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Silício ajuda na prevenção da ferrugem do cafeeiro

Cássio Pereira Honda Filho

Engenheiro agrônomo, mestrando em Fisiologia Vegetal ” Universidade Federal de Lavras e membro do Núcleo de Estudos em Melhoramento e Clonagem da UFLA(NEMEC)

cassiop.hondafv@gmail.com

CyntiaStephânia dos Santos

Tecnóloga em Cafeicultura, engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Agronomia/Fitotecnia ” UFLA e membro do NEMEC

cyntia.s.santos@hotmail.com

Fernanda Aparecida Castro Pereira

Engenheira agrônoma, doutora em Genética e Melhoramento de Plantas e Bolsista do Consórcio Pesquisa Café ” UFLA e membro do NEMEC

fernandacpereira01@gmail.com

Mariana Thereza Rodrigues Viana

Engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Agronomia/Fitotecnia ” UFLA e membro do NEMEC

marianatrv@gmail.com

 

Crédito Daniel Vieira
Crédito Daniel Vieira

O silício (Si) é um micronutriente que não é considerado essencial às plantas, porém, é fundamental para o seu desenvolvimento, proporcionando melhorias no estado nutricional, além de aumentar a resistência das plantas quanto ao ataque de pragas e doenças, bem como aos diversos tipos de estresses abióticos, tais como altas temperaturas, falta de água no solo e toxidez de ferro e manganês às raízes quando teores elevados desses elementos se acumulam nos tecidos dessas espécies, na sua maioria monocotiledôneas.

Ação e reação

Existem várias pesquisas sobre o comportamento do silício nas plantas, com maior destaque para o crescimento e produtividade de gramíneas (arroz, cana, milho, etc.), que são consideradas plantas acumuladoras de silício. Na cultura do café, considerada não acumuladora de Si, os mecanismos pelos quais ele atua na resistência de plantas a patógenos ainda não estão totalmente esclarecidos. Porém, acredita-se que ele atue de forma preventiva na resistência à ferrugem do cafeeiro.

Em cafeeiros, o silício funciona como uma barreira física, pela deposição de sílica na superfície foliar e proporciona a formação de uma camada de cera e cutícula mais espessas, dificultando a penetração do tubo de infecção dos fungos.

Além disso, a deposição de sílica junto aos estômatos pode reduzir a taxa de transpiração das plantas, diminuindo o consumo e a perda excessiva de água. O silício também pode funcionar como uma barreira química, agindo como elemento indutor de mecanismos de defesa da planta pela ativação de vários compostos que auxiliam na resistência a doenças. Porém, ainda são pesquisas que precisam de mais estudos para saber quais compostos estão envolvidos.

Prevenção

Para o controle preventivo da ferrugem do café, recomenda-se o uso de fungicidas protetores até 5,0% das folhas infectadas. Dessa forma, o silício poderia ser aplicado na mesma época em que se faz o controle preventivo da ferrugem do café com uso de fungicidas protetores, ou seja, quando a lavoura apresentar até 5,0% das folhas infectadas, mais ou menos a partir de dezembro.

Dessa forma, ele seria inserido como uma ferramenta no manejo integrado, como agente protetor, devido à formação de uma película de sílica sobre a superfície das folhas. Alguns estudos sugerem que os silicatos, quando aplicados com fungicidas cúpricos, reduzem consideravelmente a ferrugem do cafeeiro em campo, porém, os custos envolvidos na aplicação são mais altos.

Uma grande variedade de fontes de silício tem sido utilizada nas culturas, tais como escórias de siderurgia, wollastonita, metassilicato de sódio, metassilicato de cálcio, silicato de magnésio e silicato de cálcio. Existem, também, vários produtos comerciais que apresentam Si em sua formulação, tendo como base o silicato de cálcio.

Porém, alguns cuidados são necessários na hora da aplicação para que esta seja feita de uma forma eficaz, evitando o prejuízo ao agricultor. Para isso, é preciso ficar atento à fonte de silício utilizada e a sua respectiva solubilidade em água, uma vez que os nutrientes só são absorvidos pelas plantas na forma de íons em solução. Outro importante fator a se atentar é a faixa de pH da calda a ser aplicada, mantendo-a um pouco inferior à neutralidade (pH < 7), favorecendo assim a absorção de silicatos pela planta.

Folha com sintoma de ferrugem - Crédito Luize Hess
Folha com sintoma de ferrugem – Crédito Luize Hess

Benefícios

Alguns trabalhos mostram efeitos positivos das fontes silicatadas sobre a cultura do café, mas não conseguem separar o efeito do Si de outros efeitos agregados, como a elevação do pH, o fornecimento de cálcio, magnésio e outros nutrientes e, apesar dos avanços na pesquisa, ainda não foi definida uma dose ou quantidade máxima de Si a ser aplicada, nem tampouco foi identificado algum sinal de toxidez por este elemento para as plantas.

Entretanto, os silicatos são ânions, e em doses elevadas podem provocar um aumento excessivo do pH da solução do solo, podendo acarretar na redução da disponibilidade de fósforo e alguns micronutrientes para as plantas.

Com a busca pela elucidação dos efeitos do Si na cultura do café e diante do modismo exacerbado deste elemento como a “salvação da lavoura“, é importante frisar que o silício aumenta a produtividade da lavoura de uma forma indireta. A aplicação de tal elemento é benéfica, pois haveria uma melhoria na arquitetura da planta, reduzindo o autosombreamento e o acamamento, favorecendo uma maior eficiência fotossintética.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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