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Produtores de algodão apostam na gestão da pulverização por drones para produzir mais

Divulgação

O plantio da nova safra 2023 de algodão no Brasil já começou e deve ser intensificado. Os trabalhos vão se estender até fevereiro. O ciclo, um dos mais longos dentre as culturas agrícolas, dura, em média, 200 dias. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) prevê um aumento na área de plantio e consequentemente na colheita. Os cotonicultores pretendem desbancar os Estados Unidos, maior exportador da fibra, dentro de oito anos, e assumir a ponta dos negócios no mundo. Os norte-americanos comercializaram 3,4 milhões de toneladas em 2021, o dobro dos brasileiros com 1,7 milhão de toneladas. Os brasileiros apostam na tecnologia para obter sucesso.

A Abrapa acredita em um aumento da área de produção para a próxima safra, batendo o recorde alcançado em 2019 e chegando a 1,78 milhão de hectares plantados, um crescimento de 9,3% com relação à safra 21/22 (1,63 milhão de hectares). A expectativa é de produção de 3,1 milhões de toneladas, uma variação de 27% ante os atuais 2,5 milhões. As projeções levam em conta os cálculos estimados por associadas da Abrapa, em setembro de 2022. Com expectativa de alta demanda internacional, o lucro de um hectare de algodão pode ser quatro vezes superior a um de soja.

Fatores externos podem auxiliar o país a se tornar o principal exportador mundial pelo fato das terras dos Estados Unidos estarem sendo afetadas pelo clima. As secas no Texas e o excesso de precipitação no sudeste americano podem reduzir notavelmente a produção do país. Visando preservar a segurança alimentar dos anos seguintes, a China é um país que possivelmente também vai diminuir sua área de plantação. Esse quadro gera uma expectativa positiva aos produtores, pois além disso, o produto brasileiro tem conquistado ainda mais a confiança internacional e a probabilidade é de que o investimento aumente.

Segundo a Abrapa, a fibra é produzida em todos os continentes, chegando a mais de 70 países. 32 milhões de hectares são plantados, o que resulta em US$ 10 trilhões por ano. Nessa conjuntura, o Brasil tem grande representatividade por ser o segundo maior exportador, o quarto maior produtor do mundo, e o sétimo maior consumidor. Em 2022, o Valor Bruto da Produção (VBP) de algodão é de R$ 41 bilhões, nomeando essa a quarta cultura mais significativa para o país, atrás somente da soja, cana de açúcar e milho.

O algodão brasileiro também se difere por carregar a sustentabilidade como um de seus compromissos. Em torno de 84% da produção nacional é assegurada pelo protocolo ABR, que preserva as boas práticas agrícolas e a utilização consciente de insumos.

Pragas
A produção de algodão brasileiro também sofre com as pragas. A mais importante é o Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis). A planta também é atacada pela Broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis); Mosca branca (Bemisia tabaci biótipo B); Pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii); Percevejo castanho da raiz (Scaptocoris castanea); Curuquerê do algodoeiro (Alabama argilacea) e a Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens).

O bicudo-do-algodoeiro traz muitos prejuízos aos produtores em razão da sua rápida capacidade reprodutiva e de destruição. Os níveis de infestação crescem rapidamente e os prejuízos podem atingir até 100% da produção, caso as medidas de controle não forem adequadas.

Agricultura de Precisão
A tecnologia é uma das armas para acabar com o bicudo e as outras pragas que atingem o algodão. Recentemente, aconteceu um treinamento para a maior operação envolvendo drones para o setor do algodão, em seis estados, ao longo da safra 2022/23. O projeto envolveu associações de produtores de algodão da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde acontecem pulverizações com 100% de rastreabilidade e utilizando os melhores padrões de aplicação com foco em qualidade e sustentabilidade.

O projeto inovador tem como objetivo identificar novas alternativas de alta eficiência para o controle de pragas e doenças no algodão, liderado pela Better Cotton Initiative e Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, com foco na melhor eficiência da aplicação de defensivos agrícolas. O alvo principal será o controle do Bicudo do Algodoeiro, aliando o know-how da Perfect Flight, a primeira plataforma de gestão e rastreabilidade de pulverização aérea do mundo, juntamente com as associações, e tecnologia de ponta da Agridrones Solutions e DJI.

Os drones podem ser tanto controlados à distância, quanto podem ser pré-programados para realizar suas funções e executar movimentos complexos nos monitoramentos e na aplicação dos produtos.

Os benefícios do uso do aparelho são muitos. Avaliando no cenário econômico, é eficaz e vantajoso, pois faz uma aplicação localizada e diminui a quantidade de insumos. É uma ferramenta também precisa e segura já que o voo automático é feito por coordenadas e o operador não fica em contato com o produto. “A Perfect Flight analisa o local que será realizado a aplicação de defensivo, considerando também a influência de fatores externos, como áreas com presença de animais e pessoas e as condições climáticas. É importante estar atento a essas questões para definir o momento mais adequado para fazer a aplicação. Nossa gestão de pulverização aérea é também muito segura, ela é fundamentada em mapas de aplicação.”, disse Kriss Corso, CEO da Perfect Flight.

De acordo com Kriss Corso, essa análise evita a dispersão dos produtos para outras áreas. “Protege o meio ambiente e comunidades do entorno e diminui os gastos com insumos e água, tempo de voo e combustível, em virtude do planejamento preciso do voo sobre o plantio. Por meio da tecnologia os produtores de algodão terão mais ferramentas para alcançarem as metas”, afirmou.

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