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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Safra e safrinha – O que esperar da produção de milho

Os preços recordes de milho devem premiar os que apostaram no plantio do cereal na segunda safra

Rubens Augusto de Miranda

Economista da Embrapa Milho e Sorgo

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A despeito do momento conturbado pelo qual o País passa, tanto na política como na economia, o agronegócio vai de vento em popa. A produção de grãos e as exportações no ano passado foram recordes e com preços favoráveis.

O agronegócio brasileiro ganhou participação na economia do País em 2015, com a produção agrícola desempenhando um papel importante. As perspectivas para o agronegócio em 2016 também são ótimas, pelo menos no que se refere às commodities, tanto que a Conab até o momento projeta um aumento da produção de grãos.

Tendências

Seguindo a tendência dos anos anteriores, a produção de milho na safra verão apresentou nova redução, perdendo mais espaço para a soja. As últimas estimativas da Conab apontam redução de 5,8% na produção e 6,8% de área plantada de milho na primeira safra.

É importante ressaltar que essa tendência não é necessariamente ruim para o milho. Isso porque a primeira safra de milho vem sendo substituída pelo plantio na safrinha em sucessão à soja, expandindo a fronteira agrícola do cereal.

O resultado é que, no cômputo geral, a área plantada total de milho tem alcançado patamares superiores à sua média histórica. Além disso, o plantio em uma época do ano com clima menos favorável vem sendo parcialmente compensado pelas lavouras mais tecnificadas dos produtores de soja. Esses fatores conjuntamente levaram ao cenário atual, no qual dois terços da produção de milho são colhidos na segunda safra. Ou seja, a safrinha virou ‘safrona’.

 Rubens Augusto de Miranda, economista da Embrapa Milho e Sorgo - Crédito Embrapa
Rubens Augusto de Miranda, economista da Embrapa Milho e Sorgo – Crédito Embrapa

Previsões

No que se refere às previsões da safrinha, até o início de dezembro de 2015 diversas projeções apontavam para o aumento da área plantada nas principais regiões produtoras, mas o clima gerou algumas incertezas.

O excesso de chuvas no Paraná e a falta delas no Centro-Oeste provocaram perdas e o atraso da colheita da soja nessas regiões, impactando negativamente a safrinha de milho. Isso porque, dependendo do atraso, muitos produtores podem abrir mão do milho de inverno para não correrem maiores riscos com o plantio tardio, principalmente aqueles que colheram prejuízos no verão, com quebras na soja.

Por outro lado, os preços recordes de milho devem premiar os que apostaram no plantio do cereal na segunda safra, apesar de eventual perda de produtividade com plantios tardios. Ou seja, é um cenário difícil de avaliar no momento, tanto que o relatório de levantamento de safras da Conab do mês de fevereiro ainda repete os dados de 2015 para toda a região centro-oeste, com o argumento de esperar informações seguras sobre a intenção de plantio dos produtores.

Entretanto, o levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponta para um aumento de 2,18% da área plantada. De qualquer forma, somente em março teremos um melhor delineamento do plantio de milho na safrinha.

Impactos na segunda safra

A segunda safra de milho está mais intimamente ligada à safra da soja do que à primeira safra de milho. Obviamente, o plantio do milho no verão afeta as condições de oferta e, consequentemente, os preços, que, por sua vez, podem estimular ou desestimular o plantio no inverno.

Entretanto, com a consolidação do sistema de produção no qual o milho entra sucedendo a soja, o cereal é plantado quase que de forma inercial, independente dos preços estarem deprimidos ou não. Isso tem sustentado a produção em níveis recordes com uma estabilidade surpreendente.

Não há mais aquela montanha russa de produção decorrente da remuneração da cultura. Nesse sentido, para prevermos melhor a safrinha é preciso estar atento ao que acontece na soja. É por isso que o atraso na safra de soja mencionado anteriormente deve afetar negativamente a segunda safra de milho.

Investimentos x retornos econômicos

Atualmente, os preços internos do milho superam os observados em 2012/13, quando a produção mundial foi amplamente afetada pelo clima, principalmente os EUA. É o cenário sonhado por qualquer produtor – produção recorde com preços recordes.

O retorno de ambas as safras de milho foi incrível no ano passado e poderá ser ainda melhor em 2016. A safra passada deixou os produtores capitalizados para os investimentos na safra 2015/16. Se não fosse isso, estaríamos bem mais pessimistas, pois não podemos nos esquecer que a conjuntura doméstica é de escassez de crédito barato e que o câmbio desvalorizado favorece as exportações, mas encarece consideravelmente os insumos importados, principalmente fertilizantes.

Assim, deixo a mensagem que o produtor precisa investir com sabedoria, de acordo com as boas práticas agrícolas ” algo que é sempre indicado ” paragarantir grandes lucros no atual ano agrícola.

Essa matéria você encontra na edição de abril 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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