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quarta-feira, julho 6, 2022
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Silício atua na proteção e sistema radicular do milho

Letícia de Abreu Faria

Professora – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) ” Campus Paragominas

leticiadeabreufaria@gmail.com

Mariana Pereira Lima

Graduanda em Agronomia ” UFRA

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

O silício (Si) não é considerado um nutriente, mas é reconhecido pelos seus benefícios em espécies cultivadas. É absorvido do solo na forma de ácido silícico, depositado na parede celular, com efeitos benéficos para as plantas, como maior resistência a estresses bióticos e abióticos. Consequentemente, melhora o manejo fitossanitário, pois garante a formação de uma barreira mecânica na parede celular, dificultando o ataque tanto de pragas quanto doenças, além de manter as plantas eretas, de maneira que há maior interceptação da luz solar.

O milho pode ser atacado por diversas pragas que podem ocasionar prejuízos à produção por danificarem as folhas, os colmos, as espigas, o pendão e o sistema radicular das plantas, mas também há problemas com pragas que podem seccionar as plântulas rentes ao solo, diminuindo a população de plantas nos cultivos, além de transmitir agentes que causam doenças às plantas.

O silício é capaz de proteger o milho contra o ataque de sugadores e também mastigadores (Moraes et al., 2005). O emprego no milho pode diminuir os custos com fungicidas e inseticidas. Com isso, o manejo deste elemento na nutrição de plantas poderá contribuir de forma significativa para uma agricultura mais sustentável.

O silício é um elemento químico envolvido em funções físicas de regulagem da evapotranspiração, e se encontra em maior frequência onde há perda de água em grande quantidade, ou seja, na epiderme foliar, junto com as células-guarda dos estômatos, o que reduz a taxa de transpiração, além de amenizar a toxidez de Fe, Mn, Al e Na.

Proteção do milho

O Si é considerado um nutriente benéfico, pois não é essencial para a vida dos vegetais, mas sua absorção na forma de ácido silícico e seu depósito na parede celular promovem a formação de uma barreira mecânica, conferindo maior resistência a estresses bióticos e abióticos.

O silício depositado na parede da célula vegetal se polimeriza e provoca a formação de uma dupla camada de silício cuticular, transformando-se em um mineral amorfo de sílica denominado opala biogênica (SiO2.nH2O), causando o enrijecimento da parede capaz de impedir a penetração e a mastigação pelos insetos devido ao endurecimento da parede das células vegetais (Datnoff; Snyder; Korndorfer, 2001).

A proteção de plantas ao ataque de insetos conferida pelo Si pode ser tanto para insetos sugadores, por exemplo, os pulgões (Carvalho; Moraes; Carvalho, 1999; Moraes et al., 2005), como para os insetos mastigadores.

Além da barreira física, o Si ativa genes envolvidos na produção de compostos secundários, como fenóis, e enzimas relacionadas com os mecanismos de defesa das plantas, aumentando a resistência da planta ao ataque de fungos patogênicos devido à produção suplementar de toxinas que podem agir como substâncias inibidoras.

A função de manter as plantas e folhas eretas numa posição que melhor intercepta a luz solar proporciona maior peso seco por unidade de área da folha e um aumento nos pesos secos e frescos das raízes.

O Si frequentemente alivia e algumas vezes anula os efeitos adversos do excesso de fósforo, metais pesados e da salinidade. Alguns trabalhos demonstraram que, sob determinadas condições, a adição de Si minimiza a toxicidade do alumínio, que é um problema para a agricultura em solos ácidos.

O Al aumenta a atividade de algumas enzimas relacionadas com o estresse oxidativo. Assim, a aplicação de silicatos, por exemplo, pode aumentar a resistência das plantas ao excesso de alumínio (Wiese et al., 2007), sendo este um dos principais fatores de estresse que limita o crescimento das plantas.

Quando aplicar

O silício oferece um longo efeito residual, além de não causar toxidade para as plantas, apresentando pouca restrição em seu uso. Este pode ser fornecido por meio de fontes como silicatos de cálcio e magnésio em pré-plantio, além da disponibilidade de fontes foliares, como silicato de potássio, embora seja mais recomendada sua aplicação via solo.

O único alerta é sobre a qualidade das fontes utilizadas, pois muitas vezes a fonte de Si é proveniente de subprodutos industriais, sendo necessário atenção a concentrações de metais pesados nas mesmas.

Visando a função protetora a disponibilidade deste elemento para a planta deve ser oferecida desde o início de seu desenvolvimento, permitindo a absorção radicular e seu acúmulo antecipado na parede celular.

Na maioria dos resultados com a aplicação de Si não são verificados efeitos em produtividade, mas podem ser previstos efeitos indiretos nestes parâmetros devido ao menor ataque de pragas.

O trabalho de Munaro e Simonetti (2016) obtiveram resultados positivos para alguns parâmetros produtivos com duas aplicações de 2,25 L/ha de silicato de potássio nos estádios V2 e V4.

A silicatagem é fonte de Si e também apresenta potencial de correção do solo com dosagens próximas ou superiores às de calcários, dependendo do PRNT (poder relativo de neutralização total).

Essa matéria você encontra na edição de agosto de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar.

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