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Sarna da macieira exige atenção

Daniele Maria do NascimentoEngenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Proteção de Plantas – UNESP

Marcos Roberto Ribeiro Junior Engenheiro agrônomo e doutorando em Agronomia/Proteção de Plantas – UNESPmarcos.ribeiro@unesp.br

Adriana Zanin KronkaEngenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Fitopatologia e docente – UNESP

Maçã – Crédito: Aires Carmem

Agora é a época em que os pomicultores começam a se preparar para o inverno. As macieiras entram em hibernação, mas os patógenos continuam à espreita, e um deles, que merece toda a atenção, principalmente nesta época, é o fungo Venturia inaequalis, agente causal da sarna da macieira.

Presente em todos os países que cultivam maçãs, a doença chegou ao Brasil em 1950, no estado de São Paulo, e hoje encontra-se disseminada em todas as regiões produtoras. Em ambientes favoráveis ao seu desenvolvimento (alta umidade e temperatura amena), as perdas podem chegar a 100%.

Em regiões mais quentes, a doença quase não tem importância. Mas a severidade com que a doença irá afetar as macieiras depende de vários fatores, além das condições climáticas, como por exemplo, a quantidade de inóculo presente nas folhas.

O patógeno é facilmente disseminado pelo vento e a disponibilidade de água livre sobre as folhas e temperatura amena (entre 15,5 a 21ºC) favorecem a germinação dos ascósporos, estruturas de reprodução do fungo. As folhas novas são mais predispostas à infecção e, a partir da sexta folha, observa-se uma maior resistência. Na prática, a macieira está suscetível à infecção nos estádios fenológicos de C (pontas verdes) a J (estádio final).

Sintomas

Os sintomas ocorrem principalmente nas folhas e frutos. Nas folhas, são lesões circulares de coloração verde-oliva em ambas as superfícies foliares, que vão escurecendo e podem coalescer, tomando toda a superfície foliar.

Nos frutos novos ocorrem pequenas lesões circulares, mas, posteriormente, o fruto torna-se deformado e cai precocemente. Quando frutos já maduros são infectados, a doença é chamada de “sarna de verão”, e as lesões continuam a progredir mesmo durante o armazenamento em temperaturas mais baixas. Os ramos também podem apresentar lesões e cancros.

Ciclo

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Entender o ciclo do patógeno é importante na hora de adotar as medidas de manejo. É no outono que se inicia o ciclo primário deste fungo. Após a queda das folhas, o micélio penetra no tecido da planta, iniciando a formação do pseudotécio (estrutura de reprodução sexuada).

O ideal é que a temperatura esteja em torno de 4ºC, e nunca acima de 15ºC e, como descrito anteriormente, a umidade também é essencial. Em folhas secas, por exemplo, todo esse processo não ocorre.

Entre o final do inverno e início da primavera ocorrem a produção e a maturação dos ascósporos, em temperaturas variando entre 16 a 18ºC, não excedendo os 24ºC. Pouco antes da brotação das macieiras, os ascósporos são liberados, atingindo o pico durante a floração.

A umidade é necessária, pois irá causar o intumescimento das ascas e a consequente projeção dos ascósporos, sendo a corrente de ar responsável pela disseminação. Uma vez no tecido do hospedeiro, os ascósporos requerem certo período de molhamento foliar para germinar e iniciar o processo de infecção.

Na prática, dizemos que a infecção tem início com as chuvas. Para os frutos, conforme os mesmos amadurecem, maior o período de molhamento necessário para que ocorra a infecção.

Uma vez germinados os ascósporos, em até 17 dias os conídios são produzidos, rompendo a cutícula e causando as lesões típicas da doença. Novamente, temperaturas amenas irão favorecer o desenvolvimento destas lesões. Cada uma das lesões pode abrigar até 100 mil conídios, que vão dar início ao ciclo secundário.

O período crítico da sarna pode então ser definido a partir do início das brotações até o início da formação dos frutos, quando cessa a liberação dos ascósporos, e é nesse período que entram em ação as medidas de manejo.

Monitoramento

Como visto, temperatura, umidade e período de molhamento foliar são fundamentais para a infecção da macieira. Esses fatores climáticos podem ser adequadamente monitorados com o auxílio de equipamentos eletrônicos dotados de sensores. Com esses dados em mão, o produtor saberá quando e como entrar com o controle.

Manejo

Práticas culturais, como a poda, contribuem para o manejo desta doença. A realização de uma poda adequada, permitindo a entrada de luminosidade no interior das plantas, impede o acúmulo de umidade, que é essencial para que ocorra a infecção.

Pouco antes das macieiras entrarem em dormência, quando as folhas estão amarelas e prestes a cair, no mês de maio, pode ser realizada a aplicação de ureia a 5%, com o objetivo de acelerar a decomposição dessas folhas, reduzindo assim a formação dos ascósporos nas folhas.

Optar por cultivares resistentes reduziria consideravelmente os gastos com fungicidas, mas, no Brasil, a maioria das cultivares empregadas é suscetível a este fungo.

Controle químico

Esse é o principal método de controle da sarna da macieira, sendo utilizados os fungicidas protetores e sistêmicos, de acordo calendário fenológico. Geralmente, as aplicações ocorrem nos estádios C3, D, F, H e I.

O número de aplicações varia de acordo com a cultivar empregada e a quantidade de inóculo. Em regiões com maiores índices de infecção, são realizadas entre nove e 12 aplicações anualmente, enquanto que, em regiões com menores quantidades de inóculo, apenas três aplicações podem ser suficientes.

Para fungicidas curativos, é recomendado um intervalo de aplicações de sete a 10 dias. Em mistura com fungicidas protetores, esse período pode se estender por até 12 dias e, passado o período crítico, as aplicações podem ser espaçadas de 14 a 21 dias. No caso de fungicidas com alta concentração, os tratamentos com fungicidas protetores convencionais retornam 30 dias após a aplicação deste primeiro, seguindo o calendário de aplicações normalmente.

Mas, como escolher o melhor fungicida? Para responder a essa questão é necessário entender como eles atuam. Os fungicidas protetores devem ser aplicados preventivamente, ou no máximo, durante o período de infecção (em 24 horas a partir do início das chuvas), pois irão agir assim que entrarem em contato com os esporos fúngicos.

Fungicidas curativos conseguem inibir o desenvolvimento do fungo, podendo ser aplicados até 96 horas após o início das chuvas.

Considerações finais

Para as cultivares suscetíveis à sarna, o controle químico é indispensável no manejo desta doença. Se as aplicações forem bem planejadas, e usados fungicidas protetores logo no início das brotações, dando prosseguimento ao calendário normal de aplicações, o controle certamente será bem-sucedido.

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