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Produção de girassol: Cuidado com as demandas nutricionais

Gabriel SchaichEngenheiro agrônomo Physioatac Consultoriacontato@physioatac.com

Girassol – Crédito Shutterstock

Apesar da descendência europeia, a cultura do girassol apresenta boa adaptação ao clima tropical brasileiro e em função de sua rusticidade e boa tolerância a seca, sua produção avança como uma opção de manejo de segunda safra ou “safrinha” e, por apresentar uma demanda hídrica menor que o milho, permitiu o aumento de seu cultivo nos Estados de MT, GO e MG neste período, tornando estes os principais produtores da cultura no Brasil.

Em função do sistema radicular agressivo composto por uma raiz pivotante semelhante à soja, a cultura acessa profundidades não exploradas normalmente por outras culturas de grãos, o que, aliado à baixa exportação dos nutrientes via grãos, a torna uma ferramenta na ciclagem de nutrientes, com uma rápida liberação destes no solo em função de sua baixa relação carbono/nitrogênio nos tecidos.

Diferentemente de outras culturas, o girassol apresenta um desenvolvimento lento no início do ciclo até o aparecimento do botão floral e, a partir dali, ocorre uma mudança drástica em termos de atividade metabólica visando à formação e enchimento dos grãos que, em função de seu alto teor de óleo e proteína, apresentam até o final do florescimento um aumento na demanda por nutrientes e água. Por este motivo, é a fase onde normalmente identificamos os problemas relacionados à nutrição.

Limitações nutricionais

Além dos tradicionais manejos com nitrogênio, fósforo (P₂O₅) e potássio (K₂O), utilizados de acordo com as limitações da área em uma média de 40 a 80 quilos por hectare, em função de sua morfologia com grande inflorescência dotada de sementes com alto teor de óleo, outros nutrientes tornam-se limitantes à produção e merecem atenção.

Dentre eles, uma atenção especial deve ser dada ao micronutriente boro, normalmente deficiente nos solos brasileiros e que, especificamente para cultivos de alta demanda, como canola e girassol, pode influenciar grandemente a produção final.

Sua liberação para as plantas é influenciada diretamente pelas condições de umidade e temperatura do solo, uma vez que na ausência destes fatores, a decomposição da matéria orgânica seria muito lenta, a ponto de suprir a demanda deste elemento pelas culturas.

O elemento boro apresenta inúmeras funções na planta e sua importância para o girassol está na formação estrutural propriamente dita da planta e fecundação das flores, que após polinizadas por insetos, como abelhas, precisa realizar o crescimento do tubo polínico para posterior fecundação, um processo altamente demandante por boro.

A falta deste nutriente pode causar limitação no crescimento e falhas nos grãos, reduzindo significativamente a produtividade da cultura.

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Manejo

Dentre as opções de manejo, seja via solo ou folha, diferentes fontes de boro apresentam boa performance em cultivos de plantas oleaginosas, como o girassol. Em função da baixa mobilidade deste nutriente, quando aplicado via folha, as aplicações via solo apresentam, de modo geral, maior resposta, seguido de manejos aplicados via pulverização em pré-semeadura.

Neste sentido, se destacam fontes como o tetraborato de sódio e a ulexita, fertilizantes granulados que podem ser aplicados antes da semeadura, e o ácido bórico e o octaborato de sódio, sais solúveis que podem ser diluídos e aplicados em pré-semeadura via pulverização.

Independentemente da fonte utilizada, para uma boa safra devemos sempre pensar em ajustar o manejo de fertilizantes à demanda do cultivo. Fornecer boro à cultura do girassol é um exemplo deste equilíbrio, uma estratégia viável e assertiva rumo a boas produtividades.

GirassolQuais os benefícios para o solo e próximas safras?

Mariane Gomes NovalskiGraduanda em Agronomia – Unifio/Ourinhos (SP)mgnovalski@gmail.com

Adilson Pimentel Júnioradilson_pimentel@outlook.com 

Aline Mendes de Sousa Gouveiaaline.gouveia@unifio.edu.br

Engenheiros agrônomos e professores – Unifio/Ourinhos

O cultivo de girassol vem se tornando cada vez mais visado entre os produtores de culturas anuais. A planta é nativa da América do Norte e se destaca no cenário mundial, sendo a terceira oleaginosa mais plantada atualmente.

Se existe uma planta versátil, o girassol é uma delas, pois dela aproveitamos tudo. Das raízes, haste e restos florais que ficam no campo podemos reciclar diversos nutrientes importantes paras os futuros cultivos, além da matéria orgânica deixada sobre o solo, que eleva a porosidade e contribui para a diversidade da microbiota do solo.

