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sábado, julho 2, 2022
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Silício torna a alface mais resistente às doenças

Rodrigo Vieira da Silva

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e professor do IF Goiano ” campus Morrinhos

rodrigo.silva@ifgoiano.edu.br

Luam Santos

Sílvio Luís de Carvalho

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Olericultura – IF Goiano

João Paulo Marques Furtado

Graduando em Agronomia – IF Goiano

Brenda Ventura de Lima e Silva

Engenheira agrônoma, mestre em Fitopatologia e servidora do IF Goiano

 

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Uma das grandes dificuldades enfrentadas no cultivo da alface são os prejuízos ocasionados à produtividade e qualidade do produto decorrente do ataque de microrganismos causadores de doenças. Podemos destacar os de origem fúngica, bacteriana e os causados por nematoides. Neste contexto, o silício (Si) apresenta-se com grande potencial para reduzir a severidade de doenças na cultura e aumentar o lucro do produtor.

Ação do silício

Plantas com níveis mais elevados de Si contêm mais nutrientes em seus tecidos. Como o silício aumenta a produção de fotoassimilados, devido ao incremento na taxa fotossintética, há um aumento na incorporação de minerais que conferem mais resistência à parede celular das plantas, o que torna a planta mais resistente a situações de estresses. E, ainda, a aplicação de silício deixa as folhas mais eretas, diminuindo o sombreamento e deixando a planta mais resistente a doenças.

O silício deve ser utilizado de forma preventiva contra doenças fúngicas, bacterianas e nematoides - Crédito Hortec Sementes
O silício deve ser utilizado de forma preventiva contra doenças fúngicas, bacterianas e nematoides – Crédito Hortec Sementes

Melhor maneira de utilizar o silício

O silício deve ser utilizado preferencialmente de forma preventiva contra doenças fúngicas, bacterianas e nematoides.Ele também pode estar envolvido na intensificação do crescimento e da produção em várias plantas, na promoção de exposição favorável das folhas à luz, que acarreta em aumento da fotossíntese, na resistência a estresses abióticos, como acidez, baixas temperaturas e salinidade, por exemplo, e na composição mineral das plantas, assim como no conteúdo de nitrogênio e fósforo.

Na planta, o Si concentra-se nos tecidos de suporte, do caule e das folhas. Em geral, o conteúdo médio deste elemento mineral nas raízes é menor se comparado com o caule e as folhas.

O Si pode ser um bom aliado da cultura da alface, haja vista que a qualidade comercial da folhosa é avaliada pelo seu índice comercial, uma vez que a adição do Si reduz a quantidade de folhas que apresentam injúrias, patógenos e outros.

O silício promove uma barreira química, devido ao aumento da lignina nas folhas e raízes - Crédito Shutterstock
O silício promove uma barreira química, devido ao aumento da lignina nas folhas e raízes – Crédito Shutterstock

Relação do silício contra doenças da alface

A maior parte do Si é incorporada nas paredes celulares, conferindo maior rigidez, elasticidade e proteção, amenizando os efeitos dos estresses de natureza biótica e abiótica. Plantas adubadas com silício são mais resistentes à ação de fungos, bactérias, insetos e nematoides, e também à anomalia fisiológica, conhecida como queima dos bordos.

Plantas deficientes em Si são mais suscetíveis ao tombamento e às infecções fúngicas, pela razão que este elemento mineral forma complexos com polifenóis e assim, serve como alternativa à lignina no reforço das paredes celulares.

A água de irrigação pode conter de 100 a 1.000 g de minerais por metro cúbico. A alface, que é uma hortaliça que tem aproximadamente 95% de água em sua constituição, requer cerca de 25.000 m3 de água por hectare, consequentemente, de 2.500 a 25.000 kg-1 de minerais podem ser adicionados ao solo, incluindo aí os metais pesados Zn, Cu, Co, Ni, Hg, Pb, Cd, Ag e Cr.

Outra importante contribuição é que o silício pode aliviar a toxicidade de muitos metais pesados presentes em água, solos contaminados ou ainda em solos salinos.

Além da barreira física, esse elemento é capaz potencializar alguns mecanismos de defesa, como por exemplo, aumentando a concentração de enzimas peroxidases, que é de fundamental importância na biossíntese de lignina, sendo importante na resistência das plantas aos patógenos. Promove, desta forma, uma barreira química, devido ao aumento da lignina nas folhas e raízes.

 A dosagem de silício é diferente no sistema hidropônico - Crédito Eduardo Miyayaciki
A dosagem de silício é diferente no sistema hidropônico – Crédito Eduardo Miyayaciki

Outras vantagens do silício

A alface é uma das hortaliças mais exigentes em água. Experimentos com irrigação controlada demonstraram que o peso da planta e a produtividade são diretamente proporcionais à quantidade de água aplicada e, devido a esta alta exigência em água e à delicadeza de seu sistema radicular, a adição de adubos com resíduos orgânicos, como o esterco, é prática comum na produção de alface.

As folhosas respondem bem a tais adubações, e quando adicionado de silício, os benefícios deste último elemento conferidos às plantas são devido à sua contribuição para a estruturação da parede celular de raízes e folhas. Portanto, este elemento não tem papel metabólico definido nas plantas acumuladoras.

O silício provoca efeitos indiretos, os quais, no conjunto, contribuem para uma maior produtividade e qualidade da lavoura, além de oferecer maior atividade fotossintética, maior absorção de água e nutrientes, e maior resistência a estresse hídrico.

Além disso, por ser um elemento não tóxico e de origem mineral não impactante no ambiente, de modo que pode ser utilizado na agricultura orgânica, o silício favorece também os seres humanos, que terão uma alimentação mais saudável.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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