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Sementes certificadas com alto potencial produtivo

João Carlos Nunes Consultor STI Consultoria sticonsultoria.ts@gmail.com

Soja – Créditos: shurtterstock

O mercado de sementes de soja movimentou cerca de R$ 11,2 bilhões na última safra, de acordo com a Spark Inteligência Estratégica, e esse incremento está sendo impulsionado por alta tecnologia. De acordo com pesquisas de mercado, cerca de 65% dos produtores rurais brasileiros utilizam sementes certificadas. Isso ocorre, entre outros motivos, porque essas oleaginosas têm alto vigor, com qualidade fisiológica, sanitária, genética e física, conferindo, então, um ganho de qualidade e de produtividade no campo.

Entende-se por qualidade de sementes, a resultante do somatório dos atributos genéticos, físicos, sanitários e fisiológicos do lote.

Pesquisas

De acordo com José de B. França Neto, o uso de sementes de soja de alta qualidade é fundamental para a implantação e o desenvolvimento da lavoura. Para o pesquisador da Embrapa Soja, a qualidade da semente está relacionada a quatro componentes: qualidade fisiológica (sementes com altos vigor e germinação), qualidade sanitária (sementes livres de patógenos, que poderão ser a fonte de doenças), qualidade genética (sementes livres de misturas com sementes de outras cultivares) e qualidade física (livre de contaminantes). “Em lavouras comerciais, têm-se observado aumento de produtividade de 10% a 12% quando usadas sementes vigorosas”, ele explica. Existem vários trabalhos demonstrando as vantagens do uso de sementes certificadas.

Outro trabalho com o objetivo de avaliar o efeito do vigor na produtividade da soja, feito por Bruno R. Scheeren e outros em 2010, utilizou seis lotes de sementes: três de alto e três de baixo vigor, que foram semeados utilizando-se três densidades de semeadura, determinadas pela germinação do termo de conformidade, mais um fator de correção de 15% e pelo resultado da emergência no campo.

Eles avaliaram durante o ciclo de desenvolvimento das plantas, o estande inicial, altura de plantas aos 21 e 75 dias após a semeadura, número de vagens e de sementes por planta, o peso de mil sementes e produção por área. Os resultados obtidos mostram que a produtividade por área dos lotes de alto vigor pode ser 9% superior aos de baixo vigor e as plantas provenientes de sementes de alto vigor apresentam maior altura aos 21 dias após a semeadura.

Segundo trabalho de Marcos A. Diad e outros (2011), plantas que se desenvolveram a partir de sementes com vigor alto e intermediário apresentaram os melhores resultados na competição com as plantas daninhas, reduzindo o acúmulo de massa seca das plantas daninhas.

As plantas que se desenvolveram a partir de sementes de alto vigor fornecem os melhores resultados para o rendimento de grãos, tanto para tratamentos sem ervas daninhas quanto com ervas daninhas.

Limberger e outros, por exemplo, em 2015, coletaram amostras de sementes de soja certificadas e salvas de diversos produtores na região de Santa Rosa (RS), na safra 2014/15, obtendo grande vantagem para as sementes certificadas nos aspectos de germinação e vigor.  Comprovaram, assim, os benefícios das sementes certificadas, fato que vem fazendo com que esta tecnologia venha sendo cada vez mais adquirida pelos sojicultores brasileiros.

De olho na qualidade

Para evitar a comercialização de sementes de baixa qualidade, o que pode causar sérios prejuízos aos agricultores, existe uma legislação específica e a certificação do processo de produção como um todo.

Como já vimos, existem vários outros trabalhos de diversos autores que corroboram esta informação em sementes de soja e de diversas outras culturas muito importantes, como milho, arroz, algodão, etc.

A legislação brasileira de sementes foi criada com o objetivo de fomentar a produção e proteger o agricultor. A certificação de sementes no Brasil é um processo controlado por órgão público (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA), ou privado devidamente registrado junto ao MAPA, por meio da qual se garante que a semente foi produzida sob padrões de qualidade pré-estabelecidos e atende requisitos mínimos de qualidade de semente para sua utilização pelos agricultores.

