23.6 C
Uberlândia
quarta-feira, fevereiro 21, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosHortifrútiQual o panorama nacional da produção de repolho?

Qual o panorama nacional da produção de repolho?

Autores

Raphael Augusto de Castro e Melo
Pesquisador da Embrapa Hortaliças
raphael.melo@embrapa.br
Fotos: Hortas Agronegócios

A receita global do mercado de repolho totalizou US$ 39,4 bilhões em 2018, de acordo com o relatório da ResearchAndMarkets.com. Para o Brasil não há dados atualizados referentes ao valor movimentado por produtores, atacado e varejo.

Atualmente, estima-se que a área cultivada com repolho no Brasil ultrapassa 30 mil hectares, mantendo sua predominância nos Estados do Sudeste e do Sul, porém, com crescimento significativo no Nordeste, sobretudo em regiões de altitude como a Chapada Diamantina, na Bahia, e a Serra da Ibiapaba, no Ceará. A produção brasileira anual tem ficado acima de 370 mil toneladas. 

Mundo x Brasil

No mundo, cerca de 70 milhões de toneladas de repolho são produzidas anualmente, em uma área próxima a 4,0 milhões de hectares, distribuída por 150 países. A China produz metade desse volume, seguida pela Índia, Angola e por países do Leste da Europa (Rússia e Ucrânia) e Indonésia.

No Brasil, o Estado de São Paulo, com 9.021 ha, e o Paraná, com 8.874 ha, em 2017, e Minas Gerais, com 2.243 ha, em 2018, são as principais regiões produtoras. A seguir está uma estratificação por municípios preponderantes na produção desta hortaliça:

ð SP – Sorocaba com 5.092 ha, Mogi das Cruzes com 899 ha, Itapeva com 670 ha e São João da Boa Vista com 426 ha representam as principais áreas de produção de repolho do Estado (IEA-SP, 2019).

ð PR – a área regional de Curitiba concentra os municípios de Araucária, Almirante Tamandaré, Colombo, Contenda, Mandirituba, São José dos Pinhais e Tamarana como os principais produtores de repolho (SEAB/DERAL-PR, 2019).

ð MG – Rio Paranaíba com 405 ha, Carandaí com 300 ha, Lagoa Dourada com 190 ha e Barbacena com 130 ha são as principais regiões (Emater-MG, 2019).

Produtividade média no Brasil

A produtividade média comercial de repolho varia grandemente no território nacional, sendo que bons produtores conseguem médias de 30 toneladas por hectare. Em regiões mais tecnificadas, a exemplo da Chapada Diamantina e do Rio Paranaíba, em Minas Gerais, produzem acima de 60 toneladas por hectare.

Mercado interno x externo

Não há exportação de repolho constante dos dados da Secretaria Comércio Exterior do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços – SECEX/Mdic. O mercado interno para essa espécie em termos de quantidade consumida, volume e área produzida é relativamente estável quando comparado a outras folhosas ou variedades da mesma espécie – brócolis, couve-flor e couve.

Isso se deve majoritariamente à disponibilidade de cultivares adaptadas às regiões brasileiras e estações do ano, a tecnologias disponíveis para diferentes sistemas de produção e à competência de distintos segmentos da cadeia produtiva nacional. No entanto, dentro da conjuntura mercadológica dessa hortaliça, nota-se uma flutuação de preços e volumes que está intrinsicamente ligada a condições do tempo, especialmente a anos muito chuvosos ou períodos de seca prolongados, que têm causado diversos problemas fitossanitários, além do aumento dos custos de insumos, mão de obra, energia e outros fatores associados.

Investimento inicial

O custo de produção nas diferentes regiões tem valores iniciais próximos a R$ 20 mil e podem chegar a mais de R$ 30 mil, a depender do nível tecnológico empregado.


Desafios

Os principais gargalos fitossanitários no cultivo de repolho são relacionados, sobretudo, à traça-das-crucíferas (TDC) (Plutella xylostella) e à hérnia-das-crucíferas (Plasmodiophora brassicae). A resistência aos inseticidas, causada pelo uso desregrado e inadequado, e a restrição de agrotóxicos registrados para controle, no caso da hérnia, têm levado a prejuízos significativos em regiões produtoras.

Portanto, no caso da TDC, faz-se importante considerar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), com controle utilizando barreiras físicas, tais como a manta de agrotêxtil, além do controle químico realizado de maneira racional a partir de produtos seletivos, que não prejudicam a ocorrência de inimigos naturais, e o controle biológico com bioinseticidas à base de bactérias que controlam as lagartas.

O controle da hérnia tem sido um dos maiores desafios das principais regiões produtoras de repolho em todo o mundo e no Brasil. Há menções em catálogos de híbridos com atribuída resistência, porém, essa descrição é contestável, pois se trata de um patógeno de difícil introgressão em programas de melhoramento, o que se deve ao fato de P. brassicae apresentar grande variabilidade genética, dificultando a seleção de cultivares que sejam resistentes a todas as raças conhecidas.

Assim, a escolha da área, a calagem do solo e o uso de mudas sadias, que podem ser tratadas com um fungicida registrado (Ciazofamida), são medidas preventivas recomendadas. Em casos de altos níveis de infestação do solo e ocorrência da doença faz-se necessária a rotação de culturas ou o pousio, deixando o solo sem cultivo de brássicas por pelo menos três anos.

Outro aspecto relevante é referente à qualidade de parte do repolho comercializado nacionalmente, que é insatisfatório devido, entre outras causas, à elevada incidência de danos físicos e à exposição do produto colhido a condições ambientais inadequadas nas etapas entre a colheita e a comercialização.

Recomenda-se o uso de boas práticas para reduzir o número de repasses e da necessidade de toalete (retirada de folhas com manchas de doenças ou descoloração) que são submetidas às cabeças recém-colhidas.

Além disso, recomenda-se melhorar o controle das condições ambientais (umidade relativa e temperatura) e utilizar, quando da demanda do mercado comprador, embalagens ou invólucros (filmes) que possam estender a durabilidade e, consequentemente, aumentar o tempo disponível para sua comercialização.

ARTIGOS RELACIONADOS

Oceana Brasil lança o fertilizante Algen ONE

A Oceana, no intuito de expandir suas tecnologias, lança o Algen ONE. O primeiro fertilizante fosforado balanceado, rico em Lithothamnium e aminoácidos. Totalmente elaborado...

Compostos orgânicos geram aumento de produtividade e qualidade nas lavouras

  Carlos Henrique Eiterer de Souza Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia, professor adjunto do Centro Universitário de Patos de Minas - UNIPAM e Diretor de Pesquisa...

Bionat é a nova opção em soluções biológicas

A Kimberlit, empresa líder no segmento de fertilizantes especiais, especializada em nutrição e fisiologia de plantas, de olho em um mercado crescente, investe na produção de...

Lagartas em áreas de soja preocupam produtores e agrônomos  

Presença de Helicoverpa armigera e Spodopteras em regiões de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí impõe cuidados extras no manejo de lavouras ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!