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Sementes certificadas

Rafael Rosa RochaEngenheiro agrônomo e mestrando em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)rafaelrochaagro@outlook.com

Soja – Créditos: shurtterstock

Um dos fatores de sucesso do cultivo de soja no Brasil está inteiramente ligado ao plantio de sementes certificadas, com a garantia de que haverá uma boa germinação, avaliando um percentual de nascimento das plantas acima de 90%. Com a certificação, garantia de origem, procedência, vigor e pureza da semente certificada, se pode aumentar em até 30% a produtividade de soja em grãos.

O caso da soja

A soja é umas das culturas de grãos mais importantes do País, sendo o Brasil o segundo maior produtor desse cereal, com aproximadamente 114 milhões de toneladas e área estimada em aproximadamente 34 milhões de hectares semeados (Conab, 2017). Essa elevada produção é decorrente do uso de novas tecnologias e da conscientização dos produtores a realizar o manejo correto da cultura.

Uma das atividades que se inicia antes da implantação da cultura é a escolha e compra da semente que será utilizada. Muitas vezes, para reduzir custos de implantação da cultura, os produtores recorrem a sementes salvas ou piratas, as quais não possuem nenhum tipo de certificação ou garantia de procedência. E, diferente do que o produtor pensa, ele não está economizando, e sim expondo a sua lavoura a grandes riscos.

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Não troque gato por lebre, as sementes piratas não têm garantia de procedência, o que acarreta em riscos fitossanitários no desenvolvimento da cultura. As sementes certificadas têm a sua produção controlada por órgãos públicos ou privados, assim garantindo a origem genética, forma de produção, condições fisiológicas, sanitárias e físicas pré-estabelecidas, apresentando assim melhores condições para um estabelecimento adequado da cultura.

Parâmetros

O processo de certificação de sementes foi instituído no Brasil pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) por meio de instruções normativas e procedimentos visando garantir a qualidade física e fisiológica das sementes que o agricultor vai utilizar.

Um dos parâmetros que deve ser levado em consideração é o vigor. Sementes que apresentam alto vigor têm sua emergência mais rápida e uniforme, o desenvolvimento de plântulas normais, e um melhor desempenho das sementes em ambientes distintos. Além dessa característica, é importante que a população seja composta por plantas de alto desempenho, assegurando assim uma boa produtividade.

No campo

Em um estudo realizado por Rampim et. al. (2016), observou-se que as sementes certificadas apresentaram maior porcentagem de germinação e, por consequência, maior vigor no teste de primeira contagem.

Rampim também observou que as sementes certificadas alcançaram um valor de 89,5% de plantas normais e 11,5% de plantas normais para as sementes salvas. Isso mostra a importância das sementes certificadas, resultando em um bom desenvolvimento inicial da cultura.

Nas sementes salvas ou piratas, esses dados geralmente não acompanham o lote, no qual seu manejo no campo de produção, bem como o beneficiamento e armazenagem, podem ter sido realizados de forma errônea, danificando as sementes.

Em outro trabalho, Tonello (2017) verificou maior expressividade de fungos nas sementes salvas, sendo Aspergillus sp., Penicillium sp e Fusarium sp. Essa presença de fitopatógenos em sementes salvas, associado a possíveis danos físicos e fisiológicos durante o processamento das sementes, pode mostrar resultados insatisfatórios na germinação e vigor das sementes.

Vale a pena?

É inegável que sementes produzidas por produtores licenciados possuem qualidade superior, bem acima das sementes não comerciais (salvas ou piratas). Este diferencial tem influência direta em características agronômicas fundamentais para uma lavoura, como maior rendimento de sementes, maior índice de área foliar e elevada produção de matéria seca.

Consequentemente, tudo leva a uma produtividade maior nas lavouras originadas de sementes certificadas. De modo geral, no caso da soja espera-se que lavouras que utilizam sementes certificadas gastem 20% menos sementes em comparação a lavouras que utilizam sementes não comerciais e, como resultado final, esperam-se produtividades 10% superiores no primeiro caso em detrimento do segundo.

Não se engane

É um erro sempre achar que semente salva sai mais em conta, sem analisar fatores que acompanham essa situação. Os patógenos podem reduzir o tempo de viabilidade das sementes. Assim, fica evidente a importância da realização das avaliações nas sementes, e quando identificados os patógenos, deve-se realizar o tratamento, exceto em casos em que não haja o controle, inviabilizando o aproveitamento das sementes.

As sementes certificadas buscam sempre a melhoria contínua dos processos, utilizando as melhores práticas para a produção de sementes de alta qualidade. Esse tipo de semente garante o controle de gerações em que o agricultor pode saber quantas vezes a cultivar foi multiplicada após a liberação do pesquisador.

Padrões de qualidade garantidos por análises de laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura são uma segurança para o produtor, já que acompanha um certificado e nota fiscal dessas sementes, garantindo que o agricultor está adquirindo uma cultivar registrada pelo MAPA e que essas sementes introduzidas no campo trazem as mais recentes tecnologias do melhoramento genético.

Custo envolvido

A maioria dos produtores já consegue perceber que a relação custo-benefício das sementes certificadas é mais positiva, pelos diversos pontos positivos que estão associados com às sementes certificadas versus sementes salvas.

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