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terça-feira, julho 5, 2022
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Resultados – Enxofre via foliar na cebolicultura

Autores

Elisamara Caldeira do Nascimento
elisamara.caldeira@gmail.com
Talita de Santana Matos
Doutoras em Agronomia/Ciência do Solo – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Glaucio da Cruz Genuncio
Doutor em Fitotecnia e professor – Universidade Federal de Mato Grosso

A cebola, assim como as demais plantas, necessita de diversos nutrientes essenciais. Vários trabalhos descrevem a importância e as principais funções dos principais nutrientes nas plantas. Entre eles estão o nitrogênio (N), componente da estrutura de aminoácidos, proteínas, clorofila, enzimas, coenzimas, RNA, DNA, além de vitaminas como a niacina, tiamina, riboflavina.

Os metabólitos que contêm N são, em grande parte, ativadores enzimáticos, além de participarem dos processos de absorção de íons, fotossíntese, respiração, sínteses bioquímicas e crescimento vegetativo.

O fósforo (P) é parte essencial da estrutura dos ésteres de carboidratos, fosfolipídeos, coenzimas e ácidos nucleicos (ATP e ADP), e ainda contribui para o desenvolvimento do sistema radicular. Desempenha também um papel fundamental na respiração, seja no desdobramento inicial da glicose, seja no armazenamento, na transferência e utilização da energia gerada no processo.

Já o potássio (K) atua nos processos osmóticos, na síntese de proteínas e na manutenção de sua estabilidade, na abertura e fechamento dos estômatos, na permeabilidade de diversas enzimas, participando dos processos de fotossíntese, respiração, síntese de compostos orgânicos, absorção iônica e trabalho mecânico, como aprofundamento e expansão da raiz.

Outros nutrientes

A absorção de P (na forma de H2PO4) é máxima na presença de Mg2+, tendo o papel de carregador de fósforo, provavelmente pela sua participação na ativação de ATPases.

O enxofre (S) é constituinte importante de alguns aminoácidos, como a cistina, metionina, cisteína e triptofano, precursores de compostos sulfurados voláteis responsáveis pelo aroma característico da cebola.

Já o boro (B) é ativador enzimático e atua nos processos de absorção iônica, transporte de carboidratos, síntese de lignina, celulose, ácidos nucleicos e proteínas. Tem importante função na translocação de açúcares e no metabolismo de carboidratos, no florescimento, no crescimento do tubo polínico, nos processos de frutificação, no metabolismo do N e na atividade de hormônios.

Intervém na absorção e no metabolismo dos cátions, principalmente do Ca++. O cobre (Cu) é constituinte da estrutura de proteínas e de diversas enzimas que atuam nos processos de fotossíntese, respiração, regulação hormonal, fixação de N e metabolismo de compostos secundários. É essencial no balanço de nutrientes que regulam a transpiração na planta.

O manganês (Mn) participa de diversas reações bioquímicas, atuando como ativador de enzimas envolvidas nos processos de respiração e na síntese de aminoácidos e lignina. Atua também nas reações de oxi-redução e transporte de elétrons nas células vegetais.

O molibdênio (Mo) atua como catalizador de reações de oxiredução em mais de 60 enzimas presentes nas células vegetais. Este micronutriente tem um importante papel no metabolismo do nitrogênio nas plantas, onde participa, por exemplo, no processo de redução do NO3– para NO2–, ativando a enzima reductase do nitrato.

O zinco (Zn) é constituinte de diversas enzimas que atuam nos processos de respiração, controle hormonal e síntese de proteínas. É necessário para a síntese e conservação de auxinas, hormônios vegetais envolvidos no crescimento.

Benefícios do enxofre via foliar para a cebola

O nutriente enxofre apresenta funções próximas às do nitrogênio. Embora a quantidade de enxofre nas plantas seja de 3 a 5% da quantidade encontrada de nitrogênio, esses nutrientes compartilham grande versatilidade em reações de oxidação-redução, atributo esse que os torna fundamentais no metabolismo das plantas.

