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Produção sustentável

Amazônia – Crédito: Shutterstock

Produzir alimentos seguindo o conceito da sustentabilidade é quase uma obrigação para conquistar espaço nos grandes mercados consumidores, especialmente na Europa e Estados Unidos.

Mais ainda: a conservação dos solos, da água e das florestas é condição necessária para manter a longevidade dos negócios no setor da agropecuária. Hoje, o Brasil dispõe de tecnologias para auxiliar quem deseja trabalhar em parceria com a preservação ambiental.

Na Amazônia, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta, institutos de pesquisas públicos e privados, ONG´s e comunidades desenvolvem projetos com este objetivo.

Castanheira

Entre as décadas de 1960 e 70, muitos produtores rurais, de diversas partes do Brasil, rumaram para a Amazônia. Incentivados pelo governo militar que queria expandir as fronteiras agrícolas do País, brasileiros de todas as regiões partiram em busca de alternativas para explorar a floresta.

É o caso do agrônomo Sérgio Vergueiro que, em 1971, trocou São Paulo pelo Amazonas. De imediato, começou a implantar sua fazenda, a Aruanã, em Itacoatiara, destinada a criação de gado regional e de touros da raça nelore. Sérgio abriu 3 mil hectares de terra, mas conservou todas as áreas de preservação permanente (APP´s).

Com o tempo, a pastagem foi se degradando e seria preciso fazer a destoca (arrancar raízes e troncos de árvores). Serviço custoso que nem sempre dá o retorno esperado. Sérgio decidiu seguir um rumo bem diferente: apostou no cultivo da castanheira (Bertholletia excelsa HBK), mais conhecida como castanha do Pará ou castanha do Brasil, em sistema de consórcio com a pastagem.

O início foi difícil, pois Sérgio não conseguia produzir mudas da árvore e o gado não se alimentava da planta. Com tecnologia e paciência, o agricultor foi vencendo os desafios.

Biodiversidade e agricultura

Foram 15 anos de espera até a produção do ouriço (o fruto da castanheira) em quantidade suficiente para a comercialização. Hoje, o castanhal da fazenda tem 1,2 milhão de árvores.

 “Reflorestamos toda a área de 3 mil hectares e plantamos mais 700 em antigas pastagens degradadas. Paguei com juros o desmatamento de 3 mil/ha, reflorestando 3,7 mil/ha”, diz Sérgio. A castanheira do Brasil é uma árvore nativa da Amazônia ameaçada de extinção, por isso o reflorestamento é muito importante.

No sistema silvicultural, a castanheira é uma das espécies mais promissoras para a recuperação de áreas degradadas na região devido à resistência ao plantio homogêneo e ao crescimento rápido sem necessidade de fazer adubação nem usar defensivos.

Em 2006, Sérgio Vergueiro criou o Instituto Excelsa para incentivar o cultivo da castanheira em pequenas comunidades. As mudas são distribuídas de graça e os plantios, cadastrados e georreferenciados. Até agora, foram entregues 650 mil mudas a, pelo menos, 190 comunidades.

“É um trabalho de formiguinha, né? O meu prêmio é esse. A gente conseguir levar tudo o que aprendeu para os pequenos produtores que têm necessidade de melhorar a sua renda e, também, recuperar essas pequenas áreas que poderiam ficar degradadas. Esse é o trabalho do agrônomo, de extensão”, conta Sérgio.

O viveiro de mudas tem o registro nacional de produtores de sementes e mudas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e, com isso, é possível rastrear toda a história da planta desde a matriz.

A exploração da madeira é outra fonte de renda importante. O metro cúbico é vendido na forma de créditos de reposição florestal para quem desmatou e está em dívida com o governo.

Referência no MT

A fazenda Paraná fica em Barra do Garças (MT), município localizado dentro da área da Amazônia Legal, composta por nove Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão. A Amazônia Legal foi instituída com o objetivo de definir a delimitação geográfica da região política captadora de incentivos fiscais com vistas à promoção de seu desenvolvimento regional.

 Em 1995, o engenheiro civil Carlos Roberto Della Libera comprou a propriedade e desmatou uma parte para plantar soja. Em 2008, ele decidiu diversificar a produção da fazenda e investir no sistema ILPF – Integração Lavoura Pecuária Floresta – desenvolvido no Brasil pela EMBRAPA.

A diversificação começou com o plantio da leguminosa Acácia mangium (nativa da Austrália). Depois de muitas pesquisas, Carlos trouxe a árvore para o Brasil e resolveu reflorestar as áreas desmatadas.

No sistema, o solo é protegido com a queda das folhas da acácia que formam uma camada orgânica evitando erosões. “O solo fica rico em nutrientes e o gado se alimenta da acácia. Os animais ficam mais saudáveis com as sombras das pastagens arborizadas, onde o conforto térmico é melhor”, afirma Carlos.

A madeira da acácia gera renda e ainda serve como lenha, escoramento na construção civil e fabricação de móveis, além de ser utilizada na confecção das caixas das abelhas.

O plantio das acácias acabou por atrair milhares de abelhas para a fazenda, o que estimulou Carlos a investir, também, na produção de mel. Hoje, a propriedade tem cerca de mil colmeias e todo o mel, envasado no local, é comercializado.

A diversificação, de forma integrada, só aumentou com o passar do tempo. A melhora na qualidade da pastagem trouxe uma outra ideia: criar porcos caipiras e outros animais para a venda, como mulas e burros, que antes serviam apenas para o trabalho na fazenda.

O conforto animal, aliás, é uma preocupação constante na propriedade. Os animais de serviço possuem escala de trabalho: depois de meio período no campo, descansam por alguns dias para retornarem com mais vitalidade e a saúde em dia.

Com a integração, as atividades se completam. Uma ajuda no desenvolvimento da outra e o aproveitamento da área é muito mais racional.

A fazenda Paraná tem 34 mil hectares, 14 mil estão preservados. E ainda tem a área de 3,5 mil hectares do consórcio de gado com acácia. “Toda a fazenda é certificada como orgânica. É mais produtivo trabalhar ao lado da natureza do que contra ela”, destaca o engenheiro.

Fonte: Croplife Brasil

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