Qual a importância e as vantagens da silvicultura de precisão?

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Autores

Emmanoella Costa Guaraná Araujo
Mestra em Ciências Florestais e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
manuguarana@gmail.com
Ernandes Macedo da Cunha Neto
netomacedo878@gmail.com
Gabriel Mendes Santana
gsantanaflorestal@gmail.com
Iací Dandara Santos Brasil
iacidandara@yahoo.com.br
Mestrandos do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – UFPR
Crédito Luize Hess

O crescimento da população, aumento do comércio de madeira e a constante busca por novas áreas favoráveis às atividades agrícola e pecuária modificou a estrutura original das florestas brasileiras. Assim, faz-se necessário aumentar e melhorar a produção de florestas plantadas para garantir a disponibilidade dessa matéria-prima e a redução dos impactos às florestas nativas.

A grande demanda por produtos florestais exige cada vez mais o emprego de práticas de manejo para obter aumento da produção. No empreendimento florestal, o planejamento adequado, a determinação da qualidade de sítio (capacidade produtiva) e acompanhamento da cultura florestal são passos importantes para garantir o sucesso no desenvolvimento florestal.

Detalhes que fazem a diferença

Procedimentos silviculturais, como: seleção de mudas; técnicas de preparo do solo para o plantio com adubação; proteção contra insetos, doenças e erosões; o desbaste e a desrama têm sido responsáveis pela elevação da produtividade e qualidade dos povoamentos florestais.

Dessa maneira, a análise da produtividade permite realizar intervenções nas florestas, a fim de obter o máximo rendimento de acordo com as potencialidades do solo. Deste modo, é importante o acompanhamento e gerenciamento dos dados e das informações que variam com o tempo e espaço (altura, diâmetro a altura do peito, volume, área basal, etc.). A partir daí, torna-se possível otimizar a produção, verificando o potencial produtivo de cada povoamento.

Onde entra a precisão

Neste contexto, a necessidade de aumentar a produtividade fez com que a silvicultura de precisão ganhasse espaço durante o manejo florestal, devido ao fato de que esta considera a heterogeneidade para obtenção de resultados mais consistentes, avaliando as necessidades de cada planta considerando a variação espaço-tempo.

Em contrapartida, a silvicultura convencional trata uma área heterogênea de forma homogênea, contribuindo para resultados generalizados.

Silvicultura de precisão é planejar e administrar as atividades e operações de manejo florestal em sítios diferencialmente, assim melhorando a qualidade e uso da madeira, reduzindo as perdas, bem como aumentando os lucros e mantendo a qualidade do ambiente (Taylor et al., 2002), podendo trabalhar as árvores individualmente ou em sítios diferentes.

As práticas de manejo diferenciado em sítio são recomendadas em ocasiões em que existam variabilidade dos fatores de produção no talhão florestal (fertilidade do solo, relevo, ervas invasoras, pragas e doenças, água) e os rendimentos variam de talhão para talhão.

Em tempo hábil

As florestas plantadas geralmente ocupam grande áreas, em muitos casos de difícil acesso. Na silvicultura de precisão busca-se por tecnologias que auxiliem na obtenção de informações sobre a floresta de forma rápida, eficiente e de baixo custo, visando a maximização da produtividade. As empresas florestais mais desenvolvidas têm investido em tecnologia, com vistas a incrementar a produtividade de suas áreas e, consequentemente, aumentar o lucro.

Na silvicultura de precisão a área é tratada geograficamente, baseando-se na coleta e análise de dados geoespaciais e viabilizando intervenções localizadas na floresta, com exatidão adequada. Para isso, conta com o conhecimento já existente e auxílio nas variabilidades espacial e temporal de tecnologias, como: imagens de satélite, VANT (Veículo aéreo não tripulado), LiDAR (lasers aerotransportados, que emitem diversos pulsos curtos em direção à superfície da Terra de forma repetitiva, permitindo a obtenção de informações tridimensionais acerca da superfície terrestre), GPS (sistemas de posicionamento global) e RADAR (emissor de radiação eletromagnética na faixa do micro-ondas capaz de obter imagem da superfície da terra sem interferência de nuvens).

As tecnologias fornecem subsídios para a identificação e a correlação das variáveis que afetam a produtividade florestal, por meio da sobreposição, cruzamento e regressão de mapas do relevo, atributos do solo e capacidade produtiva dos povoamentos.

Também é possível a identificação de indivíduos doentes e danificados no meio do povoamento por meio de uma imagem de Drone ou satélite, o que favorece a redução de custos em função do correto manejo das atividades florestais e obtenção de informações rápidas e precisas.

Em volume

O volume da floresta é uma das variáveis de maior interesse, pois é a partir dele que se obtém o valor econômico da floresta e todo o planejamento florestal. Normalmente o volume da floresta é estimado em função de modelos matemáticos que utilizam as variáveis dendrométricas, como diâmetro à altura do peito e altura da árvore.

A medição dessas variáveis é feita a partir de um inventário florestal em algumas amostras em campo. Nesse quesito, a tecnologia LiDAR tem sido inovadora no setor florestal, com a aquisição de dados de altura e diâmetro com a tecnologia laser, deste modo disponibilizando rapidamente dados da floresta com economia de tempo nas atividades de inventário florestal, além de possibilitar a medição de toda a floresta.

A geoestatística é uma das principais ferramentas de análise da variabilidade espacial, cujo uso permite avaliar e modelar a estrutura espacial da fertilidade solo, DAP, altura, volume e permite a estimativa de uma determinada variável em locais não amostrados, sendo necessário que todas as informações sejam referenciadas com a implantação de um sistema de coordenadas geográficas, utilizando o GPS.

A partir dos dados geográficos aplica-se a geoestatística, dividindo os povoamentos em talhões organizados por características semelhantes de propriedades do solo, relevo e dos próprios plantios, assim como o uso da geoestatistica e outras técnicas para o acompanhamento da produção e manejo do povoamento no tempo certo. O resultado é a otimização da produção e, consequentemente, aumento da rentabilidade econômica.

Vantagens

Alguns dos benefícios com o advento da silvicultura de precisão:

þ Avaliação do potencial produtivo do solo;

þ A escolha da espécie adequada ao solo e clima do sítio, região do plantio;

þ O preparo do solo adequado e adaptado a cada sítio;

þ A adubação e correção da acidez de forma diferenciada entre sítios, adequando ao tipo de solo. Assim como a aplicação feita de acordo com a topografia do terreno;

þ O método de plantio varia de acordo com a espécie, tipo de muda, época do ano, distribuição das chuvas na região, topografia do relevo;

þ Avaliando a suscetibilidade à erosão;

þ Otimização do traçado das estradas florestais;

þ Auxílio ao inventário florestal com menor custo;

þ Monitoramento da saúde dos talhões ou árvores individualmente;

þ Seleção dos indivíduos e da época ideal para operações de desbaste;

þ Otimização da sequência de exploração, tendo em vista os mapas de produtividade e as condições climáticas e de piso;

þ Prevenção e combate a incêndios florestais;

þ Manejo da paisagem e adequação ambiental, de forma a otimizar o espaço e conservar a vegetação presente com criação de corredores que conectam fragmentos florestais nativos.