Além do mais, o enxofre é constituinte de alguns aminoácidos e de várias coenzimas. As assimilações de N e S são bem coordenadas, ou seja, a deficiência de um elemento reprime a via assimilatória do outro.

Entre as várias maneiras de se fornecer nutrientes às plantas, o valor da adubação foliar não pode ser descartado, sendo ela, muitas vezes, a alternativa mais eficiente para a solução de problemas específicos e/ou complemento de uma adubação via solo.

Uma das vantagens mais enfatizadas da adubação foliar é o alto índice de utilização, pelas plantas, dos nutrientes aplicados nas folhas em relação à aplicação feita no solo.

Manejo

A exigência nutricional da cebola varia ao longo do ciclo, intensificando-se no florescimento, seguida pela formação e crescimento dos bulbos, sendo importante para auxiliar o manejo da adubação.

O conhecimento da marcha de absorção de nutrientes pela cultura pode fornecer subsídios para uma aplicação racional de fertilizantes, implicando na redução dos custos de produção e melhor aproveitamento dos fertilizantes pela planta, podendo gerar também aumento de produtividade. Além disso, com a uso da marcha de absorção evita-se uma possível deficiência ou consumo de luxo de algum nutriente pela planta.

É importante ressaltar que para corrigir a deficiência de enxofre diagnosticada na fase de lavoura, recomenda-se fazer a reposição do nutriente via solo (a lanço) com fórmulas de adubos solúveis como o sulfato de amônio (22 % S e 20 % N), facilmente encontrada no mercado e que apresenta alta concentração do elemento.

Também podem ser usadas outras fontes, como o gesso agrícola (sulfato de cálcio) (~ 16% de S; ~ 20% de Ca), sulfato de potássio (15% de S e 50% de K2O), sulfato de magnésio (11% de S; 10% de Mg), bem como outras formulações comerciais contendo o enxofre na forma de sulfato.

A reposição do nutriente também pode ser realizada por ocasião do plantio ou semeadura, usando formulações de adubos mistas que contenham NPK + S ou formulações simples, como superfosfato simples (13% de S e 18% de P2O5), enxofre elementar (95 – 100% de S), gesso agrícola, entre outras. O gesso agrícola normalmente tem custo baixo por ser um resíduo industrial da fabricação de adubos fosfatados.

Atenção

A adubação foliar com o enxofre, embora possa auxiliar na recuperação das plantas deficientes, não é eficaz na correção da carência por ser um nutriente exigido em quantidades relativamente altas.

A sua deficiência ocorre principalmente devido aos seguintes fatores: baixa fertilidade do solo associada à pequena quantidade de matéria orgânica, aumento de exportação dos nutrientes pelos órgãos causados por produtividades elevadas, uso de fertilizantes que contêm pouco ou nenhum S em sua composição, lixiviação de sulfato e também a redução do uso de produtos fitossanitários que apresentam enxofre.

Dicas importantes

Durante o desenvolvimento da cultura, e sempre depois das adubações de cobertura, recomenda-se a aplicação foliar de micronutrientes, entre eles sulfato de zinco 0,2 % e sulfato de magnésio 0,1%, ambos fornecedores de enxofre em parceria com Zn e Mg.

Aos 15 dias antes da colheita, pulveriza-se com sulfato de potássio 1%, com o objetivo de aumentar a durabilidade dos bulbos no armazenamento. Não se pode esquecer da necessidade da utilização de produtos adesivos e espalhantes, devido às características das folhas. Uma observação importante é que não se deve misturar a adubação com a aplicação de defensivos agrícolas.

Análise de solo é a base de tudo

O sucesso da recomendação da adubação sulfatada depende, principalmente, do diagnóstico da fertilidade do solo e da nutrição da planta, que deve ser um processo criterioso, com base na análise de solo e na diagnose foliar, que indica a absorção do elemento pela planta.

