Qual o panorama da produção de morango no Brasil?

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Autor

Mário Calvino Palombini
Engenheiro agrônomo e proprietário da Vermelho Natural
vermelhonatural@hotmail.com
Crédito: Shutterstock

A área de produção brasileira de morango é relativamente expressiva, mas extremamente dispersa em pequenas propriedades pelo Brasil, com deficiência de dados estatísticos oficiais recentes.

Os dados existentes indicam que a área total produtora compreende aproximadamente 4.000 hectares, sendo o maior produtor Minas Gerais, o Estado possuía aproximadamente 1.500 hectares, cultivado na maioria dos municípios do extremo sul do Estado, na região da Serra da Mantiqueira, sendo Pouso Alegre e Estiva os maiores produtores.

São Paulo vem logo atrás, com 800 hectares, sendo a produção concentrada nos municípios de Piedade, Campinas, Jundiaí, Atibaia e municípios próximos, este último representando 60% da área cultivada.

Normalmente a cultura é praticada por pequenos produtores rurais que utilizam a mão de obra familiar, sendo a maior parte da produção destinada ao mercado in natura. O terceiro e quarto colocado é o Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente, com área aproximada de 500 ha.

No Paraná a região de Curitiba é a principal produtora, tendo 191 hectares destinados ao plantio, o que corresponde a 38% da produção estadual. Depois dela vem a região de Jacarezinho, no norte pioneiro, com 114 hectares, que totalizam 24% da produção.

Os municípios que mais produzem são São José dos Pinhais, em uma área de 63 hectares, com 14% da produção estadual, seguidos por São José, 60 hectares, Araucária, 40 hectares, Londrina, 23 hectares e São Tomé, 20 hectares.

No Sul

No Rio Grande do Sul, as principais regiões produtoras são as regiões da Serra, dos Campos de Cima da Serra e Vale do Rio Caí, sendo que a cidade de Ipê possui a maior área plantada. Ainda neste Estado, 370 hectares estão concentrados em 20 cidades, com uma área expressiva da atividade produtiva de forma empresarial, enquanto outra parcela é composta de médios e pequenos produtores.

O restante da produção se localiza em outros municípios e estão dispersas por todo o Estado em pequenas áreas de produção, com o intuito de vendas localizadas nas suas respectivas comunidades.

Outros Estados importantes na produção de morango são Santa Catarina e Espírito Santo, sendo cultivado por pequenos produtores rurais que utilizam a mão de obra familiar.

Verão e inverno

A época de produção é dividida em dois tipos de variedades, de produção de verão e de inverno. Os principais Estados produtores de inverno são Minas Gerais, São Paulo e Norte de Paraná. Já no verão, estão à frente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sul do Paraná.

A produtividade média por estado é mediana, em ton/ha, de 32,7 no RS; 21,3 ton/ha no PR; 25,2 ton/ha em MG; 34 ton/ha no ES e SP. 

Obstáculos

Embora exista a necessidade de aumentar a produtividade, os principais problemas do setor se encontram na debilidade da qualidade dos frutos nos pontos de venda.

Para promover melhorias nos processos de produção é necessário uma compreensão da situação qualitativa dos frutos nos pontos de venda. As características apresentadas como desejáveis pelos atacadistas para que seja mais valorizado no mercado são, principalmente, coloração vermelha, sabor e doçura.

As características indesejáveis são o estado sobre maduro ou passado, frutos imaturos ou verdes, deformações e presença de podridões ou doenças pós-colheita.

Estas ideias corroboram com o comportamento do consumidor, que considera o sabor e o aspecto visual do fruto como os principais motivos pela decisão de consumo. Os grandes defeitos que geraram reclamações são o estado sobre maduro, seguido por danos mecânicos, o aspecto externo com manchas e, por último, morangos imaturos.

Pós-colheita

No caso das embalagens, a maioria dos consumidores prefere cumbucas com filme plástico. Embora a variedade reflita diretamente na qualidade dos frutos, a maioria desconhece as variedades existentes e não possuem a capacidade de reconhece-las visualmente.

Em relação aos tipos de consumidores, metade dos compradores são frequentes e a outra metade eventuais, sendo que estes podem resultar em maior potencial de venda a partir do aumento da qualidade de frutos.

Os dados demonstram que a atividade necessita de melhorias tanto qualitativas como quantitativas, para que possa melhorar os índices e permitir atingir os mercados de forma eficiente profissional.