Produção madeireira – A importância dos tratos silviculturais

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Autores

Ernandes Macedo da Cunha Neto
netomacedo878@gmail.com
Gabriel Mendes Santana
gsantanaflorestal@gmail.com
Iací Dandara Santos Brasil
iacidandara@yahoo.com.br
Mestrandos do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Emmanoella Costa Guaraná Araujo
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – UFPR
manuguarana@gmail.com
Crédito: Shuterstock

Os tratos silviculturais são técnicas aplicadas no povoamento florestal, a fim de maximizar a produção e evitar que as árvores reduzam seu ritmo de crescimento, ou até mesmo práticas que agreguem maior valor de mercado ao produto final. Diversas são as técnicas empregadas para este fim, contudo, neste trabalho serão destacadas aquelas que afetam diretamente a produção madeireira: desbaste e desrama (poda).

Esses dois tratos silviculturais geram diferenças de crescimento nas árvores, o que afeta a quantidade e qualidade da madeira – assim, a qualidade da madeira definirá o valor do produto final. Geralmente, as toras são classificadas pelo diâmetro e comprimento da ponta fina, assim como forma e podas, além de considerar a qualidade da poda, em algumas ocasiões, logo, para cada categoria será atribuído um preço (Pezzutti, 2011).

Portanto, apesar dos custos relacionados à aplicação dos tratos silviculturais, estes são investimentos pouco onerosos e que trazem o retorno na forma de qualidade da produção de madeira e de renda da floresta (Finger; Schneider, 1999).

Desbaste

Pode-se definir o desbaste como cortes parciais realizados em povoamentos imaturos, a fim de estimular o crescimento das árvores remanescentes, bem como aumentar a produção de madeira de melhor qualidade e antecipar as receitas antes do corte final, a partir da redução da competição das árvores, tornando o povoamento menos denso, ou seja, com menor quantidade de indivíduos.

Dessa maneira, o desbaste evita perdas antecipadas de volume devido à mortalidade competitiva; aumenta o valor do povoamento remanescente por meio da aceleração da taxa de crescimento em diâmetro; fornece renda durante a rotação e melhora a qualidade do produto final.

Tipos de desbaste

De maneira geral, existem três tipos de desbastes: sistemático, seletivo e misto. O desbaste sistemático é aquele pelo qual é adotado um sistema para retirada dos indivíduos, como por exemplo: a quinta linha do povoamento, ou seja, a cada cinco linhas, a quinta é retirada. Assim, este é o tipo mais simples de reduzir a densidade do povoamento.

Geralmente, esse tipo é aplicado em povoamentos jovens uniformes, pelo qual ainda não foi realizado nenhum desbaste.

O desbaste seletivo se caracteriza por selecionar qual grupo de árvores serão retiradas, de acordo com a necessidade do povoamento. Geralmente é realizado o desbaste seletivo por baixo, no qual retiram-se as árvores bifurcadas ou defeituosas e as suprimidas, a fim de estimular o crescimento das árvores inferiores.

Contudo, também existe o desbaste seletivo por cima, no qual as árvores dominantes e codominates são removidas, a fim de favorecer o crescimento das demais. Logo, este tipo de desbaste é incomum, mas para produção de madeira para poste é empregado.

O terceiro tipo de desbaste, o desbaste misto, consiste na fusão das duas técnicas, possibilitando a retirada de árvores suprimidas e/ou defeituosas e também as árvores de uma determinada linha do plantio.

Do ponto de vista operacional, o desbaste sistemático é o mais prático, pois não necessita da marcação de árvores e/ou definição de um diâmetro mínimo de corte, tampouco o treinamento tão específico do operador. Em contrapartida, o desbaste sistemático retira tanto árvores suprimidas quanto dominantes, assim como também deixa árvores suprimidas como remanescentes, o que pode vir a se tornar um prejuízo econômico.

Assim, o desbaste misto pode ser uma alternativa para desbastar plantios jovens e maduros, devido à possibilidade de mitigar os impactos econômicos do desbaste sistemático.

Desrama ou poda

Desrama é definida como a retirada ou queda natural dos galhos de uma árvore. Esta técnica é essencial para a produção de madeira de melhor qualidade (limpa), pois evita que sejam formados “nós” na madeira.

Entende-se por nó a zona da inserção dos galhos das árvores, formando uma mancha arredondada e escura. Além disso, os nós afetam diretamente o valor da madeira.

Existem dois tipos de desrama: a natural e a artificial. A natural se dá pela queda dos galhos, de tal maneira que esta é influenciada pelo espaçamento do povoamento, pois quanto mais denso é o povoamento, menor a incidência de raios solares no interior da floresta, logo, os mais próximos ao solo tendem a morrer e cair.

A desrama artificial é o processo pelo qual os galhos de uma árvore são cortados rentes ao fuste até uma altura pré-determinada. No entanto, em povoamentos para fins de madeira serrada e laminada, recomenda-se o uso da desrama artificial para a obtenção de madeira de qualidade, com maior resistência mecânica (Polli, 2005).

Entretanto, apesar de necessária, faz-se necessário definir uma intensidade da desrama, pois a poda severa ocasiona diversos danos à planta, tais como a redução da fotossíntese. Assim, o ideal é remover de 40 a 50% dos galhos de um fuste. Além disso, o procedimento deve ser realizado corretamente, a fim de que não sejam deixados “tocos” na árvore, o que tornaria a poda inútil.

Instrumentos de poda

A poda pode ser realizada de forma manual ou mecanizada, dependendo dos recursos financeiros disponíveis e do tamanho do plantio. No geral, os equipamentos manuais são: navalha de poda; podão; tesoura de poda; tesoura de sebes; tesoura de desbastar; serrote jacaré, enquanto que a poda mecanizada utiliza os corta sebes e o motosserra.

Vale ressaltar que facões, foices e similares não devem ser utilizados para podar, pois é comum que estes instrumentos deixem tocos e prejudiquem a cicatrização do corte, bem como a evolução dos nós.

Assim, tanto a desrama quanto o desbaste são tratos silviculturais necessários para garantir a produção madeireira de qualidade e com máximo valor agregado, favorecendo o máximo retorno financeiro ao empreendimento.