Com base em alguns trabalhos de pesquisa, recomenda-se a reposição de enxofre quando os teores no solo estiverem entre 10 a 20 mg dm-3. De modo geral, as doses recomendadas para as diversas regiões ficam, em média, entre 30 e 60 kg ha-1, sendo a maior dose em solos arenosos ou pobres em matéria orgânica. O produtor deve planejar a adubação com S em função da disponibilidade das fontes citadas e dos custos de aquisição dos produtos no mercado regional.

Resultados de pesquisas indicam que a exportação de S através da colheita da cebola fica ao redor de 30 kg ha-1. Ainda em relação às fontes de enxofre, é importante destacar que o enxofre elementar precisa ser transformado por microrganismos presentes no solo (Thiobalillus sp.) em sulfato (SO42-), para ser absorvido pelas plantas. Esse processo promove reações de acidificação do solo e necessita de aproximadamente 50 dias para a máxima disponibilidade de sulfato na solução do solo.

Portanto, essa fonte não é adequada quando há sintomas de deficiência em lavouras e necessita-se da disponibilidade imediata de S na forma de sulfato.

Sem errar

O tratamento foliar deve ser precedido de experimentos e de avaliações cuidadosas, pois as características das folhas com relação à absorção foliar variam de espécie para espécie. A preparação, implantação e condução de uma lavoura deve ser realizada sob orientação técnica de um engenheiro agrônomo, assessorado por análises de solos e observando as exigências nutricionais de cada espécie e/ou cultivar.

Fertilizantes foliares devem ser aplicados quando a planta não está captando água em sua máxima potência. Aplicações via foliar são mais bem aproveitadas quando a planta está túrgida. Os momentos mais críticos para a aplicação são os de grande esforço da planta ou de grande crescimento, quando a planta está saindo do seu estado vegetativo e passando para um estado reprodutivo.

A maioria das aplicações foliares deve conter nitrogênio para agir como um eletrólito carregando os íons para dentro da planta. Pequenas quantidades de fósforo são recomendadas para a circulação interna. Geralmente o principal meio de absorção foliar é o estômato (aberturas especiais nas folhas). Quando os estômatos estão abertos, a absorção foliar é mais eficiente.

Pulverização

A escolha dos bicos de pulverização é fundamental para produzirem gotas de tamanhos ideais para favorecerem a absorção, o que ajudará também a maximizar a quantidade de gotículas que grudará nas folhas, aumentando a absorção.

As pulverizações grosseiras, que produzem gotas muito grandes e molham em excesso a folhagem, provocam um gotejamento excessivo e o escorrimento da solução para o solo, havendo, portanto, desperdício e diminuição dos resultados esperados. Também podem agir como uma lente para a luz do sol, podendo queimar as folhas.

Já gotas muito pequenas podem perder a eficiência. Reduzir a altura da barra de pulverização, evitando maior deslocamento das gotas com a velocidade do vento (as aplicações não devem ocorrer a velocidades do vento maiores que 10 km h-1 ou quando ocorrer inversão térmica), utilizar bicos com maior capacidade de vazão e adjuvantes (para reduzir a deriva) também favorecem a eficiência da aplicação.

Diversas técnicas devem ser utilizadas na tentativa de maximizar a absorção foliar, o que depende basicamente do tipo de equipamento pulverizador. Deve-se tentar pulverizar tanto a superfície inferior quanto a superior da folha, quando possível, facilitando, assim, a absorção pelos dois lados da folha. Sempre misture bem o produto na água e aplique-o o mais vaporizado possível.

A aplicação de doses elevadas de nutrientes, como N, P e K, podem não resultar em aumento de produtividade, devido ao baixo suprimento de enxofre, levando ao desequilíbrio nas relações N/S e P/S na planta.

Custo

Os custos da adubação com o S normalmente são menores em relação ao NPK, pois é menor a quantidade exigida e pelo fato de ser um nutriente acompanhante de outros nutrientes usados na adubação. A aplicação via foliar de enxofre se dá juntamente com a aplicação de micronutrientes com sulfato em suas formulações.

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