Quais os efeitos dos bioestimulantes em mudas de alface?

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Autores

Arnon Higor Leitão
Graduando em Engenharia Agronômica – Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP)
arnonhigorleitao2@gmail.com
Letícia Galhardo Jorge
Bióloga e mestranda em Botânica – IBB/UNESP
leticia_1307@hotmail.com
Bruno Novaes Menezes Martins
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura) – FCA/UNESP e professor do Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP)
brunonovaes17@hotmail.com
Fotos: JKS

No Brasil, a alface é a hortaliça folhosa de maior importância na alimentação, o que torna esta cultura de grande expressão econômica. Ocupa uma área equivalente a 91.172 ha, com produção de 1.701.872 toneladas e produtividade estimada de 18 t ha-1.

Vale ressaltar que a produção de mudas de qualidade constitui-se em uma das etapas mais importantes do sistema produtivo, influenciando diretamente no crescimento e produtividade da planta. Essa produção é altamente dependente da utilização de insumos.

Neste contexto, o aumento da demanda e exigência sobre a qualidade do produto estimula a utilização de novas tecnologias alternativas de produção, como o uso de bioestimulantes na etapa produtiva.

Quem são eles

Os bioestimulantes são misturas de um ou mais reguladores de crescimento (fitohormônios) com outros compostos de natureza química diferente, como aminoácidos, nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio), vitaminas, concentrado de algas marinhas e ácido ascórbico.

A utilização de bioestimulantes pode ser considerada uma técnica de sucesso para diversas espécies, uma vez que estas substâncias podem interferir no desenvolvimento vegetal, estimulando a divisão, a diferenciação e o alongamento celular.

Além disso, em estágios iniciais de desenvolvimento de plântulas, a aplicação de bioestimulantes pode promover maior crescimento do sistema radicular do vegetal, aumentando a absorção e a utilização de água e nutrientes pelas plantas, o que proporciona melhor desenvolvimento delas.


Efeitos dos bioestimulantes em mudas de alface:

Ü Promove o crescimento da raiz;

Ü Permite a rápida recuperação após o estresse hídrico;

Ü Aumenta a resistência a pragas e doenças;

Ü Maior equilíbrio hormonal;

Ü Acréscimo na assimilação de macro e micronutrientes;

Ü Maior desenvolvimento vegetativo.


Como implantar a técnica

É importante que a aplicação seja realizada nos estágios iniciais de desenvolvimento da planta, pois terá maior disponibilidade de nutrientes para serem convertidos em produção.

Quanto à dose, é necessário que o produtor siga as recomendações do fabricante do produto, que pode variar entre 100 a 150 mL/100 L de água, com um volume de calda que varia de 300 a 400 L/ha, sendo aplicado via pulverização foliar a cada quatro dias, no período entre o transplante das mudas e a colheita, totalizando oito aplicações.

A realidade

Em campo, os estudos experimentais demonstram que a dose a ser aplicada na alface varia de acordo com o produto. A distribuição das dosagens pode variar de acordo com a finalidade do bioestimulante, refletindo em melhor crescimento, maior floração, enraizamento mais efetivo e força de resposta a estresses.

Pesquisas apontam que a utilização de bioestimulantes tem eficácia variável de acordo com o estado geral da planta, o comportamento do material, o momento e a forma da aplicação, tendo em vista o momento de maior sensibilidade dos tecidos, proporcionando ou não a entrada das substâncias no citoplasma. Portanto, a operação deverá ser realizada para coincidir com o estágio da planta no qual ela é mais responsiva ao tratamento.

Também podem ocorrer efeitos negativos da aplicação das diferentes concentrações dos bioestimulantes que podem ser reflexos da atuação dos fitohormônios, como ácido indolbutírico e cinetina presentes, causando alteração no balanço hormonal das plantas, pois quando há ocorrência da aplicação acima dos níveis ótimos de auxinas e citocininas, mesmo estes fitohormônios fazendo parte da complexa atividade de divisão celular, pode ocorrer efeito marcante na inibição do crescimento dos órgãos vegetais.

Entre os erros mais frequentes estão:

ð Concentrações inadequadas;

ð Estádio de desenvolvimento da planta (época de aplicação);

ð Temperatura e a umidade do ambiente – determinam a velocidade de secamento da solução aplicada à superfície foliar;

ð Ângulo de contato entre a solução e a superfície foliar – diz respeito ao maior ou menor molhamento da folha pela solução. Deste modo, quanto mais espalhada for a gota da solução, maior será o contato desta com a superfície foliar e, portanto, maior será a possibilidade de absorção da mesma;

ð Fazer aplicação do produto sem consultar um engenheiro agrônomo.

Investimento

O custo por hectare de produto aplicado é relativamente baixo, levando em consideração o preço destes produtos que se encontram no mercado, pois a quantidade diluída é baixa, comparada à quantidade de calda aplicada por hectare com o produto.

O custo será apenas para adquirir o produto, que em geral é barato, proporcionando resultados significativos à produção de alface. O maior custo é referente à pulverização.