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Produção de alface em telado – Benefícios sem limites

Ivonete Fátima Tazzo

Doutora e pesquisadora da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul (FEPAGRO)

ivonete-tazzo@fepagro.rs.gov.br

Elis Borcioni

Doutora e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ” campus de Curitibanos

Crédito Rerison Catarino da Hora
Crédito Rerison Catarino da Hora

A alface (Lactuca sativa L.) é uma hortaliça folhosa delicada e sensível às condições climáticas, principalmente à temperatura do ar e radiação solar. As cultivares disponíveis no mercado brasileiro de sementes podem ser agrupadas em cinco tipos morfológicos principais, com base na formação de cabeça e tipo de folhas: Repolhuda Lisa, Repolhuda Crespa ou Americana, Solta Lisa, Solta Crespa e tipo Romana.

A preferida e mais consumida no Brasil é a Solta Crespa, representando cerca de 70% do mercado, devido à facilidade no manuseio e transporte. No entanto, observa-se um aumento no consumo das cultivares pertencentes aos grupos Repolhuda Lisa ou Repolhuda Crespa que formam cabeças compactas, possuem crocância e maciez, sendo a segunda mais consumida no País.

Consumo

Dentre as folhosas, a alface é a mais consumida no Brasil e a terceira hortaliça em maior volume de produção, perdendo apenas para a melancia e o tomate, segundo a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM).

De acordo com a entidade, a alface movimenta anualmente, em média, um montante de R$ 8 bilhões apenas no varejo, com uma produção de mais de 1,5 milhão de toneladas ao ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo dessa hortaliça no País é de aproximadamente 1,3 kg por pessoa ao ano.

Os ambientes protegidos e o uso de telas de sombreamento é cada vez mais frequente - Crédito Glaucio da Cruz Genuncio
Os ambientes protegidos e o uso de telas de sombreamento é cada vez mais frequente – Crédito Glaucio da Cruz Genuncios

Ciclo

O ciclo de produção da alface é considerado curto (45 a 75 dias), dependendo do grupo utilizado, época do ano e condições climáticas. É cultivada durante o ano inteiro, e possui rápido retorno de capital.

A cultura exige temperaturas amenas para seu melhor desenvolvimento, com o ideal entre 20 e 25ºC. Em razão disto, o cultivo de alface no Brasil até o final da década de 70 se restringia às regiões de clima ameno.

O plantio em locais que apresentam temperaturas elevadas tem sido um desafio para a olericultura. Plantas de alface expostas a temperaturas acima de 28 a 30ºC podem provocar, em algumas cultivares, o pendoamento precoce, aumento no teor de látex, sabor amargo e folhas mais duras, comprometendo a qualidade final do produto.

Outro ponto a destacar é a ocorrência de granizo e elevados volumes de chuva em curto período de tempo, que prejudicam consideravelmente o cultivo.

Produção no verão

Embora existam limitações na produção de alface no verão, esta é a época propícia, pois o consumo aumenta e a produção diminui o que resulta em preços elevados no mercado. Este cenário é vantajoso para o produtor, pois a rentabilidade neste período é maior. Porém, é fundamental que o produtor mantenha a regularidade de oferta no decorrer do ano, o que é uma característica valorizada pelo mercado consumidor.

 

Os telados como solução

Na tentativa de diminuir os problemas provocados pela ocorrência de temperaturas elevadas no decorrer do ciclo de cultivo, variedades resistentes ao calor foram criadas. Além disso, o cultivo sob ambiente protegido e o uso de telas de sombreamento é cada vez mais frequente.

O uso de telas de sombreamento altera o microclima e provoca principalmente a diminuição da temperatura do ar e da radiação solar no interior desse ambiente. No entanto, essa técnica deve ser utilizada com muito cuidado, pois em determinadas regiões e épocas do ano a redução da radiação solar pode comprometer a qualidade das hortaliças folhosas.

Detalhe da cobertura com tela antigranizo - Crédito Rerison Catarino da Hora
Detalhe da cobertura com tela antigranizo – Crédito Rerison Catarino da Hora

Opções e indicações

No mercado existem vários tipos de telas de sombreamento com variação de cor (preta, verde, vermelha, azul, branca e aluminizada), tipo de material, porcentagem de sombreamento (18 a 80% de sombra), entre outras características que determinam o preço.

A utilização de uma ou outra tela será determinada conforme a cultivar, local, época do ano e condições climáticas. Para o cultivo de hortaliças, redução acima de 50% de sombreamento deve ser evitada, pois diminui drasticamente a radiação solar nesses ambientes, prejudicando a atividade fotossintética das plantas e acarretando em menor produtividade. O produtor deve considerar estes parâmetros a fim de ter maiores chances de sucesso.

As telas de cor branca possuem menores riscos de redução da radiação solar no interior desses ambientes; assim sendo, dias nublados e período de dias curtos podem favorecer a cultura.

Já as telas aluminizadas reduzem eficientemente o calor devido à reflexão dos raios solares, porém, podem diminuir a radiação solar em níveis críticos em determinadas épocas do ano. Por isso a importância do manejo desse tipo de tela atuando como cortina, ou seja, deverá ser aberta sobre a cultura apenas em horários críticos de temperatura e, logo após, realizar o seu recolhimento.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de abril 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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