14.3 C
Uberlândia
segunda-feira, julho 15, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioNotíciasQual o futuro da soja no Brasil?

Qual o futuro da soja no Brasil?

Por Sergio de Andrade Coutinho Filho

Soja – Créditos: shurtterstock

Por um lado, a soja é uma cultura de extrema relevância para a economia, para a segurança alimentar mundial e, sim, para o meio ambiente. Por outro, essa cultura apresenta custos econômicos, sociais e ambientais. Entretanto, com avanços tecnológicos os benefícios se ampliarão enquanto os custos serão controlados.

A magnitude do impacto econômico é inquestionável. O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, representando o maior faturamento da agricultura brasileira de R$ 175 bilhões em 2020 e empregando mais de 30 milhões de brasileiros segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela representa insumo básico para a indústria alimentícia, sendo matéria prima para a produção de óleos e rações, além de ser o maior item de exportação do Brasil, acima de itens como Petróleo e Minério de Ferro.

É possível argumentar que, contra intuitivamente, a soja contribui não só para a segurança alimentar, mas para o meio ambiente. Por ter alta densidade calórica (produzir muitas calorias por hectare), ela permite plantar menos e alimentar mais. Possibilita também, inclusive, maior eficiência na produção de proteínas animais, ao reduzir a necessidade de pastagens e de outros cultivares menos produtivos. Desta maneira, indiretamente, contribui para conter a pressão global por desmatamento e promove o combate à fome.

Todavia, mais de 95% da soja plantada no Brasil é transgênica, e mais de 80% das transgenias são relativas total ou parcialmente à resistência a herbicidas, em especial o glifosato, de acordo com a CropLife Brasil (CLB), associação que reúne especialistas, instituições e empresas. Apesar de não existir evidências de que a transgenia em si apresente riscos significativos, o uso deste herbicida, considerado sine-qua-non (extremamente importante) para o manejo da cultura, está ligado a danos significativos à saúde e ao meio ambiente. Estes danos foram tema de processos bilionários contra indústrias químicas nos Estados Unidos e da proibição do seu uso em vários países europeus e asiáticos.

Avanços tecnológicos como a capina elétrica, permitem o controle de plantas invasoras que competem com o cultivar por nutrientes, sol e água, sem o uso de qualquer herbicida químico, além de atuar com eficácia em plantas resistentes à herbicidas e permitir certificação orgânica. Essa tecnologia cresceu até 100% ao ano na última década, já é distribuída por grandes players do mercado de máquinas agrícolas e o teve seu custo por hectare reduzido ano a ano, se tornando cada vez mais economicamente competitiva com os métodos convencionais.

Em breve, veremos essa (e outras) tecnologia promovendo uma soja ainda mais economicamente viável, de maneira socialmente responsável e ambientalmente sustentável. Ainda mais benefícios e menores custos, ao agricultor, à economia, ao meio ambiente e aos consumidores.

ARTIGOS RELACIONADOS

Estados Unidos adquirem 20% dos Cafés do Brasil

Total de café brasileiro vendido ao exterior atingiu 33,27 milhões de sacas com receita cambial de US$ 4,81 bilhões no período de janeiro a outubro de 2021.

Estudo compara desempenho em três tipos de ILP

Uma pesquisa inédita avaliou, pela primeira vez, o desempenho econômico e ambiental do sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), fazendo comparações em diferentes culturas.

Tecnologia no combate do estresse oxidativo

Natural ou em suco, no uso culinário em doces ou pratos sofisticados e, ainda ...

Sipcam Nichino Brasil reúne pesquisadores especialistas em cana-de-açúcar

Um grupo formado por alguns dos mais importantes pesquisadores do setor sucroenergético se ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!