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Proteção fitossanitária

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Sucesso na lavoura de amendoim

Amanda Rolim Angelico Graduanda em Agronomia – Faculdade de Ensino Superior e Formação Integral (FAEF, Garça – SP)amandaangelico@hotmail.com

Caroline dos Santos Ferreira Graduanda em Engenharia Florestal – FAEFcarol.ferreira196@gmail.com

Marcelo de Souza Silva Engenheiro agrônomo, doutor e professor – FAEF  mrcsouza18@gmail.com

Amendoim – Foto: Shutterstock

Com a alta da demanda alimentícia, as produções agrícolas crescem paralelamente ao crescimento populacional, muitas vezes excedendo esse limite por necessidades da própria produção, o que acarreta maior uso de produtos fitossanitários para a defesa das plantas contra ação de microrganismos patogênicos.

É importante destacar que ao passo que as áreas de produção e produtividades agrícolas aumentam, será preciso maior esforço com adoção de barreiras fitossanitárias para o controle de doenças.

Com isso, a adoção de medidas fitossanitárias é fator responsável pelo sucesso da lavoura, não sendo diferente para cultura do amendoim, que sofre muito com a ocorrência de doenças foliares, gerando preocupações recorrentes aos produtores. 

As principais doenças que ocorrem no amendoim podem causar a redução de 10% a mais de 50% na produção de vagens, quando medidas de controle não são utilizadas. Os principais problemas podem ocorrer tanto na fase de plantio, com as doenças de sementes e plântulas, como durante o desenvolvimento da cultura, com as doenças causadas por fungo do solo ou da parte aérea, e após a colheita, com fungos produtores de aflatoxina ou de grãos armazenados.

O sucesso da técnica

Visando aumentar o sucesso do controle das doenças, o produtor deve priorizar em utilizar todas as medidas de controle das doenças, devendo-se considerar a possibilidade de combinar o uso de cultivares com resistência parcial e aplicações de fungicidas.

As características de resistência parcial de cultivares torna possível o cultivo sem maiores preocupações mesmo quando  as regiões de produção ficam em locais com condições climáticas são favoráveis à maior severidade da mancha preta e outras doenças foliares.

Os produtos com tecnologia fitossanitária são amplos dentro das culturas agrarias podendo ser protetores, curativos ou erradicantes. Para uma aplicação de sucesso é fundamental conhecimentos básicos do produto utilizado e a forma de aplicação, as características do patógeno, a tecnologia de aplicação, bem como os fatores climáticos que podem afetar no resultado, como temperatura e velocidade do vento.

Com a adoção conjunta de todos os cuidados, a aplicação poderá ser de maior eficiência, com segurança, e menores resíduos ou gastos para a propriedade. Não podemos diminuir a importância do acompanhamento técnico, que dará segurança ao produtor na tomada das decisões, fazendo com que todo esse conjunto de fatores funcionem conjuntamente.

Manejo

Assim como realizado em outras culturas de importância agronômica, o sucesso do tratamento fitossanitário começa com um bom tratamento químico das sementes com fungicidas, sendo considerada uma prática obrigatória para o amendoim, sobretudo para a prevenção/controle das doenças de pré e pós-emergência (tombamento das plântulas), visando manter um estande ideal de plantas.

Neste momento, já se faz necessário olhar a frente, entendo que existe um complexo de agentes patogênicos danosos a cultura do amendoim, sendo assim, recomenda-se que sejam empregados produtos fitossanitários com espectro mais amplo ou combinações de fungicidas, que podem proporcionar uma proteção adequada.

Para tal, já existem alguns fungicidas com efeito comprovado após realização de testes em sementes de amendoim, como aqueles a base de thiram, captan, carboxin, difenoconazole e combinação carboxin + thiram, que atuam na proteção das sementes e plântulas contra fungos que permanecem no solo. Outro ponto crucial é que tais produtos não interferem no processo de germinação e não causam sintomas de fitotoxicidade.

Atenção

Um recado a produtores e empresas que atuam no segmento, o tratamento fitossanitário não melhora a qualidade fisiológica de uma semente ruim, somente a protegerá do ataque dos agentes patogênicos, e que, mesmo utilizando sementes de alta qualidade, se elas não forem tratadas com fungicidas, haverá problemas com o estabelecimento de uma boa população de plantas, podendo ocorrer prejuízos de até 50%.

A adoção conjunta de práticas culturais, como época de plantio, vigor das sementes, densidade de semeadura e distribuição de sementes na área cultivada, preparo de solo e adubação também são importantes para garantir o sucesso do controle fitossanitário.

A diminuição da infestação também pode ser realizada por meio do arranque ou destruição  de plantas infestadas, assim como de restos culturais contaminados do cultivo anterior, sendo possível ainda a realização de aração profunda para aterrar esses materiais.

A ocorrência e o nível de severidade das doenças na cultura são extremamente influenciados pelas condições climáticas da região de cultivo, sendo assim, o nível de severidade das doenças foliares pode variar de região para região, o que implica dizer que cada produtor deve adotar um programa de manejo diferenciado, que vá ao encontro das características do seu sistema de cultivo.

