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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Pupunha para palmito

Impulsiona desenvolvimento econômico

Paula Almeida NascimentoEngenheira Agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)paula.alna@yahoo.com.br

Crédito: Shutterstock

A pupunheira (Bactris gasipae) é uma espécie de planta da família das Arecáceas. É encontrada na América Central e, no Brasil, é típica da bacia Amazônica. A importância econômica da palmeira é pela produção de frutos e palmitos de sabores agradáveis e alto valor nutritivo.

Os frutos são ricos em vitamina A, produzidos em cachos e consumidos após cozimento, muito utilizados na fabricação de bolos e pães. O palmito de sabor adocicado não escurece após ser cortado.

As raízes das plantas podem ser utilizadas como vermicidas. As flores masculinas são usadas como temperos. Seu tronco pode ser usado como matéria-prima de móveis, construções e artesanatos e as folhas como cobertura ou telhado para habitações.

A planta pode atingir 20 metros de altura e 25 cm de diâmetro. As folhas são grandes, com até quatro metros de comprimento, com diversos folíolos. Os frutos jovens são verdes e quando maduros apresentam coloração amarelada ou avermelhada.

Algumas espécies podem apresentar sementes oleaginosas de cor negra e endocarpo duro. Na planta se encontram flores masculinas e femininas, de odor agradável, atraindo polinizadores.

A propagação pode ser por brotações, que ocorrem espontaneamente na base do caule da planta-mãe. É comum encontrar até cinco árvores unidas pela mesma base. Esta Arecácea possui sistema radicular superficial, e por isso seu cultivo deve ser evitado em áreas de ventos fortes.

Nacional

O Brasil é considerado um dos maiores produtores e consumidores de palmito no mundo. O cultivo da pupunheira (Bactris gasipaes Kunth. var. gasipaes Henderson) para produção de palmito tem surgido como uma agricultura sustentável, pela geração de renda e conservação ambiental.

A pupunheira tem sido cultivada nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina e apresenta como vantagens a precocidade de corte, perfilhamento abundante, boa palatabilidade, ausência de oxidação do palmito produzido (escurecimento) e alta produtividade.

Desta forma, o Brasil se destaca mundialmente na produção de palmito. Entretanto, parte de sua produção é baseada na exploração de espécies nativas, como a Juçara, nativa da Mata Atlântica e o açaí, nativo da Floresta Amazônica.

Espécies nativas

A extração das espécies nativas tem contribuído para sua extinção, em especial do Juçara, que morre após a colheita do palmito. Além disso, a pupunha perfilha e tem a vantagem de ser precoce, pois começa a produzir palmito 18 meses após o plantio e continua produzindo por pelo menos mais 10 anos.

A rusticidade, vigor e produtividade da planta são vantagens valorizadas pelos produtores rurais. O palmito não escurece rapidamente após o corte, o que é uma vantagem em relação as outras palmeiras e possibilita a venda in natura, com maior valor agregado.

Tipos de palmito

O palmito in natura é comercializado no mercado, entretanto, o produto apresenta uma vida útil de prateleira pequena. O palmito pupunha é o mais adequado para a comercialização in natura, porque não apresenta escurecimento causado pela ação das enzimas após o corte, ao contrário dos palmitos Juçara e Açaí.

O palmito pupunha é mais doce, apresenta coloração amarelada e textura mais macia, características que ajudam a garantir uma boa aceitação por parte dos consumidores. E, para aumentar a vida útil de prateleira do palmito, o produto deve ser embalado em atmosfera modificada e refrigerada.

Nas saladas é que o palmito encontra sua maior utilização. Na forma de toletes cortados, fatiados ou mesmo picados, enobrece os pratos. Adequado para cobertura de pizzas, é um ingrediente de recheio de empadas, empadões, pastéis, tortas e sopas.

Condições para o cultivo

As condições edafoclimáticas favoráveis ao cultivo, a adoção de boas práticas no sistema de produção de pupunha, com mudas de qualidade, adubação e manejo, permite ao produtor obter produtividade e qualidade satisfatórias no palmito, sendo uma alternativa de renda e agregação de valor nas pequenas e médias propriedades, além da agroindústria.

O melhor clima para a pupunheira é quente e úmido, com média de temperatura de 22ºC, chuvas abundantes e distribuídas ao longo do ano. A planta é exigente em fertilidade e exige solo bem drenado, com textura média. A pupunha não tolera solos encharcados e geadas. A pupunha necessita de índices pluviométricos superiores a 2.000 mm, distribuídos ao longo do ano.

Na semeadura são utilizados tubetes de 290 ml, que são preenchidos com 80% de substrato e 20% de pó de serra na parte superior. A germinação ocorre de 90 a 120 dias. A muda deve permanecer no tubete o tempo necessário para formação e desenvolvimento de raiz.

