21.6 C
Uberlândia
sábado, junho 22, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosSemeadura antecipada da soja é tendência

Semeadura antecipada da soja é tendência

Paulo Sérgio de Assunção

Engenheiro agrônomo, produtor e proprietário da PA Consultoria Agronômica, Pesquisa e Agricultura de Precisão

pauloassuncao@paconsultoriaagronomica.com.br

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A semeadura antecipada da soja é uma estratégia utilizada para reduzir a incidência de doenças e pragas no final do ciclo ou para semear o milho de segunda safra em sucessão à soja o mais cedo possível.

A janela ideal de plantio de soja na região do Mato Grosso, por exemplo, se dá no final de setembro, mês de outubro e primeira dezena de novembro (sendo a última já de risco de ferrugem e mosca-branca).

Quanto à semeadura antecipada, acontece entre o dia 15 de setembro, quando encerra o vazio sanitário, a início de outubro. Neste último caso, o produtor tem como vantagens: favorecer a janela de plantio de algodão, de milho safrinha ou outra cultura na segunda safra (girassol, sorgo), reduzir o risco de pressão de ferrugem e mosca-branca no final do ciclo na cultura da soja. Ainda, e não menos importante, alguns produtores alcançam melhores preços da soja no mês de janeiro.

 Paulo Sérgio de Asunção, engenheiro agrônomo e produtor rural - Crédito Arquivo pessoal
Paulo Sérgio de Asunção, engenheiro agrônomo e produtor rural – Crédito Arquivo pessoal

Cuidados

Em primeiro lugar, ao se optar pela semeadura antecipada, o produtor deve efetuar um bom tratamento de sementes para protege-las de fungos de solos e pragas iniciais.

É imprescindível, ainda, ter atenção com a umidade ideal e suficiente para uma boa germinação, estar alerta às pragas iniciais que se encontram nos restos das coberturas (milhetos, cortadeiras, milhos tigueras, etc.).

De preferência, deve-se ter uma boa cobertura para reduzir a perda de água por evaporação e manter uma menor temperatura do solo, amenizando o problema com escaldadura (estrangulamento por alta temperatura no caule da planta na região em contato com o solo).

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Tendência

O semeio antecipado é uma tendência, pois, como dito, além de favorecer a janela de plantio da segunda safra, também diminui o risco com ferrugem e mosca-branca no final do ciclo da soja. Dado o problema de resistência dos grupos de fungicidas existentes no mercado, essa passa a ser uma ferramenta muito importante como estratégia de manejo da doença (principalmente ferrugem).

 Nas regiões produtoras do Mato Grosso, onde chove cedo, essa prática é muito utilizada.

Fique atento

O semeio antecipado não é recomendado em solos sem umidade ou com pouca umidade, sendo esse último pior ainda. Portanto, deve-se evitar o plantio em solos arenosos, onde o risco se torna bem maior em função da baixa capacidade de armazenamento de água desse tipo de solo, que seca muito rápido.

Para plantio nesse tipo de solo precisamos ter o regime de chuvas bem estabelecido e uma boa cobertura com palhada. Também nesse tipo de solos temos mais problemas com altas temperaturas (podendo chegar a 60ºC na superfície), causando escaldadura, ou seja, um estrangulamento do caule na base da planta em contato com o solo.

Por isso, o plantio mais tarde, após o estabelecimento do regime de chuva, deixa o solo com menor temperatura, diminuindo também a incidência desses problemas.

Mesmo em solos argilosos, principalmente naqueles sem cobertura de palhada, temos o risco de danificar a qualidade da semente (cozinhar) se logo após o plantio o regime de chuva não se estabelecer e a temperatura estiver muito alta. Isso acontece em função da maior evaporação e maiores temperaturas no solo, podendo desidratar a semente e apodrece-la.

Produtividade

A produtividade não estárelacionada apenas à data de plantio, mas também em função das características das cultivares utilizadas e clima (chuva, luminosidade) durante todo ciclo da cultura.

De maneira geral, temos obtido uma boa produtividade, mas lembro que alguns materiais não aceitam esse plantio muito cedo. Portanto, é preciso conhecer bem o comportamento de cada material que será plantado nessa época.

Em geral, os plantios do final são prejudicados pela pressão de pragas e doenças, pois nessa época as plantas sofrem com a migração de mosca-branca, esporos de ferrugem oriundos de lavouras mais novas e até mesmo da poeira levantada na colheitadeira destas áreas.

 

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Manejo integrado de tecnologias garante controle eficiente de doenças

  As doenças que acometem a cultura da soja são fatores que podem diminuir a produtividade e consequentemente afetar a rentabilidade da atividade agrícola. Existem...

Análise de solo – Essencial para calagem ou adubação

Fabiano Pacentchuk Engenheiro agrônomo, mestre em produção Vegetal e doutorando em Agronomia - Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) fabianopacentchuk@gmail.com Fábio Nascimento Lima Técnico em Agropecuária e graduando em...

Segunda geração de biopesticidas revoluciona a agricultura

  Iracema de Oliveira Moraes Engenheira de Alimentos e presidente da PROBIOM - Tecnologia Pesquisa e Desenvolvimento Experimental em Ciências Físicas e Naturais iomoraes@hotmail.com   A segunda geração de...

2º Seminário Nacional de Folhosas foi um sucesso

      A área total de hortaliças plantadas no Brasil é de 850 mil hectares, sendo que as folhosas representam 15% do total, chegando ao volume...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!