Manejo integrado

Em geral, além do tratamento das sementes com fungicidas citado anteriormente e das medidas culturais, ainda é interesse fazer uso do controle químico, sobretudo focado na supressão das principais doenças da parte aérea, como as manchas preta e castanha, a verrugose e mais recentemente a ferrugem.

Nesse momento, a escolha correta do produto parte do princípio de sua capacidade de controlar o maior número de doenças prevalentes na cultura, além de sua compatibilidade com os inseticidas que controlam as pragas mais prejudiciais. De maneira geral, pode-se dizer que antes do controle das doenças com fungicidas químicos, é importante considerar os fatores a seguir:

1 – Escolha do fungicida: uso de fungicidas mais eficientes, protetores, como os triazóis ou a base de Pyraclostrobin, sendo recomendado a alternância de fungicidas protetores e sistêmicos, com objetivo de aumentar o espectro de controle das doenças e evitar o surgimento de resistência aos fungicidas. Um ponto que é observado pelos produtores de amendoim é que a aplicação do inseticida thiamethoxam para controle do tripes ajuda na diminuição de verrugose, podendo ser explorada nos programas de manejo integrado.

2 – Correta dose e volume de calda: ainda na atualidade, observa-se que muitos produtores fazem uso de doses e/ou volumes de caldas diferentes daqueles recomendados em bula, sendo essa prática prejudicial à própria exploração da cultura. Entende-se que doses menores a pulverização é desperdiçada, pois não controlam as doenças, enquanto doses maiores às recomendadas, além de aumentar o custo da pulverização, podem causar fitotoxidez nas plantas.

3 – Tecnologia de aplicação: sob qualquer perspectiva, buscar uma aplicação com maior e melhor cobertura foliar é parte fundamental do processo, para tal, deve-se ajustar os equipamentos para conseguir êxito nessa operação, como seleção de bicos (cônicos vazio), pressão na barra de pulverização adequada, quantidade de calda suficiente, principalmente quando se trabalha com fungicidas sistêmicos.

4 – Momento da aplicação: O tratamento fúngico é mais eficiente quando aplicado preventivamente ou no momento que surgem os primeiros sintomas da doença (normalmente entre 40 e 50 dias do plantio). O intervalo de aplicação pode variar conforme fungicida empregado, sendo normalmente menor para produtos com ação protetora ou quando às condições climáticas são favoráveis à ocorrência das doenças, como alta umidade e temperaturas. O produtor precisa estar atendo ao monitoramento regular da lavoura, bem como conhecer as características das principais doenças foliares, evitando-se a aplicação calendarizada e buscando controlar a doença com base no nível de controle de cada doença.

Em campo

A produção de amendoim no Brasil supera as 580,5 mil toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cinco anos antes, eram cerca de 500 mil toneladas – o que revela crescimento de 16% no período. Muito desse bom resultado deve-se aos cuidados fitossanitários dos produtores rurais para evitar prejuízos.

Dentre os principais erros associados ao controle de doenças no amendoim pode-se citar o uso do produto inadequado, equipamento desregulado ou danificado, implicando em doses incorretas, ou seja, sub e superdosagens; aplicações seguindo calendários de aplicação, sob condições climáticas inadequadas; falta de acompanhamento da qualidade da água, dentre outras.

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Emater em 2018, quase 46% das aplicações com produtos fitossanitários são desperdiçadas por erros humanos. Assim, para corrigir esses problemas, faz-se necessário acompanhamento técnico, sobretudo do engenheiro agrônomo.

Investimento x retorno

O custo de produção de qualquer cultura pode variar em função de vários fatores, como sistema de cultivo, disponibilidade de insumos e suporte técnico, disponibilidade de mão de obra, custo de arrendamento da terra, bem como a precificação dos insumos no mercado internacional.

Na safra 2020/21, o custo médio por hectare de R$ 12.363,78 e receita de R$ 16.200,00, para região de Jaboticabal – SP (Dados: Henn Consultoria). O elevado custo com os defensivos agrícolas justifica-se por ser a cultura de amendoim muito susceptível a pragas (Tripes sp.) e doenças (Cercospora spp.) e assim, exige-se elevada quantidade de aplicações. Cerca de 30% do custo de produção é gasto com inseticidas e fungicidas para o controle químico de pragas e doenças.

É preciso entender que independente do histórico da área, são necessárias de seis a nove aplicações de fungicida durante todo o ciclo da cultura do amendoim, em 100% da área em caráter preventivo.

Em situações que ocorreram ausência do controle de doenças, ao se aproximar do final do ciclo, o produtor irá se deparar com plantas muito depauperadas, dificultando e/ou impossibilitando o processo de inversão das plantas, ou seja, irá afetar drasticamente na colheita.

Pode-se dizer então que além da manutenção do nível elevado de produtividade, o benefício do controle das doenças contribui positivamente para com a realização do processo de colheita sem riscos de grandes perdas.

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