Produce lança modelo de negócio

Startup criada em Santa Catarina investe em campanha nacional que oferece de eletrodoméstico até colheitadeira para atrair produtores e consultores.

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Crédito Produce

O agronegócio ganha, a cada dia, mais holofotes. Com capacidade de expansão de produtividade e produção e de geração de oportunidades de emprego e de negócios, o setor é, reconhecidamente, um dos mais importantes da economia brasileira e uma das principais locomotivas do progresso do país.
Esse cenário despertou o interesse de quem atua nos mais diferentes setores, mesmo em áreas urbanas, e vem provocando um movimento de pessoas que decidiram trocar a vida na cidade pelo campo.
Essa migração ao contrário é o que os especialistas chamam de neoruralismo. O fenômeno é observado tanto dentro da porteira, com o retorno dos filhos da cidade para o campo, garantindo a sucessão familiar, como também fora da porteira com o ingresso de trabalhadores das mais variadas áreas, de técnicos a profissionais especializados. O fenômeno vem ganhando força com o crescimento das startups focadas no agro, que servem de porta de entrada para a nova tendência.
É o caso do administrador e especialista em marketing, Guilherme Trotta, que há três anos trocou a atuação em grandes empresas do centro do país para apostar na Produce, com sede em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
Criada para tornar a venda de insumos e grãos mais colaborativa, a startup tem como estratégia promover a inclusão de profissionais, não só do agro mas também de outros setores, nas relações comerciais do agronegócio. “A Produce é a porta de entrada, ser nosso consultor é uma oportunidade para quem quer trabalhar no agro, mas não sabe como começar, não é agrônomo ou não conhece o mercado”, afirma Trotta.

A estratégia que deu certo

Atualmente, um verdadeiro exército, com mais de três mil consultores, está espalhado de Norte a Sul do País, atuando na comercialização de insumos e produtos e na assistência ao produtor rural. Um aumento de 441% no período entre janeiro de 2021 e janeiro de 2022, o que torna os Producers (como são chamados os consultores) a maior força de vendas do agronegócio no Brasil.
O modelo de negócio vem alcançando excelentes resultados e os números são extraordinários. O plano de crescimento de vendas para 2022, que era de 300%, foi superado com folga. “Já está em 629% e o número de produtores atendidos aumentou em 251%, então vamos precisar rever esse plano”, projeta Trotta.
O portfólio de produtos, como fertilizantes e sementes de grãos, oleaginosas e pastagens, foi ampliado em 240%. A empresa, criada em 2019, é investida por um family office e tem atuação em todo o país.
No Noroeste do Paraná, Raphael Uehara comemora os cerca de 40 produtores rurais que atende em Maringá e municípios próximos, especialmente no cultivo de milho. Além das vendas, o estudante de Agronomia atua no desenvolvimento, já praticando a futura profissão. “Trabalhamos com os melhores híbridos de milho disponíveis no mercado e oferecemos o melhor atendimento ao cliente. Eu apresento o produto e acompanho a safra, desde o plantio até a colheita e também o controle de pragas. Em alguns casos, montei um campo experimental pra ver se o produtor aprova o produto”, relata o jovem de 22 anos, que tem na carteira de clientes duas grandes fazendas que são referência na região.
Raphael entrou para a Produce a partir de um currículo enviado para a empresa há menos de um ano e conta que o modelo de vendas, sem intermediários e sem burocracia, é muito mais eficiente e está agradando. “O produtor está gostando porque é a empresa em contato direto com ele. E para mim, estar próximo ouvindo o seu conhecimento e entendendo suas necessidades, me ajuda a ter sabedoria para lidar com as adversidades e entregar as melhores soluções”.

Rede de contatos

O diretor Trotta explica que a empresa tem como base do modelo de negócio o relacionamento entre as pessoas e são esses contatos que interessam. “Atuamos na venda direta porque identificamos uma demanda no campo, o produtor não quer ser atendido por um vendedor, prefere uma pessoa em quem ele confia, um amigo que lhe venda os insumos e produtos para a propriedade. Viemos para preencher esse espaço. Por isso, o que queremos do consultor não é investimento em dinheiro e sim a aproximação do produtor com a Produce, através da sua própria rede de contatos”, detalha.
A startup oferece treinamento, capacitação e acesso gratuito à plataforma, por meio de aplicativo. Os consultores são acompanhados, de perto, por um time de engenheiros agrônomos da própria Produce. A startup também é a responsável pela logística de distribuição e cobrança, entregando ao produtor o que foi acertado com o consultor.
Trotta lembra que o produtor rural entende muito sobre as formas de plantio, as máquinas que utiliza, tem visão de negócio e sabe em que pretende investir. “Ele conhece os produtos e consome tecnologia, mas na hora do insumo agrícola prefere uma relação de mais simplicidade, sem se arriscar em um site mirabolante de compras e é aí que entramos. Por isso o nosso modelo está em constante aperfeiçoamento. Estamos sempre nos aprimorando, assim como o mundo e as tecnologias, acompanhando tudo de perto”.

Campanha Força Produce

Criada em 2019 em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a startup tem como base do modelo de negócio o relacionamento entre as pessoas e vem alcançando excelentes resultados. Tanto que o objetivo dos diretores da Produce é chegar ao final de 2022 com mais de 15 mil representantes em todo país e constituir a maior força de comercialização do agronegócio brasileiro.
E, para isso, a empresa acaba de lançar a Campanha Força Produce, onde a compra de produtos do portfólio, como fertilizantes e sementes de grãos, oleaginosas e pastagens revertem em moedas Produce.
A campanha funciona assim: as moedas são cumulativas e as trocas por prêmios podem ser realizadas durante o período de vigência da campanha, que vai até 30 de novembro para os produtores rurais. Para os consultores, o prazo encerra em 15 de junho.
“Nossas vendas são diferenciadas porque temos, como estratégia, a inclusão de profissionais, não só do agro mas também de outros setores, nas relações comerciais do agronegócio. São os nossos três mil Producers que, juntos, formam a maior força de comercialização do agronegócio no país,”, explica o diretor Trotta.
Segundo o executivo, a iniciativa partiu de uma demanda identificada no campo, de que o produtor rural prefere ser atendido por uma pessoa em quem ele confia, ao invés de vendedores, na hora das compras. “Na venda direta, nossos consultores é que fazem a aproximação do produtor com a Produce. Eles partem a partir da sua própria rede de contatos e são esses contatos que interessam”, detalha.
Os consultores são acompanhados de perto por um time de engenheiros agrônomos da própria Produce. A startup é responsável pela logística de distribuição e cobrança, entregando ao produtor o que foi acertado com o consultor. Trotta reitera que o produtor rural tem visão de negócio e sabe onde precisa investir. “Ele conhece os produtos e consome tecnologia, mas na hora do insumo agrícola prefere uma relação de mais simplicidade. Por isso o nosso modelo está em constante aperfeiçoamento, assim como o mundo e as tecnologias, acompanhando tudo de perto”.