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domingo, junho 26, 2022
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Silício inibe patógenos na couve-flor

Crédito Shutterstock

Fabrício Custódio de Moura Gonçalves
Doutor em Agronomia/Horticultura – UNESP/FCA
fabricio-moura-07@hotmail.com
Nicolas Oliveira de Araújo
Doutorando em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
nicolas_araujo1892@hotmail.com
Rogério Falleiros Carvalho
Professor na área de Fisiologia Vegetal – UNESP
rogerio.f.carvalho@unesp.br

A área plantada com couve-flor nacionalmente é estimada em mais de 11.000 hectares, com volume de produção de 329.047 toneladas. As variações na oferta refletem claramente as limitações das cultivares atualmente disponíveis.

Produtividade afetada

A couve-flor é uma hortaliça que pertence à família das Brássicas, sendo originária de regiões de clima frio. Apresenta potencial econômico, e está entre as hortaliças mais consumidas no Brasil.
A produtividade dessa cultura pode ser afetada por vários fatores, tanto bióticos quanto abióticos, dentre os quais encontram-se doenças bacterianas. A mancha bacteriana causada pela Xanthomonas Campestris, também chamada de podridão-negra, está entre as principais doenças dessa família, podendo provocar perdas significativas na produção.
A podridão-negra é uma das doenças mais frequentes em lavouras de brássicas, e causa redução da produtividade e da qualidade, especialmente em folhas de couve, por serem muito frequentemente propagadas de forma vegetativa.

Doenças

As brássicas são hospedeiras de vários patógenos, principalmente de fungos e bactérias. As principais doenças são a hérnia das crucíferas, causada pelo fungo Plasmodiophora brassicae, que ocorre notadamente nas regiões serranas de clima ameno, e a podridão negra, causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. campestris, que predomina nos cultivos de verão.
Os sintomas das doenças patogênicas são diversos e dependem do patógeno. Especificamente, o sintoma inicial da podridão-negra, doença mais comum, é a presença de áreas escuras de aspecto encharcado (anasarca) nas folhas, notadamente ao longo da borda, onde se acumula mais água, principalmente devido ao fenômeno da gutação nos hidatódios (aberturas naturais das folhas ao final das nervuras).
Em situações de irrigação por aspersão constante e/ou de chuvas, esses sintomas também podem ser notados no limbo foliar, pois a infecção pode ocorrer pelos estômatos, por ferimentos causados por insetos mastigadores, chuva de granizo ou implementos agrícolas.
As áreas infectadas vão aumentando e tornam-se amareladas e disformes, até secarem. No caso da infecção pelos hidatódios, é comum a observação de lesões necróticas em formato de “V” a partir das bordas das folhas, característica da doença e que auxilia na sua diagnose na lavoura.
A infecção da bactéria geralmente também alcança os tecidos vasculares da planta, inclusive nas inflorescências e raízes, que tomam um aspecto escuro, de cor negra – daí o nome da doença. A bactéria pode também infectar as sementes, onde sobrevive por muitos anos.
Além das sementes e mudas, restos culturais e plantas daninhas hospedeiras podem ser fontes de inóculo inicial da doença na lavoura. Em condições favoráveis de alta umidade relativa, respingos e aerossóis, a disseminação é rápida. Temperaturas elevadas também favorecem a multiplicação da bactéria.
O desenvolvimento da doença é favorecido por condições de solos ácidos, o que não significa que condições alcalinas consigam inibir seu desenvolvimento, mas podem reduzir a taxa de multiplicação do patógeno e a disseminação da doença.

Ação do silício

O silício (Si) melhora a arquitetura das folhas da couve-flor, deixando-as mais eretas, melhorando a interceptação de luz, aumentando a fotossíntese, a produção de carboidratos, açúcares e produção.
Além de todos esses efeitos fisiológicos, a nutrição com silício pode inibir o ataque de patógenos nesta cultura, pela formação de uma barreira física à penetração dos patógenos e a indução da produção de substâncias de defesa natural das plantas a agentes patogênicos.
O silício leva à resistência devido ao seu efeito direto nas plantas. A resistência das plantas às doenças pode ser aumentada pela formação de uma barreira mecânica e/ou pela alteração da resposta química das plantas ao ataque do parasita, aumentando assim a síntese de toxinas que podem atuar como substâncias inibidoras ou repelentes.
Obstáculos mecânicos incluem alterações nas estruturas anatômicas, como espessamento das células da pele e maiores níveis de lignificação e/ou silicificação (acúmulo de silício).
Além das barreiras físicas, devido ao seu acúmulo na epiderme foliar, o silício também ativa genes relacionados à produção de compostos metabólicos secundários (como os polifenóis) e enzimas relacionadas aos mecanismos de defesa das plantas.
Dessa forma, devido à produção adicional de toxinas que podem atuar como inibidores de patógenos, o aumento do silício nos tecidos vegetais aumentará a capacidade das plantas de resistir a fungos e bactérias patogênicas.

Recomendações

A forma solúvel em água do silício e o silicato de potássio, sendo móvel na planta, pode ser aplicada tanto via adubação foliar como em fertirrigação na couve-flor. A capacidade geral de resistência ao ataque dos patógenos pode ser facilmente perdida com a retirada dos tratamentos de sílica, sendo necessário o suprimento constante em solução nutritiva ou tratamentos foliares.
Essa característica pode ser devido ao silício dentro da planta estar sujeito à polimerização (reação química que provoca a combinação de um grande número de moléculas para formar uma macromolécula).
Quando é usado o silício via fertirrigação, ao ser transportado pelo xilema as maiores quantidades são depositadas na parede celular destes vasos. Uma vez depositado, o silício torna-se imóvel e não mais se redistribui pelas plantas.

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