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quarta-feira, julho 6, 2022
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Produção de morangos fora do solo é tendência para um futuro próximo

 

Carlos Reisser Júnior

carlos.reisser@embrapa.br

Luis Eduardo Correa Antunes

Doutores e pesquisadores da Embrapa Clima Temperado

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

O Brasil é o maior produtor e consumidor de morangos da América do Sul. Sua área de produção, próxima a 4.000 ha, produz mais de 100.000 toneladas anuais. Apesar de a produtividade média ser próxima a 25 T/ha ano, alguns sistemas de produção já atingem mais de 90 T/ha ano da fruta. Os principais Estados produtores são Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, e o principal consumidor o Estado de São Paulo.

Os sistemas de produção apresentam pequenas diferenças entre si, porém, a maior área, situada na região Sudeste brasileira, é caracterizada por pequenas propriedades de 0,2 a 0,5 ha, todas cultivadas por pequenos agricultores, na maioria em terras arrendadas.

São cultivadas variedades de dias curtos, com concentração de cultivo nas estações de outono e inverno, baseadas em mudas frescas produzidas localmente. Este sistema faz com que o preço varie muito ao longo do ano, com valores médios próximos a US$ 4 o quilo durante os meses de abril e maio, e abaixo de US$ 2,5 o restante do ano.

Sem contato com o solo as frutas ficam mais saborosas e saudáveis - Crédito Carlos Reisser
Sem contato com o solo as frutas ficam mais saborosas e saudáveis – Crédito Carlos Reisser

Na região Sul, as principais diferenças entre os sistemas são devido ao uso de ambientes protegidos com túneis baixos, e as mudas são importadas do Chile e da Argentina. Nesta região, em alguns locais de clima mais fresco, normalmente de altitude, os produtores buscam a produção fora da época de preços baixos com o uso de variedades de dias neutros e sistemas bem tecnificados, onde a produção pode ser realizada durante 18 meses.

Figura 1. Variação anual de preços do morango no Brasil comercializado na CEAGESP.

Tecnologia

Apesar de bem tecnificadas e com elevados valores de investimento, os produtores do Sul, devido à restrição de áreas próprias ao cultivo e o cultivo sucessivo, começaram a ter problemas de condução de lavouras por motivos fitossanitários.

O aumento do inóculo presente no solo, aliado à resistência dos patógenos e a restrição de utilização de alguns produtos químicos, determinaram que regiões tradicionalmente produtoras de morango fossem impedidas de produzir.

Este fenômeno determinou que vários produtores trocassem a produção de morangos por outros cultivos, que nem sempre obtiveram sucesso econômico. Outro fator importante na troca de cultivo é o envelhecimento dos produtores, motivo pelo qual o trabalho com a cultura do morango era evitado e impossibilitado.

Neste panorama se buscam sistemas alternativos, sendo o cultivo fora do solo uma das soluções. A técnica, já utilizada por alguns produtores, foi inspirada na produção de hortaliças, onde o cultivo é feito em um substrato preparado artificialmente e o fornecimento de nutrientes e água se dá com o auxilio do sistema de fertirrigação por gotejamento, que já vinha sendo utilizado no solo.

Este sistema, desenvolvido por produtores e estudado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Embrapa Uva e Vinho, juntamente com a Emater-RS, chamado semi-hidropônico, vem auxiliando no regaste de produtores, trazendo de volta muitos dos tradicionais que já haviam abandonado o cultivo do morangueiro.

Entre um e outro

 As estruturas hidropônicas têm se modernizado e disponibilizado alternativas aos produtores - Crédito Gláucio Genúncio
As estruturas hidropônicas têm se modernizado e disponibilizado alternativas aos produtores – Crédito Gláucio Genúncio

Dentre os sistemas de produção fora do solo de maior utilização atualmente com morangueiros podem ser citados: o aberto, ou seja, a solução colocada no sistema drena para fora do sistema radicular e cai no solo, ou no piso do ambiente, sendo perdida e não voltando a ser reutilizada.

Este sistema usa ‘slabs’, ou tubos de plástico, onde o substrato é acondicionado. Normalmente este sistema usa substrato à base de um produto inerte misturado com um composto orgânico, e permite irrigações mais espaçadas devido à retenção de água pelo material orgânico.

Já no sistema fechado, a solução é drenada para fora do sistema radicular e recuperada pela drenagem, onde é armazenada em um depósito. Após correção, se necessária, a solução é novamente injetada.

Para este sistema é recomendado o uso de substrato inerte, ou próximo a isso, em que a retenção de água é pequena, exigindo irrigações mais frequentes. Este sistema, além de reduzir o consumo de água, utiliza melhor os fertilizantes aplicados e reduz a contaminação ambiental, que pode ser causada por sistemas abertos.

Também nas regiões mais altas do estado de São Paulo e Minas Gerais, onde se cultivava morangos, produtores vêm investindo na tecnologia, sempre tendo como principal objetivo produzir fora da época normal.

Uma data de interesse na produção de morangos nestas regiões é o dia das mães, no mês de maio, onde tradicionalmente a procura por morangos é grande e o preço atinge valor elevado. Isto vem sendo conseguido com variedades indiferentes ao fotoperíodo (dias neutros), que são cultivadas ao longo de todo o ano, e com a possibilidade de cultivo por mais de um ano com a mesma planta.

 

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