Logo após esse período de adaptação as plantas já podem ser transferidas para o campo. As plantas são sensíveis e não toleram temperaturas frias.

Preparo do terreno

No preparo da área de plantio, deve-se realizar aração e gradagem. O espaçamento de cultivo indicado para produção de frutos é de 6 x 6 metros, em formato de triângulos, com uma quantidade de 277 árvores por hectare.

Já com o objetivo de realizar uma produção de palmito, o espaçamento deverá ser de 2 x 1 m, resultando de uma quantidade de 5.000 árvores por hectare. Experimentos realizados em áreas irrigadas do submédio São Francisco mostraram que o espaçamento ideal de cultivo da pupunha é de 2,0 m x 1,0 m ou 2,0 x 1,5 m, e o corte da planta deverá ocorrer quando seu diâmetro variar entre 9,7 a 13,4 cm.

A pupunheira se adapta bem a diferentes tipos de solo. Em solos ácidos é recomendável a calagem e adubação. Realizar a análise de solo e seguir as recomendações. Solos de textura muito argilosa ou compactados devem ser subsolados para diminuir a compactação. A melhor época para plantar a pupunha é da 1ª quinzena de novembro até a 1ª quinzena de dezembro.

O plantio da pupunheira no campo deve ser feito em áreas abertas, com alta incidência de luz. Recomenda-se plantar na época das chuvas.

Fitossanidade

As principais doenças da pupunheira são mancha foliar de curvularia e antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. Existe também a podridão-negra-dos-frutos, provocada pelos fungos Thielaviopsis paradoxa e Ceratocytis paradoxa, enquanto que as principais pragas que atacam a pupunheira são broca-do-olho-do-coqueiro (Rhyncophorus palmarum), a broca-rajada (Metamasius sp) e a abelha-cachorro ou arapuá.

Irrigação e tratos culturais

As plantações de pupunha devem ser irrigadas, em que a precipitação pluviométrica média anual é inferior a 2.000 mm. Os sistemas de irrigação localizada têm se mostrado mais adequados para o cultivo de palmáceas: microaspersão e gotejamento são os mais utilizados nos plantios da pupunheira.

Os tratos culturais para o plantio de pupunha são: controle de plantas daninhas com o uso de herbicidas, roçada manual ou mecanizada, cobertura morta e uso de leguminosas forrageiras.

Colheita

A colheita poderá ser iniciada após 18 meses, período que pode chegar a até 36 meses. O corte deverá ser realizado quando a haste possuir aproximadamente 10 cm de diâmetro, medidos a 10 cm do solo.

Os resíduos de colheita no campo devem ser distribuídos nas entrelinhas do plantio para manter a umidade do solo, reduzir a incidência de plantas daninhas e promover a ciclagem de nutrientes. Os resíduos da casca poderão também ser utilizados na alimentação animal ou na adubação.

Geração de renda

Segundo a Epagri, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (2019), no Brasil a produção de palmeira está em pleno desenvolvimento. Estima-se que a cultura movimenta em torno de R$ 35 milhões por ano, incluindo a palmeira Real, Pupunha, Imperial, as nativas, como a Jussara e alguns híbridos que já estão sendo desenvolvidos em pesquisa.

O cultivo de palmáceas garante sustento de aproximadamente 2,0 mil famílias de agricultores em Santa Catarina. São mais de 20 milhões de hastes de palmito por ano, a maior parte processada em cerca 50 agroindústrias, de onde saem, anualmente, 36 milhões de vidros de conserva.

A rentabilidade econômica do cultivo de pupunheira é muito lucrativa. O cultivo da pupunha para palmito apresenta valor presente líquido positivo a partir do segundo ano e com melhor desempenho no quinto ano.

Zoneamento edafoclimático

Para produção de palmito existe zoneamento edafoclimático. As pesquisas identificam as áreas aptas e os períodos de plantio de menor risco climático para a cultura. Um exemplo de sucesso de zoneamento agroclimático da pupunha foi realizado no Estado de Santa Catarina pela Embrapa Florestas e a Epagri.

 No Estado de Santa Catarina 25 municípios apresentam parte da sua área com possibilidade de cultivo da pupunha. Conforme a pesquisa realizada, cerca de 3,4% do total da área de Santa Catarina tem cultivo preferencial, 1,2% tem cultivo tolerado e 95,4% cultivo não recomendado.

Desta forma, a temperatura média do ar foi o critério utilizado no zoneamento agroclimático mais restritivo, seguido da geada e do volume total de precipitação anual. Assim, o regime térmico foi o fator limitante para o plantio recomendado e tolerado em Santa Catarina.

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