaturas abaixo da média, podendo ocorrer geadas e até neve na região Sul do Brasil. Segundo o Climatempo, uma nova massa de ar polar se aproxima do país e deve derrubar as temperaturas ao longo do mês, promovendo oscilações. As mínimas em São Paulo girarão em torno de 5°C e o Sul pode alcançar números negativos.

Especialistas da empresa que oferece serviços de meteorologia alertam que hortaliças, tomate e cenoura são algumas das culturas que podem sofrer com as consequências das geadas previstas para o período, o que deve refletir no preço de mercado.

O frio intenso também pode afetar outras commodities importantes do agronegócio nacional, como o milho, a soja e o café, gerando impactos não só para os produtores rurais como para a atividade econômica. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto chegou a comentar essa possibilidade durante o Congresso Mercado Global de Carbono, realizado em maio no Rio de Janeiro. Durante o evento, Campos Neto disse que a geada prevista pode impactar os alimentos e a inflação de curto prazo.

Instrumentos financeiros podem “salvar” a lavoura

No ano passado, alguns dos efeitos climáticos da estação mais fria do ano afetaram drasticamente as safras de milho no Paraná e de café em Minas Gerais, surpreendendo os produtores com prejuízos e afetando o mercado. Mas, o que muitos não sabem é que há instrumentos financeiros capazes de proporcionar previsibilidade aos agricultores, assegurando preços mínimos de vendas futuras que cubram os custos e lhes garantam margens saudáveis. São os Derivativos, que têm seus preços ligados a outros ativos, por exemplo: a uma commodity.

“Um produtor rural que busca obter patamares mínimos de preço para suas vendas futuras pode optar pelo uso de derivativos como um mecanismo de proteção contra variações que fogem do seu controle. O objetivo do uso desse tipo de instrumento é sempre de garantir a rentabilidade do negócio do agricultor, criando mecanismos que mitiguem os riscos de mercado, melhorando significativamente o nível de governança e de gestão do empresário do segmento agro no Brasil”, comenta Felipe Muniz, operador de Derivativos na XP.

Apesar de serem ainda pouco utilizados, comparativamente à escala potencial do mercado brasileiro, esses instrumentos financeiros são essenciais para o agronegócio no país. Além de definirem as curvas de preços futuros das diferentes commodities, os Derivativos também podem ser utilizados para fins de proteção e de especulação por produtores e investidores no geral. A utilização de Derivativos garante uma melhor gestão dos riscos de mercado para os produtores, o que pode conferir mais previsibilidade financeira na expansão de safras com preços protegidos.

“O mercado de Derivativos precisa ser melhor trabalhado pelo agronegócio brasileiro. A conexão entre os produtores rurais e o mercado financeiro é essencial para gerar o crescimento que o Brasil não apenas espera, mas também precisa em relação ao setor que é um pilar central em nossa economia. É possível, na XP, operar commodities tanto na Bolsa brasileira quanto em bolsas estrangeiras sem custo adicional. (Ex.: Soja em Chicago [CME] ou Alumínio na Bolsa de Londres [LME]), o que confere abrangência global ao investidor brasileiro” completa Muniz.

Cenário local

Em Minas Gerais, as commodities do agronegócio que têm maior peso são o café, o complexo de soja e as carnes, o que faz com que a utilização desses Derivativos seja relevante para os empresários do campo, que se beneficiarão, assim como toda a cadeia produtiva. “Minas Gerais tem no agronegócio um grande potencial, que já é explorado pelo empreendedor rural, mas certamente poderia ser otimizado com a utilização dos Derivativos. Até abril deste ano, exportamos mais de US$ 4.6 bilhões – cerca de 10% do montante nacional – o que reitera nossa relevância no cenário do agro brasileiro. É válido ressaltar a importância da desmistificação do uso dos Derivativos para que produtores e investidores ganhem autonomia na construção de suas estratégias. A XP tem a missão de transformar o mercado de capitais brasileiro e não seria diferente em relação aos Derivativos”, disse Jéssica Oliveira, líder regional da XP em Minas Gerais.