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Principais cultivares de couve-flor e sua época de plantio

Explorando as nuances das principais cultivares de couve-flor e suas épocas ideais de plantio.

Adriana Souza Nascimento
Engenheira agrônoma, MSc. Fitopatologia e coordenadora de operações – EMATER-DF
adriana.nascimento@emater.df.gov.br

A couve-flor é uma cultura tipicamente de clima temperado e sua época ideal de plantio está muito relacionada às exigências termo climáticas da cultivar escolhida. Por vezes, uma pequena variação na temperatura pode levar uma cultivar a produzir cabeças precocemente, pequenas e sem valor comercial.

Já estão disponíveis cultivares com melhor tolerância ao calor

Em razão do surgimento de cultivares adaptadas aos meses mais quentes do ano, pode-se produzir essa hortaliça praticamente o ano todo, dependendo da região de cultivo. Estão disponíveis cultivares adaptadas ao outono-inverno, altamente exigentes em temperaturas frias, bem como cultivares adaptadas ao plantio na primavera-verão, pouco exigentes em frio e que produzem sob temperaturas mais elevadas.

Exigências da couve-flor

A couve-flor é exigente em faixas de temperaturas específicas. Em relação às exigências termoclimáticas, pode-se dividir em três grupos:

• Precoces de verão: não precisam de frio e resistem ao calor. A temperatura ideal para a formação de cabeça situa-se em torno dos 20 a 25°C, mas suportam temperaturas superiores aos 30°C, sem distúrbios fisiológicos.

• Frio moderado: adaptam-se aos cultivos para colheita em meia-estação, que necessitam de frio suave a moderado de 15 a 20°C para formar as cabeças. Temperaturas acima de 28 a 30°C induzem ao excesso de crescimento vegetativo e à formação de cabeças pequenas, sem valor para comercialização.

• Exigentes em frio: são tardias, de grande vigor e muito exigentes em frio. Sua faixa ideal para formar a cabeça fica em torno de 5,0 a 10°C. Quando submetidas a temperaturas altas, tornam-se improdutivas ou sem formação de cabeças.

Variação climática

Diversos aspectos fisiológicos e bioquímicos podem ser alterados com a variação climática para a cultura, tais como a taxa de respiração das plantas, reações enzimáticas adversas que podem resultar em odor e sabor desagradáveis, alteração de cor, formação e tamanho das cabeças e perda de firmeza das plantas ou de seus órgãos.

A exigência em condições climáticas, por ser a couve-flor uma cultura de origem temperada, é o grande desafio do produtor. Atualmente, já estão disponíveis no mercado cultivares com melhor adaptação ou tolerância ao calor, o que tem permitido o seu cultivo no verão e em meia-estação.

Estas cultivares possibilitam, ainda, a ampliação do período de cultivo em diferentes áreas, e a sua oferta nos períodos de entressafra, quando os preços são mais elevados. Outra dificuldade relacionada à produção e mercado de couve-flor está relacionada à sua perecibilidade e baixa conservação pós-colheita, o que requer mais cuidados no processo de colheita das inflorescências, transporte e armazenamento.

A dificuldade na escolha da cultivar é justamente na sincronização de temperaturas com condições de plantio mais adequadas, levando-se em consideração os custos de produção e as condições de comercialização.

Inovações

Os avanços recentes no melhoramento genético permitiram o desenvolvimento de novas cultivares tolerantes a temperaturas mais elevadas e, assim, a ampliação das épocas e locais de cultivo.

Assim, os produtores, conseguem ter melhor flexibilidade no escalonamento da produção e melhores preços em determinadas épocas do ano, e o consumidor passa a ter a possibilidade de consumo ao longo do ano.

O desenvolvimento dessas cultivares mais adaptadas é um fator importante para o aumento da produção e da qualidade da couve-flor no Brasil nas últimas décadas. Dentre as vantagens estão maior precocidade, vigor, melhor tolerância ao calor e oscilações de temperatura, melhor qualidade comercial, como inflorescências (cabeças) mais compactas e uniformes, cores diferenciadas e inovadoras, e resistência a doenças, especialmente à podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. campestris).

Fitossanidade

A podridão negra é uma doença sistêmica, sendo, portanto, de difícil controle. Hoje temos, no mercado, cultivares resistentes a doenças e que apresentam também grande resistência ao transporte e às altas temperaturas, possibilitando ofertar o produto em outras regiões do Brasil, além de resistência à deficiência de boro, que pode comprometer a produção e qualidade do produto final. São materiais de alto desempenho, adaptados à época adequada de plantio.

Existem cultivares que, além dessas, contam ainda com outros benefícios, como proporcionar maior adensamento da área cultivada, pelo médio vigor da planta, excelente pós-colheita, com plantas bastante uniformes, possibilitando a colheita concentrada e menor custo com manutenção das plantas no campo, graças ao ciclo precoce.

Hora da escolha

Como recomendações, é importante escolher cultivares adequadas às condições edafoclimáticas (clima e solo), mudas sadias, produzidas em viveiros registrados e idôneos, realizar o manejo de solo adequado, com bom preparo e bem drenado, análise para saber se há necessidade de realizar a correção, fornecer nutrição equilibrada com macro e micronutrientes para aumento da produtividade, e os demais tratos culturais adequados.

A assistência técnica rural é fundamental para a melhoria dos processos de produção, beneficiamento e comercialização da couve-flor.

Os produtores necessitam do entendimento das características de cada cultivar e sua adaptabilidade climática e a cada região, considerando que há constantes estudos e lançamentos de produtos novos no mercado de sementes, necessitando de um contínuo processo de educação e de ajuda técnica para resolver os problemas na produção da cultura.

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