Vigor e qualidade de sementes

A fiscalização do MAPA tem sido atuante no sentido de prevenir e coibir a comercialização ilegal das sementes “piratas”. Entretanto, mais do que uma obrigação legal, sementes certificadas têm garantia de vigor e germinação que atende um patamar de qualidade.

Vários estudos demonstram que o vigor das sementes está intimamente ligado à resposta na produtividade. Sementes com maior vigor apresentam possibilidades de obtenção de patamares mais altos de produtividade.

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Num mercado altamente competitivo, onde mais de duas centenas de produtores de sementes legais disputam a preferência do agricultor, estas sementes não só devem atender os requisitos para obter a certificação como também devem ter a melhor qualidade possível, sendo altamente exigente em qualidade fisiológica.

Dentre os vários aspectos que interferem na qualidade durante a produção de campo, durante seu beneficiamento e até sua comercialização e entrega, podemos citar exemplos de condições no campo, como danos por pragas e doenças, momento de colheita inadequado, excesso de umidade, equipamentos de colheita mal regulados, misturas varietais, plantas daninhas indesejadas, etc.

O mofo-branco por exemplo, é uma das doenças mais difíceis de controlar e assim sementes não certificadas apresentam um risco bem mais alto de disseminar ainda mais a doença através das estruturas do fungo (escleródios e micélios).

Um outro ponto que provoca grande insegurança no uso de sementes sem certificação é a ausência de qualquer garantia de qualidade fisiológica. Por estas razões, produtores brasileiros de sementes de soja têm buscado novas e apuradas tecnologia para assegurar a melhor qualidade da semente produzida.

Do ponto de vista tecnológico, há ainda que destacar o investimento governamental iniciado nos anos 70 através do Plano Nacional de Sementes (Planasem), enviando vários profissionais egressos principalmente de UFPEL, UFLA e ESALQ para instituições renomadas de ensino e pesquisa no exterior para especialização.

Profissionalização do setor

Já em 1974 a Universidade Federal de Pelotas criou um curso específico de mestrado acadêmico, uma especialização em 80, curso de doutorado em 1995 e, em 2001 o mestrado profissionalizante nesta mesma área.

Esta última iniciativa propiciou a formação de um grupo de profissionais com características diferentes, pois muitos deles já atuavam em empresas de produção de sementes ou ligadas ao segmento, que de outra forma, não poderiam assim se desligar completamente de suas atividades profissionais.

O grupo destas universidades anteriormente mencionadas continua se destacando na formação de profissionais especializados na área de ciência e tecnologia de sementes, suprindo cada vez mais as necessidades de profissionais do setor. 

A criação da Embrapa Soja também contribuiu sobremaneira com os avanços tecnológicos na produção de sementes. Esta maior difusão tecnológica, a introdução de novas tecnologias de melhoramento genético, o uso da biotecnologia, a lei de proteção de cultivares, introdução de novos traits e a oferta de tratamento de sementes realizado na indústria, resultaram em maior valor das sementes.

Com isso, nos últimos anos produtores de sementes de soja têm investido em tecnologias mais modernas, tanto na produção a campo como em unidades de beneficiamento de sementes, por meio da aquisição de equipamentos de alta precisão em termos de seleção e limpeza.

Um número expressivo de empresas inclui armazenamento climatizado e até casos de máquinas computadorizadas seletoras por cor, forma e tamanho. Com isso, a qualidade de sementes de soja no Brasil evoluiu para patamares de qualidade diferenciados.

Certificação como solução

Novas exigências mercadológicas ligadas à qualidade contribuem para uma maior adoção de sementes certificadas e este movimento tecnológico agita o mercado de sementes, provocando uma competição saudável.

Todo este investimento está resultando em ofertas adicionais por parte de alguns sementeiros, cuja garantia de germinação e vigor excede as exigências mínimas para certificação, colocando a qualidade num patamar ainda mais alto.

Apesar do limite mínimo de germinação para sementes de soja certificadas ser de 80%, muitas sementeiras oferecem sementes com alto vigor e germinação acima de 90%, e é possível encontrarmos ofertas que indicam garantias de germinação mínima de 95%.

Todo este conjunto de fatores vem contribuindo de forma importante para uma adoção crescente no uso de sementes certificadas com alto potencial produtivo.

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