Produção nacional da produção de acerola

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Maurício Dominguez Nasser

Engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador da APTA Regional Alta Paulista/Adamantina (SP)

mdnasser@apta.sp.gov.br

Flávia Aparecida de Carvalho Mariano Nasser

Engenheira agrônoma, pós-doutoranda em Horticultura/FCA UNESP/Botucatu (SP)

flaviamariano1@hotmail.com

Fernanda de Paiva BadizFurlaneto

Médica veterinária, doutora e pesquisadora da APTA Regional Centro-Oeste/Marília (SP)

fernandafurlaneto@apta.sp.gov.br

 

Foto 01O cultivo da acerola no Brasil vem ganhando cada vez mais espaço no mercado, devido ao seu elevado teor de vitamina C. A área cultivada no País é estimada em 10.000 hectares, com destaque para a região nordeste, que responde por 70% da produção nacional, seguida da região sudeste, com aproximadamente 15% da produção.

A aceroleira pode florescer e frutificar várias vezes durante o ano, com uma produção de três ou mais safras concentradas, principalmente, na primavera e verão, dependendo das condições climáticas locais. A partir do 3º ou 4º ano do plantio, as plantas adultas chegam a produzir 40 kg de frutos por planta ao ano, que corresponde a uma produtividade média em torno de 16 toneladas por hectare.

A aceroleira é uma planta de clima tropical, porém, adapta-se bem a regiões de clima subtropical. As temperaturas ideais variam entre 15ºC e 32ºC, com médias anuais em torno de 26ºC. Precipitações entre 1.200mm e 2.000mm, bem distribuídas ao longo do ano, são consideradas ideais.

A planta é exigente quanto à insolação, que influencia na produção de vitamina C. Os solos profundos, areno-argilosos e bem drenados são os mais indicados. Recomenda-se o uso de mudas de aceroleira propagadas por estaquia e por enxertia para obtenção de um pomar uniforme e produtivo.

A época de plantio, preferencialmente, ocorre no início ou durante a estação chuvosa. Se houver irrigação, o plantio pode ser feito em qualquer época do ano, exceto no inverno em regiões com temperaturas inferiores a 15ºC. O espaçamento utilizado varia de 5m x 5m; 6m x 4m; 5m x 4m.

 

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

Preparo de solo

Como a planta de acerola será explorada comercialmente, deve-se sempre preparar o solo. Mas, antes de preparar o solo é importante fazer um diagnóstico do mesmo, ou seja, fazer um raio-x da sua fertilidade. É como se perguntássemos ao solo: “o que você tem de comida para alimentar minhas aceroleiras?“.

Neste sentido, faz-se necessária uma amostragem de solo na área do futuro plantio. O laudo a ser emitido descreve a situação química e física deste perfil. A situação química mostra o quanto há de nutrientes disponíveis no solo, se o solo está ácido, quanto tem de matéria orgânica, qual a sua capacidade de reter nutrientes, se é necessário fazer calagem e se tem a presença significativa do alumínio.

Este elemento químico, em altas concentrações, prejudica o desenvolvimento do pomar e, claro, a produção de acerola.A situação física aponta se o solo é mais arenoso, mais argiloso ou se tem uma textura intermediária.

Estas análises sempre devem ser encaminhadas ao engenheiro agrônomo para que o mesmo apresente a melhor recomendação. Como cada propriedade tem um tipo de solo, cada produtor terá um tipo de recomendação a ser seguida.

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Para o preparo de solo, caso seja necessário revolvê-lo de forma a ficar muito exposto, ou seja, sem a proteção do mato ou de outro cultivo, convém realizar o preparo em nível para evitar problemas com erosão ocasionada por fortes chuvas, que podem arrastar a terra para locais onde não será plantado e até assorear córregos e riachos.

Neste aspecto, quanto menor a matéria orgânica constatada na análise química, mais suscetível à erosão será este solo, pois ele terá menos “liga“. Então, é muito importante o produtor cuidar da matéria orgânica, não deixando cair seus teores no solo ao longo da condução do pomar. Este fator é muito importante na sustentabilidade da produção da acerola.

A aceroleira pode florescer e frutificar várias vezes durante o ano - Crédito Pixabay
A aceroleira pode florescer e frutificar várias vezes durante o ano – Crédito Pixabay

Correção do solo

Quando se faz uma aração ou gradagem no solo antes da implantação do pomar de acerola, geralmente é o momento de aplicar um calcário que vai corrigir o pH do solo, fornecer os nutrientes cálcio (Ca) e magnésio (Mg), e assim tornar a terra mais fértil para receber as mudas de aceroleiras. Lembrando que o calcário reage de forma lenta no solo e, portanto, se houver necessidade de aplicá-lo, tentar fazer com 90 dias de antecedência ao plantio.

Para os demais nutrientes “fósforo (P), potássio (K), nitrogênio (N), enxofre (S), zinco (Zn), boro (B), cobre (Cu), manganês (Mn) – quando forem aplicados, estes têm ação mais rápida e suas quantidades vão depender das recomendações técnicas indicadas pelo engenheiro agrônomo.

Numa visão prática, o solo deve estar “macio e profundo“, para que as raízes possam crescer de forma livre e a planta mostrar todo seu potencial produtivo.

Erros

Destaca-se que o produtor deve evitar solos compactados, pedregosos, encharcados, áreas com histórico de geada e muito distantes das indústrias de processamento de suco e polpa, assim como de mercado para consumo de acerola in natura.

Caso o solo seja muito arenoso ou muito argiloso, recomenda-se adicionar adubo orgânico de qualidade desde o plantio do pomar. Isso aumentará a “vida“ do solo e, também, a absorção de nutrientes, além de aumentar a retenção de água num solo arenoso e arejar o solo mais argiloso.

A planta é exigente quanto à insolação, que influencia na produção de vitamina C - CréditoUnesp
A planta é exigente quanto à insolação, que influencia na produção de vitamina C – CréditoUnesp

Essa matéria completa você encontra na edição de julho 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.