Quais as inovações no cultivo do mamão?

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Autores

Martha Cristina Pereira Ramos
Mariane Aparecida Rodrigues
Renata Amato Moreira
Doutorandas na Agronomia/Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Leila Aparecida Salles Pio
Professora – DAG/UFLA
leilapio.ufla@gmail.com
Fotos: Leila Aparecida Salles Pio

A cultura do mamão exerce uma grande importância socioeconômica para a fruticultura nacional, empregando cerca de 33 mil pessoas e movimentando R$ 900 milhões. As exportações já passam de US$ 50 milhões.

O Brasil destaca-se como segundo produtor mundial e o terceiro exportador da fruta, com uma produção de mais de 1,5 milhão de toneladas em uma área plantada de quase 32 mil hectares (IBGE, 2018).

A produtividade média das cultivares no Brasil giram em torno de 50 t/ha. Os maiores produtores de mamão do Brasil são encontrados nos Estados do Espírito Santo e Sul da Bahia (ABF, 2018), concentrados nas regiões: extremo sul da Bahia, com rendimento médio de 73,3 t/ha; Norte do Espírito Santo, com 63,0 t/ha; oeste baiano, com 61,1 t/ha; (Lucena, 2016). 

Inovações

A Embrapa Mandioca e Fruticultura vem realizando atividades de pesquisa associando sustentabilidade e produtividade para a cultura, com o desenvolvimento de práticas que permitam reduzir de forma consistente o uso de defensivos e o custo de fertilizantes, priorizando a redução do custo de produção até 2035 e com foco no aumento sustentável da produtividade média nacional do mamoeiro em 12%.

É feito por meio do controle de viroses (meleira e mancha anelar); controle de qualidade dos frutos (fitossanitária, organoléptica e vida útil); e manejo inadequado do solo e da água.

Há uma busca por variedades de alta produtividade, associadas às características de frutos que possam atender novos mercados. Viana et al. 2015 avaliaram diferentes linhagens e híbridos de mamoeiro, e concluíram que consumidores preferem frutos de variedades que apresentam coloração vermelha da polpa, sendo o híbrido H54.78 promissor para o mercado do grupo Solo, e o híbrido H36.45 e a linhagem L33 promissores para o mercado do grupo Formosa.

No manejo de solo têm-se buscado novas alternativas que não só adubação química. Silva et al. 2019, avaliaram o efeito da aplicação de adubo verde e biochar, com intuito de aumentar a fertilidade do solo e reduzir o uso de fertilizantes e concluíram que a aplicação individual ou combinada de biochar e mucuna aumenta o crescimento e a nutrição das plantas de mamão e mantém a fertilidade do solo.

E quando falamos em pós-colheita, o objetivo tem sido aumento do prazo de validade e redução do desenvolvimento de fungos, o que Freitas et al. 2018 obteve avaliando o uso de extratos de folhas e frutos de neem como revestimento para frutos de mamão Formosa.

Manejo

Para que as novas tecnologias sejam implantadas na cultura do mamoeiro deve haver uma união entre produtores, empresas produtoras de sementes e órgãos de pesquisa, tais como a Embrapa Mandioca Fruticultura.

Deve-se preconizar o desenvolvimento de genótipos resistentes às principais doenças da cultura e com características superiores às das cultivares comerciais. A Embrapa Mandioca e Fruticultura desenvolveu a Produção Integrada de Mamão (PI Mamão), que permitiu a capacitação de agentes da cadeia produtiva em boas práticas agrícolas e criou tecnologias para monitoramento e controle de pragas e doenças do mamoeiro.

Tais tecnologias permitem reduzir o uso de agroquímicos e o desenvolvimento de práticas conservacionistas que minimizem a degradação do solo e aumentem a sustentabilidade do sistema de produção da cultura.

Em termos de produtividade, ela representa:

Ü Mamão Formosa irrigado: 30 t/ha no primeiro ano e no segundo 140 t/ha.

Ü Mamão Havaí irrigado: 15 t/ha no primeiro ano, 65 t/ha no segundo e no terceiro 50 t/ha.

Em campo

Inicialmente, o produtor deve cuidar para que as plantas do mamoeiro estejam bem adubadas, pois assim resistirão melhor às pragas e às doenças. Como as plantas de mamoeiro estarão próximas a outras plantas de diferentes espécies, é recomendado que ao seu redor seja bem capinado, e nas ruas entre as fileiras das plantas o mato seja apenas roçado, deixando os restos para manter a umidade.

Outras medidas culturais recomendadas são: retirar folhas e frutos atacados, diminuir o excesso de sombra, manejar a quantidade de água de rega, não plantar plantas sadias na mesma cova onde plantas adoeceram no cultivo anterior, não usar mudas nem sementes de locais onde existiram plantas doentes e, quando necessário, usar o controle químico, dando preferência aos produtos alternativos.

Para que essas medidas funcionem é necessário que o agricultor faça o monitoramento do seu pomar.

Custo

O custo envolvido no cultivo do mamão Formosa irrigado é de R$ 32.750,00 – no primeiro ano e R$ 40.931,00 – no segundo. Já o mamão Havaí irrigado é de R$ 30.353,00 no ano de formação, R$ 34.573,00 no segundo ano e R$ 29.186 no terceiro, já com manutenção estável.

Segundo Ferreguetti (2018), o custo total de produção para o papaya do Grupo Solo, nas condições do Norte do Espírito Santo, quando avaliado, foi de R$ 73.772,58, com produtividade média de 82,4 t/ha, sendo 17,7 toneladas colhidas no primeiro ano e 64,7 t/ha no segundo ano, com preço médio de R$ 1,00 por kg (2010 a 2017).

Assim, a receita bruta foi de R$ 82.400,00 para cada hectare cultivado, possibilitando um lucro por hectare de R$ 8.627,42, ou seja, lucro bastante baixo. Quando considerado o custo total de produção para o papaya do Grupo Formosa, nas condições do Norte do Espírito Santo, foi de R$ 80.671,02, com produtividade média de 120,75 t/ha, sendo 52,65 toneladas colhidas no primeiro ano e 68,10 t/ha no segundo ano.

O preço médio considerado foi de R$ 0,90 por kg (2010 a 2017), gerando uma receita bruta de R$ 108.672,23 para cada hectare cultivado, possibilitando um lucro por hectare de R$ 20.001,21, considerado normal, tendo em vista o risco que a atividade oferece.