Das folhas podemos aproveitar a ensilagem, e de suas belas flores podemos extrair as sementes, que são a parte mais visada para o óleo e de onde indiretamente é obtido o mel de abelhas, que visitam suas flores, contribuindo para a efetiva polinização.

Benefícios do cultivo

O cultivo de girassol se tornou uma ótima opção no sistema de rotação e sucessão de culturas em regiões onde há grande produção de grãos, principalmente. Para o médio e o grande produtor rural, ele preenche as necessidades de opção de rotação e sucessão de culturas, com vantagens sobre as outras plantas.

Possui ampla adaptação a diferentes condições climáticas e regiões, o que permite o plantio em épocas marginais para as outras culturas, como a soja e o milho, dada a sua menor sensibilidade à seca e a baixas temperaturas. Assim, permite o uso da terra em épocas diferentes da tradicional.

Muito utilizado na adubação verde, principalmente por ser seu desenvolvimento inicial rápido, o girassol promove a ciclagem de nutrientes que estão em um perfil não explorado, como no caso, o potássio. Pouco desse nutriente é exportado para o grão, deixando-o quase por completo para a palhada, que se decompõe rapidamente, disponibilizando, assim, potássio para as culturas subsequentes.

Além do potássio, outros nutrientes, como o nitrogênio, cálcio e boro são também reciclados e prontamente disponibilizados, melhorando as qualidades química, física e biológica do solo.

Ainda, por ser o sistema radicular pivotante e ramificado, ele trabalha na descompactação do solo, beneficiando as culturas posteriores, bem como por ser um agente protetor de solos contra a erosão. Além disso, o girassol possui efeito alelopático sobre várias plantas daninhas, inibindo sua emergência, principalmente de gramíneas, diminuindo ou, em alguns casos, até mesmo dispensando a necessidade do uso de herbicidas.

Como implantar a técnica

A cultura do girassol é pouco influenciada pela altitude e pelo fotoperíodo das regiões brasileiras, mostrando-se relativamente tolerante ao estresse hídrico, exigindo de 500 a 700 mm de água no solo, e resistente a baixas temperaturas. Contudo, é sensível ao excesso de chuvas.

O ciclo da cultura pode variar de 100 a 150 dias, a depender da cultivar e da época de semeadura, que está relacionada com a região, em regiões mais quentes entre janeiro e março, em regiões mais frias e chuvosas de agosto a outubro, e das condições do ambiente.

A densidade de plantas pode atingir 40 mil plantas por hectare, com espaçamento de até 90 cm e profundidade de plantio entre 4,0 e 5,0 cm, evitando o secamento da superfície ou a demora na emergência.

Adubação verde

Como adubo verde, o girassol deve ser incorporado ao solo oferecendo diversas vantagens, principalmente aquelas relacionadas à melhoria da fertilidade do solo e à diminuição da incidência de plantas daninhas.

Para essa finalidade, seu ciclo deve ser curto, podendo ser deitado ou incorporado ao solo sem dificuldade a partir de 60 dias da semeadura. Produz de quatro a 15 toneladas de massa seca por hectare após 60 a 80 dias da semeadura, dependendo da época de plantio e da fertilidade do solo.

Tem relação C/N favorável à sua rápida decomposição e pronta disponibilização de nutrientes para a cultura sequente. Apresenta, ainda, baixo custo de instalação, pois o gasto de sementes por hectare é pequeno. Na maioria dos casos, não necessita de adubação química, quando a finalidade é a produção de massa para fins de adubação verde.

Em campo

Estudos indicam que algumas culturas podem ser plantadas pós a adubação verde com girassol, como no caso, o milho e a soja. São culturas que respondem muito favoravelmente, com significativo acréscimo de produtividade, chegando, em alguns casos, a mais de 30% de aumento.

Além disso, ocorre também a diminuição do custo de produção, pois a incidência de plantas daninhas diminui bastante. Pode, também, ser plantado para fins de adubação verde nas entrelinhas de culturas perenes, como café, citros e outras frutíferas.

Erros

Os erros que mais interferem na produção do girassol são: má condução na colheita, na regulagem do equipamento, causando perdas de caráter quantitativo e qualitativo dos grãos. A ineficiência na execução das atividades agrícolas acaba comprometendo os resultados esperados.

Investimento x retorno

O cultivo do girassol apresenta bom rendimento econômico em termos de investimento/retorno, por ser de fácil manejo e baixo investimento. Produz óleo comestível de excelente qualidade e propriedades medicinais, com mercado garantido nas classes mais privilegiadas, possibilitando o aproveitamento da capacidade ociosa da indústria de extração.

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