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domingo, julho 3, 2022
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Queimada – Alerta geral

Alberto Jorge Laranjeiro

Engenheiro florestal, doutor e diretor da Equilíbrio Proteção Florestal Ltda

alberto@equilibrioflorestal.com.br

Nelson Sanches Bezerra Júnior

Engenheiro florestal e gerente operacional Equilíbrio Proteção Florestal Ltda

Equipamento portátil que aplica 500 litros de ar por minuto - Crédito Alberto Laranjeiro
Equipamento portátil que aplica 500 litros de ar por minuto – Crédito Alberto Laranjeiro

Cada região tem seus períodos críticos de incêndios em função do clima, topografia, distribuição espacial do material combustível e suas características. O grau de risco é variável entre as regiões. No entanto, apesar de existirem períodos específicos, com seus respectivos graus de risco para cada região, condições atípicas de tempo, especialmente dias prolongados de temperatura alta, umidade relativa baixa e ventos mais fortes podem levar a situações de grau de risco acima do normal até em períodos de baixo risco.

Em relação aos incêndios, não diríamos que o “grau de atenção“ deve ser diferente entre os períodos, mas que o “tipo de atenção“ sim. Isso porque, de um modo geral, o sucesso das ações contra os incêndios depende da “atenção constante“.

Assim, nos períodos não críticos quanto à ocorrência de incêndios a atenção deve estar voltada para o planejamento e manutenção do sistema de prevenção e combate aos incêndios. Nesse período, além de se estabelecerem estratégias e recursos com critérios bem definidos para ativá-los frente às mudanças do grau de risco, várias ações preventivas podem e devem ser adotadas para minimizar os riscos nos períodos críticos, como manejo do material combustível, campanhas educacionais, treinamento na detecção, comunicação, combate, etc.

O incêndio florestal é grande problema na silvicultura - Crédito Pixabay
O incêndio florestal é grande problema na silvicultura – Crédito Pixabay

Atenção aos prejuízos

O grande problema dos incêndios ocorre justamente quando a atenção volta-se para ele apenas no período crítico. Os prejuízos são muito variados, dependendo do material combustível, que além das árvores plantadas envolve o sub-bosque e a serapilheira.

Por exemplo, fogo em plantação de pinus costuma ser mais intenso e causar mais prejuízo do que em eucalipto. No entanto, ainda como exemplo, a associação entre temperatura, umidade e ventos favoráveis, com sub-bosque alto, podem levar a incêndios intensos mesmo em eucalipto, chegando a provocar o temido “fogo de copa“.

Assim, os prejuízos podem ir desde a morte de poucas árvores, por exemplo, menos que 5% das árvores plantadas por onde o fogo correu, passando por danos à qualidade da madeira apenas para determinados fins, até a perda total de toda a plantação.

Além disso, ainda existe o risco de queimar máquinas e equipamentos, ou ainda atingir pessoas.

 Crédito Pixabay
Crédito Pixabay

Sem limite

Além de eliminar parte significativa da microflora e microfauna do solo, os incêndios também acabam com a matéria orgânica, que é substrato para seu desenvolvimento. O resultado é a perda imediata de alguns nutrientes com a queima e outros pela maior exposição à lixiviação.

O que é perdido rapidamente deixa de ser fornecido posteriormente e parceladamente para a floresta plantada. As propriedades físicas do solo também se deterioram significativamente com a perda da matéria orgânica.

Prevenção, sempre

Estabelecer um plano para prevenção, detecção e combate a incêndios é fundamental. Para os diversos graus de risco, associados às condições climáticas, ao tamanho, dispersão, topografia e às demais características da floresta plantada, assim como às condições sociais do entorno, é possível estabelecer um plano de custo/benefício adequado, lançando mão de tecnologias viáveis e eficazes.

Educação, comunicação e treinamento são partes fundamentais do plano.Para o caso de ocorrências de incêndios, o plano deve considerar a questão do tempo, igualmente fundamental. Diminuir o tempo entre o início do incêndio e a detecção, entre esta e o início do combate, é fundamental para facilitar o combate e minimizar os danos causados pelos incêndios.

Lembrando que nem sempre o uso somente de água é a melhor maneira, em termos de custo/benefício, para o combate a um incêndio.Atualmente, o uso de equipamentos especiais e produtos supressantes e retardantes de fogo, em combinação com a água, podem reduzir drasticamente os danos causados por certos incêndios.

Quanto aos produtos para combate a incêndios, destacamos os líquidos geradores de espuma (LGE), os encasuladores e os géis.

Novidades

Equipamentos de alta tecnologia, com produtos supressantes e retardantes, potencializam o uso da água, aumentando o poder de combate por unidade de tempo, com a mesma quantidade de água e/ou aumentando a autonomia de combate.

Esses equipamentos podem tornar veículos leves e ágeis com desempenho maior no combate aos incêndios do que veículos tradicionais maiores. Veículos com menor capacidade de carga são mais ágeis, apesar de transportarem menos água, o que pode ser compensado pela tecnologia de aplicação de água com supressantes/retardantes do fogo.

Outra tendência que aumenta consideravelmente o poder de resposta aos incêndios é o uso de veículos multifuncionais que incluem o combate a incêndios, ou seja, a utilização de veículos que fazem diferentes operações, preparados para o combate a incêndios.

Isso permite disponibilizar uma maior quantidade e melhor distribuição dos equipamentos de combate a incêndios na área florestal, pois o custo do veículo com o equipamento de combate a incêndios é rateado com outras operações.

Assim, a estratégia mais eficiente, para estabelecimento de um plano de prevenção, detecção e combate aos incêndios, é aquela que considera todos os aspectos, procurando aplicar tecnologia e integrar de recursos.

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Floresta, edição de maio de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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